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Saúde
popular
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| Hospital
Cidade: profissionalização da gestão e faturamento
20% maior em 2003 |
O conhecido
publicitário Nizan Guanaes, de 44 anos, investe seu tempo e dinheiro
não apenas na Agência África, aberta por ele no ano
passado. Em sociedade com o irmão, o médico pneumologista
André, e outros sócios com cotas menores, está obtendo
bons resultados com o investimento no Hospital Cidade, inaugurado em 2000,
e cuja proposta é atender pacientes das classes B, C e D.
Atualmente, o hospital atende a três mil pacientes por mês.
O faturamento médio em 2002 cresceu para R$ 1,8 milhão,
um incremento de mais de 30% em relação ao ano anterior.
O Hospital Cidade registra um faturamento de R$ 24,5 mil por leito/mês
e R$ 6 mil/mês por colaborador (são 300 funcionários
e 367 médicos ca-dastrados, dos quais 18 são doutores, 21
mestres, 12 doutorandos e 25 professores universitários). A taxa
de ocupação da Unidade de Cuidados Inten-sivos (UCI) alcança
95%, enquanto a ocupação média do hospital é
de 80%. A previsão de aumento de faturamento para 2003 é
de 20%.
O hospital está localizado no bairro Caixa d´Água,
região de baixa renda de Salvador com cerca de 900 mil moradores
das classes média e média baixa. Uma pesquisa, antes da
inauguração, mostrou que cerca de 50% dos moradores em torno
do hospital possuíam planos de saúde por meio das empresas
em que trabalhavam. O Hospital Cidade não faz atendimentos pelo
Sistema Único de Saúde, apenas particulares, com preços
baseados numa tabela média de convênios, ou por meio dos
planos de saúde, principalmente de funcionários de empresas
como Petrobras, Planserv (que engloba os funcionários públicos
da Bahia e alcança cerca de 500 mil vidas), Geap (de funcionários
públicos federais), além dos grandes convênios como
Bradesco, Sul América e Unimed.
Diante da carência de leitos de unidade intensiva na capital, o
hospital adotou a medicina crítica como foco de atendimento. Depois
de operar com prejuízo no primeiro ano, o Cidade deu uma guinada
ao contratar o administrador Augusto Soares para ser o diretor-executivo
do hospital. Os primeiros 120 dias de sua administração
foram dedicados à gestão de custos e caixa, revisando todos
os contratos bancários, de fornecedores e prestadores de serviços.
Com esse trabalho, o hospital promoveu ganho de R$ 120 mil mensais, além
de economia de 30% no custo das linhas bancárias de curto prazo.
Na área co-mercial, Soares negociou com os principais convênios
de Salvador, conseguindo recuperar e reduzir o índice de glosas.
O direcionamento do foco do hospital para a medicina crítica foi
ratificado. Dos 73 leitos do hospital, 33 foram destinados à UCI
e emergência.
Junto com o investimento no hospital foi criado o Centro de Estudos e
Pesquisa Sócrates Guanaes, nome dado em homenagem ao médico
falecido em 1979, pai de Nizan e André Gua-naes. O centro é
responsável por promover cursos, campanhas educativas e, desde
2001, um programa de especia-lização em medicina intensiva,
com residência para médicos e enfermeiros, em parceria com
a Universidade Federal da Bahia (UFBa).
“O Cidade faz parte de um seleto grupo de hospitais que aposta na
humanização da medicina para alcançar melhores resultados
na recuperação de seus pacientes”, destaca o diretor
clínico André Guanaes. O hospital dá atenção
especial a aspectos ergonômicos, às condições
de luz, temperatura e adota conceitos de cromoterapia para bem-estar do
paciente.
[Índice]
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| Hospital
Balbino: oito pessoas da família na administração
e dois executivos de fora |
Hospitais fundados
e administrados por famílias são peculiares. Na maioria
dos casos começam pelo ideal de uma pessoa que empreende e constrói
o projeto. Muitos alcançam sucesso. Os problemas costumam surgir
no momento de passar adiante o bastão administrativo. Muitas vezes,
os herdeiros não têm a vocação para administrar
o hospital e o caminho é a venda da instituição.
Entretanto, há estratégias para superar essa fase e tornar
a transição estável.
Para o consultor Peter Harazin, do Instituto Brasileiro de Governança
Corporativa (IBGC), nascer por idealismo é realmente uma peculiaridade
de hospitais desse tipo. “Quase não se observa, dentro de
empresas familiares, as que nasceram simplesmente para ganhar dinheiro”,
explica o consultor. Para ele, que participa do conselho de três
empresas familiares, essa característica de idealismo torna o momento
da transição mais difícil, pois, normalmente, o fundador
gostaria de manter os valores familiares surgidos com o hospital.
O mais natural, por isso, é passar a instituição
para filhos ou netos. Esse ato, na visão do fundador, seria uma
forma de trazer “sangue novo” à administração
do hospital sem perder os valores familiares que a compõem. Porém,
quase sempre é uma opção considerada arriscada por
Harazin. “Os sucessores nunca serão clones melhorados de
seu antecessor. Apenas por grande coincidência terão a mesma
competência e os mesmos valores e, na maioria das vezes, nem têm
o desejo de dar continuidade ao trabalho do antecessor. Seus objetivos
pessoais podem estar em direções diversas”.
Transferência de poder, em geral, gera situações de
conflito familiar dentro de instituições. A psicóloga
e especialista em mediação familiar, Graziela Zlotnik Chehaibar,
afirma que a predisposição para conflitos aumenta em situações
de crise e, dependendo de como o processo é conduzido, eles podem
levar à dissolução da instituição ou,
pior, prolongar uma situação de desgaste com grande sofrimento
para os sócios. De acordo com Graziela, “é nessas
condições que a mediação pode ajudar a restabelecer
um diálogo produtivo, com intervenção de um profissional
com formação específica, um especialista em técnicas
de comunicação e negociação. É um terceiro
imparcial, que busca com as partes, alternativas que atendam a todos”.
A especialista ressalta que a mediação é um processo
confidencial e voluntário no qual a autoria das decisões
negociadas cabe aos sócios envolvidos.
O Hospital Balbino, no Rio de Janeiro, é um dos muitos hospitais
brasileiros administrados por grupo familiar. Fundado em 1964, então
como consultório médico, os Balbinos já chegaram
à segunda geração na administração.
No início, explica o diretor do hospital, Eduardo Balbino (filho
de Elysio Balbino e sobrinho de Benedicto Balbino, os fundadores) as dificuldades
eram pequenas, pois havia apenas a intenção dos criadores
em fazer a instituição crescer. Porém, desde os anos
90, surgiram alguns problemas de transição. “As principais
dificuldades não foram com a nossa família, que sempre se
lançou na empreitada de fazer o HB crescer. Os maiores problemas
ficaram por conta da adaptação de alguns funcionários
antigos aos novos métodos de trabalho da segunda geração”,
explica o admi-nistrador.
Ao fazer paralelo entre empresas familiares e não-familiares, Eduardo
diz que hospitais como o HB podem ser mais aconchegantes aos pacientes
pelo calor humano que esse tipo de administração passaria.
Mas acredita que, junto com o atendimento, deve haver uma administração
voltada ao lado profissional. “O carinho de um hospital familiar
é importante, mas, para ser ideal, a administração
tem que ter eficiência financeira e controle de custos, entre outros
itens”, afirma. Atualmente, oito pessoas da família trabalham
na área administrativa. A instituição está
implantando uma diretoria executiva com dois profissionais contratados:
um da área administrativo-financeira e outro da médica.
Os membros da família se voltarão mais para o planejamento
e as estratégias de mercado.
Para Harazin, o método mais eficaz para sucessão é
a contratação de um dirigente profissional. Porém,
para ser eficaz, é fundamental dar carta-branca durante sua gestão,
até mesmo para poder cobrar plenamente os resultados. Outro ponto
importante, segundo o consultor, é que a família aceite
substituições de valores até então instituídos
pela empresa. Por exemplo, o fato de ser membro da família não
daria o direito automático de se ocupar qualquer cargo na instituição.
“Para ser bem-sucedida, a nova direção deve pautar
suas decisões por princípios de eficiência, sem considerar
quaisquer outros aspectos”.
Segundo René Werner, consultor da Werner e Associados e professor
do curso de Empresas Familiares e Empreendedorismo do MBA da Universidade
de São Paulo, cerca de 80% das empresas privadas de todo o mundo
são familiares. “Diante disso, é inevitável
para a empresa familiar explorar todos os mecanismos disponíveis
para enfrentar a concorrência, e principalmente acabar com aquela
imagem conservadora e restritiva”, explica o consultor. Por isso,
ao buscar uma gestão profissional instituições familiares
podem ser exemplos de transição, bom desempenho e lucratividade.
[Índice]
O
setor hospitalar no Brasil passa por uma das maiores crises financeiras
da sua história. Faltam recursos, investimentos e muitos hospitais
estão na temível fronteira da falência. Nesse momento
(e em todos os outros), é bom lembrar alguns conselhos de nossos
pais, como o “apague a luz antes de sair” ou o “não
deixe a torneira aberta”. Evitar o desperdício deve ser a
lei número um dentro dos hospitais.
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A
percepção do desperdício
Estudo
do Hospital das Clínicas da Unicamp mostrou qual a percepção
dos funcionários em relação ao desperdíco
dentro de um hospital. Essa percepção foi depois confrontada
com os dados reais de custos para que fossem tomadas as medidas
de economia. |
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As
tarifas públicas, como luz, água e telefone são um
dos ralos dessa cultura de rasgar dinheiro. Segundo o Banco Central, durante
os oito anos do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995
- 2002), as tarifas subiram 203,4%, enquanto o Índice de Preços
ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 90,78%. Neste ano, o BC estima
que as tarifas públicas subam até 16,8%, em média,
e a inflação, entre 8,5% e 9,5%.
Outro item no qual se pode reduzir custos é o tratamento do lixo
hospitalar. O Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conavan) determinou
que todos os meios médicos devem se adequar, até março
do ano que vem, às novas regras de tratamento de lixo que exige
a contratação de empresas especializadas. Para uma tonelada
de lixo considerado infectado, as empresas cobram, hoje, cerca de R$ 900.
No caso do lixo comum, o preço é por volta de R$ 50. Para
o especialista em área ambiental, Álvaro Lisboa, é
muito importante saber segregar o lixo considerado infectante. “É
fundamental treinar pessoas para que saibam separar o que pode parecer
lixo infectado, mas na verdade é comum. A economia é muito
grande”. Lisboa ressalta que esparadrapos, gessos e bolsas de sangue
de até 50 mg, que por muito tempo foram tratados como lixo infectado
já são considerados, na maioria, lixos comuns. O advogado
explica que é possível realizar o serviço por conta
própria sem necessidade de contratar uma empresa especializada.
Porém, é fundamental que se treine os funcionários
do hospital para o serviço.
- Crie programas
de economia para conscientizar o quadro de pessoal sobre os focos
de desperdício (desligar luzes, usar impressos inutilizados
como rascunhos etc)
- Implante
processos de educação continuada e de racionalização
como 5 S
- Estabeleça
estudos de custos que controle mês a mês os gastos
dentro do hospital, com divulgação dos preços
- Identifique
as áreas de desperdício, por meio de redesenho e
fluxograma
de cada uma
- Faça
manutenção preventiva nos equipamentos
- Procure fazer
compras de materiais e medicamentos em lotes econômicos
- Reduza os
índices de infecção hospitalar
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A
cultura do desperdício nos hospitais foi motivo de estudo do Serviço
de Estatística do Hospital das Clínicas da Unicamp. A tese
“Estudo de um dos Indicadores do Custo da Qualidade – O Desperdício”,
da professora Guiomar Terezinha Carvalho Aranha, partiu de uma pesquisa
entre 2.000 funcionários do HC para conhecer a percepção
que eles tinham sobre o que poderia ser desperdício em suas áreas.
Segundo a pesquisa, o desperdício de materiais hospitalares ficou
no topo da lista (veja quadro na pág. 40). Os resultados foram
enviados aos respectivos gerentes das áreas com a orientação
de que, caso a percepção fosse real, deviam ser tomadas
medidas de economia. Segundo Guiomar, vários estudos indicam que
o desperdício hospitalar aumenta os custos em até 30%. “Desperdício
se resolve com educação continuada, treinamento constante
no uso de novas técnicas ou de novos métodos de trabalho,
e pela conscientização do uso adequado dos bens que estão
à disposição dos funcionários”, explica.
No caso das tarifas de Correios, um projeto de lei, em tramitação
na Câmara dos Deputados, pode ajudar os hospitais filantrópicos
com postagem gratuita de cartas e impressos. Essa é a determinação
do projeto de lei 567/03, do deputado Rogério Silva, que tramita
na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação
e Informá-tica. Segundo o projeto, para ter direito ao benefício,
as entidades devem possuir o registro previsto na lei 8742/93, que dispõe
sobre a Organização da Assistência Social. Em meados
de maio, o projeto aguardava a designação de um relator
na Comissão de Ciência e Tecnologia. Depois, ainda seria
analisado pelas comissões de Finanças e Tributação,
de Constituição e Justiça, e de Redação.
Enfim, o que se tem certeza mesmo é que os hospitais precisam proibir
o desperdício. |