JUNHO/JULHO
DE 2003
NÚMERO 41
ANO 4
>>

PRINCIPAL

SALA DE ESPERA
EDITORIAL
ENTREVISTA
EM DIA
CAPA
SAÚDE GERAL
PRÓ-NOTÍCIAS
OPORTUNIDADES
ARTIGOS
.PS DA COMUNICAÇÃO
.QUALIDADE
.INTERFACE
.GESTÃO PÚBLICA
.MARKETING
.MOTIVAÇÃO
.ACREDITAÇÃO
.ADMINISTRAÇÃO
.RH SAÚDE
.SERVIÇOS ASSISTENCIAIS
.HOSPITAIS PRIVADOS
.MBA
.JURÍDICO
CRÔNICAS MÉDICAS
EM ÚLTIMA ANÁLISE
EXPEDIENTE
EDIÇÕES ANTERIORES
FALE CONOSCO
CRÉDITO
 
Clique para ampliar
GESTÃO PÚBLICA
 
José Carlos Rizoli

Administrador de empresas e presidente do Conselho da Pró-Saúde.

UTI na emergência

Recentemente, um assunto dominou toda a mídia nacio-nal, com a morte de vários pacientes em hospital público de Fortaleza, no Ceará, por alegada falta de leitos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Gritas de toda parte, ameaças do Ministro da Saúde, explicações das entidades representativas, enfim, um assunto que consumiu muita tinta de jornal, muitas horas de televisão, muito tempo de autoridades e de representantes do setor.

Porém, o essencial não foi perguntado, e muito menos respondido: por que se chegou a essa situação?
Se formos responder a tal pergunta invariavelmente iremos concluir que os fatos noticiados não são novidade e têm origem muito distante de uma sala de UTI. Em primeiro lugar, deve-se destacar que o Brasil não atinge o percentual de 10% recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para leitos de UTI. Mas, esse não é um ponto fundamental para solução da crise em pauta, pois, mesmo que ultrapassasse esse percentual, o país poderia continuar a ter problemas de falta de leitos para o tratamento intensivo. E por que isso? Com exceção dos casos de pacientes que adentram uma UTI em razão de acidentes, o restante é de pessoas que têm o agravamento de sua saúde ao longo da própria vida e, se nos aprofundarmos nessa análise, veremos pacientes que chegaram aos hospitais extremamente debilitados por não terem tido oportunidade de passar por uma etapa preventiva, ou, se a tiveram, não puderam mantê-la por falta de condições em adquirir os medicamentos recomendados.

Outro ponto a ser destacado é a extrema deficiência de leitos semi-intensivos. Se esses existissem na quantidade necessária, evitariam a sobrecarga da UTI (que nem sempre é a solu-ção mais indicada) e conseguiríamos equilibrar as internações dentro dos critérios de gravidade na escala correta. Com isso, nos deparamos com situa-ções em que temos na unidade de tratamento intensiva pacientes ocupando espaço que deveria estar reservado a alguém que efetivamente necessitasse dele. Pessoas que ali se encontram pelo fato de o hospital não possuir outra forma de acomodá-las.

É válido lembrar que a UTI não é um local milagroso e que dependendo de todas as circunstâncias que motivaram a internação nesse setor, ainda assim, o paciente sucumbe independente dos cuidados, equipamentos, me-dicação etc., que possam ser oferecidos.

Assim, concluímos que UTI é um setor essencial e necessário na rede hospitalar. Mas, uma política bem desenvolvida com medicina preventiva, medicamentos acessíveis à população, desenvolvimento de leitos semi-intensivos, tudo isso revestido de ações que remunerem os hospitais pela sua produção, em valores reais, quer pelo Sistema Único de Saúde (SUS), quer pelos planos de saúde, fariam seguramente com que se evitasse o aumento de leitos para tratamento intensivo. Muitos pacientes que hoje ali são instalados não o seriam pela simples razão de não necessitarem dos cuidados de uma UTI.

Se conseguirmos avançar em direção às diretrizes preconizadas, teremos no futuro uma UTI como devem ser: locais em que se receberão pacientes para podermos nos dedicar a sua cura sem pressa, utilizando-se de tecnologia cada vez mais especializada. Acima de tudo, com humanidade.

[topo]