Saúde para todos

Uma das principais estratégias do Governo do Estado do Pará, a regionalização das ações, iniciativas, campanhas e equipamentos hospitalares já vem surtindo efeitos positivos nos índices de qualidade da saúde.

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Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Pará, com pós-graduação pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, Heloísa Guimarães integra a equipe do governador Simão Jatene (PSDB), em seu segundo mandato como governador do estado do Pará. Membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia e Hemodinâmica, a secretária-adjunta da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) desenvolve atividades profissionais em Belém desde 1995 e ocupava o cargo de secretária-adjunta da Sespa desde 2012. Nesta entrevista, ela fala sobre os principais avanços da saúde pública no Pará, explica as estratégias de regionalização dos equipamentos hospitalares, demonstrando as vantagens dessa ação adotada pela administração estadual, e comenta sobre as Organizações Sociais de Saúde (OSS).

Notícias Hospitalares – Esta é a primeira vez que a Srª atua na equipe do Dr. Simão Jatene ou já teve a oportunidade de trabalhar no governo? O que difere a atual gestão da saúde das anteriores?

Heloísa Guimarães – Esta não é a primeira vez que trabalho como gestora. Também assumi, como secretária-adjunta, em maio de 2012, já com algum tempo da gestão do Dr. Hélio Franco. Sou funcionária pública atuando na área da saúde desde 1998 e trabalhava em uma gestão intra-hospitalar que era um departamento mais restrito e não essa dimensão toda que temos hoje do nosso Estado. O que difere é que cada gestor tem seu ritmo, suas prioridades. Neste momento, nosso principal foco é construir linhas de regionalização, ou seja, fazer com que o paciente consiga ter acesso à saúde bem próximo de sua moradia, sendo atendido com mais conforto, de maneira digna. O governador quer se envolver diretamente com a saúde nesses quatro anos. Estamos finalizando um plano referente ao pacto pela saúde, a exemplo do que já foi feito com a educação. O projeto está adiantado e este pacto deve trazer modernização à gestão.

NH – Em recente entrevista, questionado sobre a saúde pública, o governador Simão Jatene mencionou como importante avanço as Caravanas Pro Paz. Qual sua opinião sobre isso, no que se refere às ações da saúde abrigadas na caravana, e quais são as ações para incrementar a participação da saúde nesse programa de promoção e apoio social?

HG – As Caravanas Pro Paz, durante os últimos anos, foram muito importantes, em particular por atenderem municípios que estão abaixo da linha da pobreza, nas regiões do Marajó e Baixo Amazonas, principal foco da Caravana Fluvial. Além de reforçar atendimentos em atenção primária, destaco as atenções de média complexidade, em que podemos realizar ultrassom, levar ortopedista, cardiologista, neurologista, dermatologista, endocrinologista, reumatologista e demais especialidades médicas em que há dificuldade de acesso às consultas. Outro viés a destacar é a grande quantidade de exames preventivos de câncer em mulheres realizada. Ao detectar precocemente e fazer o tratamento, conseguimos diminuir bastante os índices de avanço da doença, salvando vidas. Na Caravana Oftalmológica foram ofertadas cerca de 18 mil cirurgias de catarata, com um índice de sucesso impressionante, tanto que essa é a solicitação com maior demanda e pedidos de retorno ao local.

NH – O Governo do Pará apostou na descentralização da saúde pública, com a construção de vários hospitais regionais, representando importante avanço para comunidades do interior do Estado. Qual sua avaliação sobre essa ação?

HG – É uma estratégia muito correta, que o governo do estado vem desenvolvendo ao longo dos últimos quatro anos. Vamos continuar nessa linha, uma vez que os hospitais regionais estão no topo da pirâmide. A saúde precisa ser pensada como uma hierarquia, da atenção primária até a alta complexidade. Mas esse tipo de equipamento deve estar integrado à região e não ser uma ilha de excelência. Esse é o nosso grande desafio, fazer com que, cada vez mais, a regulação seja eficaz e possa aproximar a qualidade desses hospitais das regiões de saúde onde eles estão inseridos.

NH – A redução da malária no Pará é um fato importante para a saúde pública e controle de endemias; a prevalência da doença caiu de quase 200 mil casos em 2010 e 2011, para 8 mil em 2014. Os hospitais regionais desempenham um papel primordial também no combate de doenças tropicais?

HG – As doenças tropicais são essencialmente combatidas na atenção primária. A vigilância epidemiológica e vigilância sanitária, o manejo clínico, a distribuição de mosquiteiros, enfim, todo esse conjunto de ações fez mudar números drásticos em relação aos casos de malária, favorecendo a população. Mas é lógico que precisamos estar cientes da importância de ter uma retaguarda, contar com uma UTI qualificada dentro do hospital regional para os casos mais graves, esse é um suporte importante.

NH – Das propostas apresentadas pelo governador em sua campanha de reeleição, quais os projetos da área da Saúde que são prioridade e que farão diferença até o final do mandato?

HG – Nós temos três grandes desafios hoje e, como meta, um deles é a regionalização da saúde. Precisamos fazer com que as treze regiões de saúde sejam independentes na alta e na média complexidade e que façam relações na alta complexidade; e que possamos cobrir a região de saúde e dar essa oferta. E aí vem o segundo ponto que é ofertar mais, melhorar o acesso do cidadão, de modo que ele possa se ver realmente como elemento da saúde. Um terceiro ponto, para complementar, é fazer uma fila única para melhorar esse acesso, baseado no critério de classificação de risco. Para isso, estamos trabalhando fortemente na regulação, para que o paciente mais grave, mais complexo, possa ter acesso prioritário.

NH – Em que estágio estão as obras dos novos hospitais de alta e média complexidade, que estão sendo construídos em Belém, Itaituba, Castanhal, Capanema e Icoaraci?

HG – Em Belém, é o Hospital Abelardo Santos, localizado no Distrito de Icoaraci, que está em um ritmo normal da obra, com previsão de entrega até dezembro desse ano. Em Itaituba, estamos com 60% da obra já construída e a previsão de entrega é para março de 2016. Em Castanhal, concluímos agora toda a parte de fundação e, agora, a população começará a ver o hospital ser erguido. Em Capanema foi licitado, mas ainda não temos a previsão do início da obra.

NH – Há previsão de ampliação dos hospitais regionais atualmente em operação, considerando o crescimento demográfico?

HG – Sim, recentemente ampliamos o hospital do Baixo Amazonas em Santarém, dobramos o número de leitos de UTI adulto e vem sendo expandido também o serviço de hemodiálise. Em Marabá estão em andamento grandes obras, com implantação do centro de hemodiálise e de hemodinâmica, bem como aumento no número e leitos. Vamos ampliar outros hospitais, mas esses são os dois grandes, cujos projetos estão em andamento.

NH – O governador é um grande incentivador do modelo de gestão de saúde por OSS (Organização Social de Saúde) no Estado. Gostaria que a Srª destacasse as vantagens e as facilidades deste modelo para o estado e para a saúde em geral.

HG – A desburocratização é algo que nos salta aos olhos quando temos uma gerência de serviços sob OSS. Você consegue ser mais rápido, mais resolutivo, nas aquisições de equipamentos. O corpo clínico todo envolvido, desde o atendente de enfermagem até o médico mais especializado, tem uma resposta mais adequada, um tratamento mais efetivo, que segue melhor a linha de protocolo. É um hospital mais fechado, que consegue atingir metas, indicadores pré-estabelecidos, com mais facilidade que os hospitais com outro modelo, pela série de envolvimento.