Crescimento e qualidade, da atenção básica às especialidades

Com 20 mil atendimentos diários e 70 unidades de saúde, o estado do Rio de Janeiro vem investindo recursos financeiros e humanos na melhora da qualidade do setor. Resultados que são notados em toda a rede, das UPAs aos grandes hospitais, onde humanização é a prioridade.
Felipe Peixoto

 

Niteroiense formado em Administração pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e pós-graduado em Direito Público, Felipe Peixoto assumiu a Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro em janeiro deste ano.

Antes de ser integrante da gestão do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), ele comandou a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Regional, Abastecimento e Pesca. Em sua cidade natal, onde foi vereador por três mandatos, integrou a Comissão de Saúde e Desenvolvimento Social.

Nesta entrevista à revista Notícias Hospitalares, o secretário fala sobre os investimentos e obras de saúde no estado e comenta o papel das OSS nessa dinâmica.

Notícias Hospitalares – Para começar, gostaria que o senhor nos desse alguns números da saúde pública no estado do Rio de Janeiro e sua evolução recente. Quantos hospitais estaduais existem, quantas pessoas o governo do estado atende anualmente?

Felipe Peixoto – O Rio de Janeiro foi o estado que, proporcionalmente, criou mais unidades e serviços especializados em saúde nos últimos anos. Nossa rede é composta por mais de 70 unidades de saúde, entre hospitais, que somam 21, UPAs, institutos e Clínicas da Família. Além disso, temos unidades como o Centro de Diagnóstico por Imagem (Rio Imagem) e a Farmácia Estadual de Medicamentos Especiais (Rio Farmes).

Para se ter uma ideia da gama de atendimentos que prestamos, no ano passado a Secretaria de Estado de Saúde realizou 604.931 exames de diagnóstico por imagem em toda a nossa rede. E, este ano, apenas nas nossas unidades móveis de ressonância magnética e tomógrafo, já registramos um total de mais de  258 mil exames.

Antes da criação das UPAs, os hospitais estaduais de emergência realizavam, juntos, 2,5 mil atendimentos por dia.  Hoje, esse número é de 20 mil atendimentos diários. Também acabamos de expandir o número de leitos de UTI, credenciando 250 leitos, além do Reuni [programa de integração de serviços públicos de saúde das esferas federal, estadual e municipal], que foi o pontapé inicial para a integração.

NH – Quais são as maiores demandas da população e os principais objetivos da atual gestão no campo da saúde?

FP – Hoje, o principal desafio é manter uma rede tão complexa de portas abertas, por conta das dificuldades financeiras que enfrentamos – assim como todo o País. Não fechamos e nem interrompemos nenhum tipo de atendimento à população do estado. Muito pelo contrário. Estamos vencendo desafios, colocando as contas em dia e avançando, inaugurando novas unidades e batendo recordes de atendimento nas UPAs 24 horas.

 

Oferecemos também serviços de excelência em diversas áreas, como o Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer, que acaba de ser certificado como centro de referência internacional para pós-graduação em neurocirurgia pela Federação Mundial de Sociedades de Neurocirurgia. Nosso programa de cirurgia bariátrica e o Programa Estadual de Transplantes (PET) são motivos de orgulho e modelos de atendimento especializado.

 

É com isso que a população do estado do Rio pode contar para os próximos anos: melhora na excelência do atendimento, sem esquecer dos primeiros cuidados e das emergências 24h.  Essa é uma meta que eu busco incansavelmente, e é isso que quero para o futuro, oferecer uma saúde de qualidade e humanizada. Um trabalho que, aliás, persigo em minha gestão é aumentar a humanização da saúde.

 

NH –  O senhor pode nos adiantar o que está sendo e será feito nos próximos anos em matéria de construção e reforma de hospitais e, também, em relação aos programas específicos, como os de combate à dengue?

FP –  O País vive uma crise e, no estado do Rio de Janeiro, a situação não é diferente. Apesar disso, estamos crescendo e aumentando o número de atendimentos à população. Já entregamos este ano seis Clínicas da Família à população de São Fidélis, Conceição de Macabu, Cardoso Moreira, Seropédica, Itaguaí e São Francisco de Itabapoana.

A Região Serrana ganhará em breve uma unidade de referência no tratamento de câncer. O Hospital Estadual de Oncologia da Região Serrana terá capacidade para cerca de 200 leitos, 30 destinados às crianças. Serão investidos em obras e em equipamentos cerca de R$ 95,4 milhões. Esse hospital poderá atender até 500 mil pessoas, e é uma parceria entre o governo estadual e federal.

 

Também estão em obras o Rio Imagem II, em Niterói, e o Hospital Estadual da Mãe, em São Gonçalo, e estamos investindo em melhorias no Hospital Azevedo Lima.

 

Já o combate à dengue é uma atribuição dos municípios. Mas nós sempre participamos ao lado das prefeituras, em campanhas e no tratamento à população, numa ação engajada entre as três esferas de governo.  Acabamos de criar a campanha  “Time Jovem Dengue“, em que alunos da nossa rede de ensino, em parceria com a Secretaria Estadual de Educação, passam por formação para combater o mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika.

NH – Como é trabalhada a questão regional em matéria de saúde? Existem diversas regiões no estado; o que elas têm de particular e como o governo trabalha esse aspecto?

FP – A regionalização é importantíssima. A rede de exames móveis é um exemplo. Temos prestado auxílio a municípios que não podem oferecer à sua população exames com rapidez e equipamentos de qualidade. Os serviços móveis de imagem ajudam os municípios a economizar mais de R$ 42 milhões por ano.

Os Consórcios Intermunicipais de Saúde funcionam plenamente no nosso governo. Eu e o governador Luiz Fernando Pezão temos essa diretriz como uma de nossas prioridades e participamos de todas as reuniões nas regionais, que contemplam os 92 municípios. É essencial olharmos para as políticas públicas apresentadas pelas prefeituras. Principalmente em momentos de crise, quando aplicamos recursos no que é realmente necessário e importante de fato para a população.

NH – O Rio de Janeiro é um estado com expressiva atuação de Organizações Sociais de Saúde (OSS). Do ponto de vista da administração pública quais são os benefícios de adotar esse sistema, e que o senhor aponta como suas principais vantagens para a população fluminense?

FP –A opção pelas Organizações Sociais teve por objetivo melhorar a gestão e oferecer cada vez mais atendimento de qualidade à população. As OSS são uma resposta do estado do Rio de Janeiro ao problema da falta de profissionais de saúde, sobretudo médicos, um desafio que se repete em todo o Brasil.

Na prática, não há mudança no perfil do serviço, pois as unidades de saúde se mantêm públicas, ou seja: não há privatização do atendimento, como muita gente pensa. Além disso, fiscalizamos todo o serviço. Estudos comparativos entre a gestão direta da administração pública e a gestão por OSS apontam maior eficiência nos hospitais das OSS, com menores gastos médios por internações e outros procedimentos.

E é isso que um estado moderno precisa, principalmente quando esse modelo é integrante do Sistema Único de Saúde (SUS) e quando garantimos a eficiência  das políticas públicas de saúde e estabelecemos metas qualitativas e quantitativas a serem cumpridas.