Quem sai ganhando na parceria público-privada?

Apesar da ideia inicial ter partido de algumas experiências de integração realizadas no estado americano da Califórnia, o Reino Unido e a Holanda são os pioneiros quando se trata da colaboração entre setor privado e governo na gestão de hospitais públicos. Naqueles primeiros experimentos, o objetivo era separar o financiamento da prestação do serviço e introduzir a autonomia na gestão hospitalar. A concorrência entre os fornecedores provou ser um bom aliado na busca pela qualidade no atendimento.

 

 

“Um dos diferenciais mais relevantes na contratação de uma organização social de saúde está no aperfeiçoamento do fluxo de trabalho, com metas transparentes e bem delineadas que auxiliam a equipe a ter uma visão mais ampla dos processos, colaborando na identificação e correção de possíveis falhas e também na expansão de projetos que tenham apresentado bons resultados.”

No entanto, quem mais se beneficia dessa parceria, sem dúvida, é o paciente. Através da gestão compartilhada, há uma redução importante da burocratização a curto prazo. Em uma perspectiva de longo prazo, a melhora na qualidade do atendimento e no investimento em infraestrutura diminuem a necessidade da população procurar serviços de saúde fora do sistema público.

 

Muitos países poderiam se beneficiar da descentralização da gestão na saúde, sobretudo aqueles que, assim como o Brasil, possuem características heterogêneas. Em nações desse porte, é relevante que o gerenciamento hospitalar seja feito de maneira próxima ao paciente e isso requer uma maior autonomia para os hospitais.

 

Podemos perceber que a tendência na área da saúde é que se introduza mais incentivos para gerenciar os hospitais públicos como se fossem particulares, sempre com competência e transparência. A experiência dos EUA nos ensina que, quando o financiamento é privado, os projetos de lei em saúde tendem a aumentar e todos saem ganhando: governo, organizações e, a quem mais interessa, a sociedade.

 

  Joan_Costa_Font_H0407

                       Dr. Joan Costa-i-Font

 Professor associado do Departamento de Política Social do Instituto Europeu da London School of Economics

(The LSE European Institute)