Atendimento humanizado é diferencial em Catanduva

Mudanças no modelo de gestão propiciaram significativa melhoria na saúde. População é a principal beneficiada.

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O atendimento médico-hospitalar da rede pública de Catanduva, no interior paulista, é um dos melhores do País. Em 2012, superou a média regional, estadual e nacional no IDSUS, ranking resultante de pesquisa do Ministério da Saúde, que avalia, com pontuação de zero a 10, o desempenho e os resultados obtidos ao longo de um determinado período de tempo. Além disso, em outra iniciativa da Pasta — o Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQAB) —, as 21 equipes das Unidades de Saúde da Família (USFs) do município receberam as maiores avaliações. Dezesseis alcançaram qualificação “Muito acima da média” e as outras cinco, “Acima da média”.

As USFs, que integram o Sistema Único de Saúde (SUS), são administradas pela Pró-Saúde desde 2010. Nesses cinco anos, a cidade e região beneficiam-se com o modelo implementado na rede, cuja organização reverte se em ganhos para todos, a população e os profissionais. “Os usuários foram entrevistados e se mostraram satisfeitos com o atendimento”, reforça Fabiana Lora, supervisora técnica e integrante do Núcleo de Qualidade e Segurança do Paciente (NQSP).

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Sergio Donizeti Felix, diretor administrativo da Pró-Saúde em Catanduva.

Fazendo parte da equipe da Pró-Saúde desde setembro do ano passado, o diretor administrativo Sergio Donizeti Felix explica que a Atenção Básica é um conjunto de ações voltado à promoção da saúde, prevenção de agravos, tratamento e reabilitação. Nesse sentido, uma das ações implementadas para cumprir as metas estabelecidas pelo Ministério da Saúde foi a reestruturação do modelo de atendimento médico por meio de agendamento. “Atualmente, a capacidade instalada situa-se em torno de 400 consultas/mês. No entanto, o número acaba sendo maior no dia a dia, porque ocorrem muitos encaixes de emergências. As mudanças contribuíram para mantermos um controle e identificarmos onde há demanda reprimida e em quais locais é possível assimilar a procura”.

A agenda, em consonância com os critérios da Atenção Básica do Ministério da Saúde, apresenta divisões específicas, seguidas pelas equipes. As 21 USFs têm a mesma liberdade de elaboração de atividades e fluxo de trabalho. Para que tenham alta produtividade e o melhor aproveitamento possível do tempo dos profissionais, utilizam programa denominado Controle de Agendamento e Atendimento nas Unidades (CAANU), monitorado mensalmente. Esse instrumento identifica as necessidades dos usuários de cada unidade, traçando seu histórico médico, o que contribui para o acompanhamento e atendimento eficaz do paciente.

O clínico geral Carlos Henrique Nappi explica que, na agenda, são determinados por data os grupos de atendimento de acordo com patologias básicas: hipertensão/diabetes; saúde da mulher e da gestante; puericultura e saúde da criança e do adolescente; saúde do homem; saúde do idoso; e saúde mental. Há, também, visitas domiciliares, programadas de acordo com a solicitação de usuários ou seus familiares, ou pela própria avaliação da equipe multiprofissional. A agenda comporta, ainda, as atividades dos grupos operacionais ou oficinas de saúde, abrangendo temas de interesse geral e promovendo maior integração entre pacientes e profissionais. Há, ainda, os Grupos de Educação Continuada para os recursos humanos de cada unidade, da equipe multiprofissional e do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF). As reuniões são semanais, visando à interação coesa e sinérgica dos profissionais.

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João Marcelo Porcionato, Secretário Municipal da Saúde de Catanduva

Equipes multidisciplinares

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Equipe administrativa da Pró-Saúde

Fabiana Lora comenta que as equipes são compostas por profissionais de diferentes especialidades. “Temos um médico clínico geral, um enfermeiro, um auxiliar de limpeza, um administrativo, um de enfermagem, um dentista e um auxiliar de saúde bucal.” O atendimento é ampliado com quatro grupos do NASF, cada um deles integrado por fisioterapeuta, psicólogo, nutricionista, preparador físico e psiquiatra. A cada dia, eles atuam em diferentes unidades.

O trabalho é realizado sempre em conjunto, explica a fisioterapeuta Fernanda Luzia da Silva Azaribe, sobre sua especialidade clínica. “Além do dia a dia do núcleo, faço as visitas domiciliares em curto prazo, dando orientação ou encaminhamento, quando os pacientes não têm condições de ser atendidos na unidade. Se necessário, eles são direcionados a um dos dois centros de referência do município. Também atuamos em parceria com o orientador físico no nosso grupo de intervenções”.

Todo esse conjunto de ações, de acordo com Felix, tem mudado para melhor o sistema de saúde pública em Catanduva. “O interessante é que o controle da agenda fez diminuir o número de consultas e não o contrário, como poderíamos pressupor. Tivemos uma redução no tempo de espera. As ações preventivas de grupo, o trabalho com o NASF e todos os avanços empreendidos deram uma resposta muito positiva em termos de capacidade de atendimento. A organização acabou contribuindo para isso”, comenta o diretor administrativo.

Especialista na área de Saúde da Família, João Marcelo Porcionato, secretário da Saúde de Catanduva desde setembro do ano passado, é um grande defensor da Atenção Básica. “Desde que assumi o cargo, muitas coisas mudaram. Uma delas foi o NASF, que hoje segue o modelo correto, que é de matriciamento. Isso tem sido muito produtivo. A população não é preparada para a prevenção, mas temos de mudar essa cultura. Existem estudos que comprovam que se você tiver uma atenção primária bem feita, conseguirá a diminuição das internações e da busca por pronto atendimento, dentre outros benefícios. Temos recebido relatórios muito positivos nesse sentido. O trabalho conjunto da Secretaria e da Pró-Saúde é uma parceria muito boa”, conclui Porcionato.

Humanização

Trabalhar com equipes multidisciplinares tem demonstrado ser bastante positivo para as USFs, mas esse modelo pode gerar casos peculiares, como foi o da paciente Aparecida (*), atendida inicialmente pela nutricionista Gabriela Rosa. Dependente química e moradora de rua, ela apresentava um comportamento agressivo. Embora a psiquiatria não seja sua especialidade, Gabriela acabou criando um vínculo com Aparecida, já que ocasionalmente estava na recepção no dia em que, após várias tentativas, ela permitiu ser cuidada pelos médicos. É aí que entra a questão da humanização.

Embora a nutricionista não esteja preparada para lidar especificamente com um quadro de problemas emocionais como esse, o compartilhamento de casos em reuniões permitiu que ela soubesse agir, dentro da orientação que recebeu como profissional da área de Saúde da Família. A profissional estreitou o vínculo com a paciente e, assim, a equipe conseguiu fazer com que entrasse efetivamente em tratamento. Hoje, Aparecida tem no pessoal do NASF um porto seguro para retomar o convívio social.

Há resultados exitosos também no atendimento domiciliar, como testemunha a paciente Sandra Maria Costa, 64 anos, que teve paralisia infantil e apresenta problemas de mobilidade. Há quatro anos, ela começou a ser atendida por uma equipe de três profissionais da Unidade Jardim Alpino. “Tem sido ótimo. Antes, eu não conseguia ficar em pé, sentia fortes dores nas pernas e braços. A doutora veio, passou um remédio para a dor e uma vitamina, e agora eu me sinto muito melhor”, conta ela. Além das visitas mensais da médica, Sandra recebe quinzenalmente a fisioterapeuta e uma enfermeira. “Estou fazendo os exercícios que ela passou e tenho melhorado. Quando acontece algum problema ou se precisamos remarcar uma consulta, nem precisa ir até lá, basta ligar”, diz, acrescentando que também a coleta de material para exames periódicos é feita em casa, enquanto os remédios estão disponíveis gratuitamente no posto de saúde.

(*) o nome da paciente foi preservado

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Reunião da equipe multidisciplinar (acima) e atendimento aos pacientes em uma das unidades do NASF

Grupos e prevenção

Um dos principais diferenciais do trabalho realizado nos NASF são as atividades de prevenção. Isso ocorre por meio de diferentes grupos, abrangendo públicos como gestantes, obesos e terceira idade, explica o educador físico Guilherme Henrique Soares Ribeiro, que coordena atividades de ginástica, caminhada, alongamento e hidroginástica. “Também nesse caso trabalhamos com equipes multidisciplinares. Muitas vezes, temos a parceria de fisioterapeutas e até psicólogas, quando necessário.” Seu trabalho é realizado principalmente com pessoas da terceira idade, mas nada impede que sejam incluídos outros grupos. “Durante uma aula, notei que havia um garotinho de uns cinco anos observando atentamente. Percebi que ele queria participar e perguntei a ele se gostava de futebol. Muito retraído, ele disse que sim, e então o coloquei para ter aulas em uma escola de futsal com a qual mantemos parceria”, conta Guilherme. Esse modelo de atendimento também tem contribuído para avanços na medicina preventiva, como explica a auxiliar de enfermagem Mariana Mendonça Alves Pansa. “Nos grupos, abordamos muito os temas de exames preventivos, como o Papanicolau. Quando estamos em um período específico – como o “Outubro Rosa”, por exemplo, fazemos uma escala de pequenas palestras, às vezes algum evento, um café da manhã ou uma caminhada, para trazer as mulheres à unidade. Percebo que os pacientes estão ficando bem contentes com o atendimento do NASF”.

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Hidroginástica é uma das atividades de prevenção para o público da terceira idade

Em 2015, a Pró-Saúde completará cinco anos gerenciando os seguintes serviços de saúde pública de Catanduva:

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Uma das unidades do NASF em Catanduva

Unidade de Pronto Atendimento (UPA), no bairro de Vila Souto.

SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência)

USF Dra. Gesabel Clemente Marques de La Habla – Rua Nardi Ignotti nº 160, Pedro Nechar

USF Dr. José Ramiro Madeira – Rua Aricanduva nº 457, Conjunto Euclides

USF Dr. Milton Maguollo – Rua Lourenço nº 265, Bom Pastor

USF Dr. Armindo Mastrocola – Rua Mococa nº 355, Santa Rosa

USF Dr. Michel Curi – Av. Palmares nº 1980, Nosso Teto

USF Dr. Sérgio Banhos – Av. Cruzeiro do Sul nº 305, Residencial Pachá

USF Dr. Alcione Nassori – Rua César Guzzi nº 100, Solo Sagrado

USF Dr. Geraldo Mendonça Uchoa – Rua Bragança nº 320, Vila Lunardelli

USF Dr. Napoleão Pellicano – Rua São Bento nº 40, Jd. Alpino

USF Dr. Olavo Barros – Rua Inglaterra nº 760, Monte Líbano

USF Dr. Luiz Carlos Figueiredo Malheiros – Rua Alvorada do Sul nº 77. Vila Engrácia

USF Dr. Sergio da Costa Perez – Rua Bocaina nº 430, Jd. Del Rey

SF Dra. Isabel Etturi – Rua Coroados nº 100, Parque Flamingo

USF Dr. José Rocha – Av. Caxias do Sul nº 850, Ângelo Gaviolli

USF Dr. Athos Procópio de Oliveira – Rua Camanducaia nº 200, Jardim Imperial

USF Dr. José Pio Nogueira de Sá – Rua Guarapari nº 81, Gabriel Hernandes

USF Dr. Carlos Eduardo Bauab – Av. São Domingos nº 2370, Theodoro Rosa Filho

USF Dr. João Miguel Calil – Rua Araraquara nº 1000, Santo Antônio