Administrador
de empresas e presidente do Conselho da Pró-Saúde.
De
volta à miopia
Um dos textos
mais consagrados na área de Marketing foi escrito por Theodore
Levitt (1991) com o título de “Miopia em Marketing”,
no qual o autor, por meio do uso dessa metáfora, apresenta o quanto
empresas têm uma visão distorcida do mercado onde atuam.
Apesar do tempo da publicação, o texto ainda é atual,
pois muitas organizações continuam a apresentar esse sintoma.
Mesmo com todos os avanços tecnológicos disponíveis
e acessíveis à maioria das instituições, e
de maior conscientização por parte dos dirigentes sobre
a importância de entender e atender o cliente, ainda se percebem
que velhos hábitos, como o de “em-purrar produtos”
e a preocupação de apenas efetivar uma venda, ainda estão
muito presentes no cotidiano da empresas.
Nos últimos anos venho me dedicando a conscientizar e a estimular
as organizações para as novas práticas de marketing,
nas quais a busca do relacionamento e uma interação com
o mercado se tornam um fator de sobrevivência, em face de um cenário
cada vez mais competitivo e globalizado.
Todavia, mesmo apresentando a estratégia de negócios com
o foco no cliente em minhas atividades de consultoria ou em aulas e palestras
percebo que, apesar dos profissionais ficarem entusiasmados com o conceito
e se dizerem dispostos a iniciar uma mudança de paradigma, na prática
as coisas não acontecem.
Um exemplo: um grande avanço no relacionamento com o mercado deve-se
ao crescimento dos serviços de atendimento (hoje denominados de
call centers), que permitiu que as empresas criassem uma comunicação
de “mão-dupla” e em tempo real com o público-alvo.
O contato com o cliente, do ponto de vista de marke-ting, é um
momento nobre, pois co-nhecendo melhor suas necessidades e opiniões
pode-se desenvolver estratégias mais adequadas, conquistando maior
fidelização. Os serviços de atendimentos gratuitos
(0800) criaram o hábito nos consumidores em opinar, informar, reclamar,
sugerir etc.
A quantidade de informações espontâneas que surge
através desse canal de comunicação é de fazer
inveja a qualquer instituto de pesquisa. Mas esse “atendimento gratuito”
parece ter incomodado algumas empresas que em sua ganância em obter
resultados sem esforços identificaram uma nova forma de gerar receita.
Surgiu o serviço de atendimento pago (0300) que transfere parte
dos custos da ligação para o consumidor. Do ponto de vista
de marketing, principalmente de relacionamento, entendo que essa prática
inibe o contato e, conseqüentemente, limita as informações.
Grande, enorme, monstruoso erro. O lucro ou receita deve vir no ato de
atender o cliente por meio do fornecimento de produtos e serviços
adequados às necessidades e não do ato de atender o cliente,
obrigação e ônus da empresa.
Esse é apenas um dos exemplos da miopia da era tecnológica
e que, en-quanto não mudar a cultura organizacional, continuará
presente. Enquanto isso, continuarei cumprindo meu pa-pel de alertar os
profissionais que são responsáveis por essas barbaridades
mercadológicas.
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