Ah, o verão!

Associada pela maioria das pessoas à alegria e diversão, é durante essa estação que grande parte dos brasileiros resolve curtir as férias e aproveitar os dias de sol em parques, na praia ou clubes. Porém, é preciso ter alguns cuidados para evitar problemas, como queimaduras, desidratação e afogamentos

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No litoral paulista, Operação Praia Segura, do Corpo de Bombeiros, orienta banhistas

É durante essa época do ano que muitas famílias brasileiras aproveitam as férias escolares e se programam para viajar. Qualquer que seja o destino escolhido, alguns cuidados são indispensáveis, como usar o filtro solar adequado e ficar de olho nas crianças. Já em locais com praias, rios ou piscinas é preciso redobrar os cuidados: casos de afogamento e de crianças perdidas aumentam consideravelmente no verão. Segundo o Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, foi durante a última Operação Praia Segura, de dezembro de 2013 a fevereiro de 2014, que aconteceram mais de 40% das mortes por afogamento no litoral paulista. Além disso, por trás de um simples petisco à beira mar, pode haver uma intoxicação alimentar em potencial! Mas calma, com alguns cuidados é possível curtir os dias ensolarados sem maiores transtornos. Confira as dicas do Corpo de Bombeiros e de Luiz Santoro Neto, clínico geral e diretor assistencial do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, do Rio de Janeiro.

Cuidado com o sol

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O herói do verão, o sol, também pode ser o seu maior vilão. Os raios ultravioletas (UVA e UVB) causam queimaduras, envelhecimento precoce e até mesmo câncer de pele. “Controlar a exposição ao sol é muito importante. A utilização de filtro solar com FPS 30 ou mais e não se expor entre 10h e 16h são cuidados fundamentais”, ressalta Luiz Santoro Neto, clínico geral e diretor assistencial do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, do Rio de Janeiro (RJ). O médico também explica que o filtro deve ser reaplicado a cada duas horas e após entrar na água ou suar demais. E atenção: mesmo debaixo do guarda-sol é preciso usar o filtro solar, pois, os raios UV são refletidos pela areia da praia ou pelo piso e causam os mesmos danos da exposição direta.

Muita água!

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É recomendada a ingestão de dois litros de água, em média, diariamente para adultos, para repor as perdas do organismo. Durante a exposição ao sol ou na prática de esportes, principalmente em dias quentes, a perda de líquidos é ainda maior. “É fundamental a hidratação contínua com a ingestão de líquidos, que podem ser água, água de coco ou bebidas isotônicas, que também repõem a perda de sais minerais”, alerta Santoro Neto. Além disso, se você sofreu com o excesso de sol, tomar água ajuda a melhorar os sintomas da insolação. “A hidratação por via oral também é muito importante nesses casos. Usar cremes, loções ou spray hidratantes podem diminuir o desconforto e a vermelhidão”, resume. Vale lembrar que o efeito do sol é cumulativo, ou seja, sintomas como manchas, envelhecimento e pintas, só pioram com o tempo. Por isso, todo cuidado é pouco!

Cuidado com o prato

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Na hora de comer fora de casa, é preciso ficar de olho em alguns detalhes. “Todo alimento que estiver exposto à irradiação solar não deve ser consumido. Aquele camarão, servido em bandejas na beira da praia, nem pensar! ”, alerta o médico. Ele explica que a comida deve estar armazenada corretamente e refrigerada para poder ser consumida, já que, por causa do calor, pode estragar mais facilmente. Além disso, é importante prestar atenção na higiene do local antes de comer. E, no caso de sintomas como diarreia ou vômito, principalmente se estiverem acompanhados de febre, procure um serviço médico imediatamente.

Xô, perebas

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As temperaturas altas fazem com que a quantidade de suor aumente e locais úmidos e quentes são o habitat ideal para fungos e bactérias. Com isso, pode haver o aparecimento de micoses. Santoro Neto explica: “Nessa época é preciso prestar ainda mais atenção à pele. Manchas que não são habituais com coceira e que estejam principalmente em regiões com mais contato com areia ou solo e articulações e dobras, entre os dedos e virilha, por exemplo, são um sinal de alerta”. Por isso, use sempre uma toalha ou canga ao se sentar em cadeiras de clube ou na areia e procure não passar muito tempo com roupas de banho molhadas. Se apresentar qualquer um dos sintomas, procure um médico dermatologista.

De olho nos pequenos

Segundo o Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, cerca de 800 crianças se perdem anualmente nas praias, 700 delas apenas entre os meses de dezembro e fevereiro. “A criança pode ir até a água e, por causa da multidão, não encontrar seu caminho de volta. Por isso, ela deve estar sempre acompanhada de um adulto”, alerta a Tenente Karoline Burunsizian, chefe do Setor de Comunicação Social do Grupamento de Bombeiros Marítimo. “No litoral paulista, nós distribuímos pulseirinhas para que os pais escrevam um telefone de contato. É muito importante que elas usem”. Os pais podem colocar nos pequenos outras pulseiras de plástico com as informações ou qualquer outro tipo de identificação. Outra dica de Burunsizian é que, assim que a criança tenha idade suficiente, ela decore o nome dos pais e um número de telefone para contato.

“Água no umbigo, sinal de perigo”

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Esse é um ditado bastante popular entre os guarda-vidas. Karoline explica que, na praia, a água nunca deve ultrapassar a linha do umbigo. “Até essa altura o banhista consegue voltar para a areia e não corre o risco de se afogar”, explica ela, que ressalta: “Respeite a sinalização e as orientações do guarda-vidas, pois ele pode ver o perigo onde os leigos não percebem, como uma corrente de retorno”. Essas correntes levam a água de volta para o mar e são nelas em que ocorrem 80% dos afogamentos. “Evitar o excesso de álcool é importante, porque a maioria das pessoas que se afogam ingeriu bebidas alcoólicas”, finaliza.