JUNHO/JULHO
DE 2003
NÚMERO 41
ANO 4
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PS da Comunicação
 
Richard Mascaro

Consultor, professor de Língua portuguesa e advogado em São Paulo

 

Jargão médico. Será?

Amigos, a Língua não há de ser jamais um organismo morto. Apesar de os puristas e os "chatos", que alardeiam a sua propriedade, pensarem de forma dife-rente. Ela é suscetível de constantes al-terações. A estrutura, a ortografia, são freqüentemente bombardeadas pelos apelos do momento. Inovações nem sempre de nobre causa. A escolha de um vocabulário como forma correta, por exemplo, não raro se justifica por regras que pouco ou nada tem que ver com princípios estritamente gramaticais. Entretanto, devemos reconhecer, o falar diário é o dínamo propulsor das engrenagens que movimentam as transformações sofridas por uma língua. E, caros colegas, nessa história na-da há de mais estimulante que uma boa e salutar polêmica. Então vamos a ela.

Diabetes ou diabete?

Comecemos com o termo diabetes, ou será que é diabete? E qual o gênero de tal substantivo? A palavra é grega de origem. Vem de diabainó, abrir as pernas para urinar. O Aurélio registra as duas formas, afirmando-as como corretas. Inclusive atribuindo os dois gêneros ao vocábulo (o/a). O "Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa" (VOLP) segue a mesma linha. Todavia, o "Manual de Redação e Estilo" do jornal "O Estado de S. Paulo" afirma ser preferível a forma diabete e na forma feminina. Já a obra "De Onde Vêm as Palavras" de Deonísio da Silva refere-se apenas a diabete, porém, sem estabelecer-lhe o gênero. Por fim, Napoleão Mendes de Almeida, um de nossos melhores gramáticos, é categórico. O correto é diabete e pertence ao gênero masculino. Justifica o renomado professor dizendo que diabetes seria o correto caso o latim tivesse mantido a terminação es no final do termo, como o fez em alguns vocábulos: Sócrates, Orfheus, píramis, por exemplo. Contudo, não é característico da Flor do Lácio assim agir. Tão pouco é da índole do português finalizarem as palavras em s no singular. Cacoete, fra-se, análise, haltere, estão entre as inúme-ras evidências a comprovarem o fato.

Parecenos bem razoável a explicação. Quanto ao gênero, também concordamos com o professor. O termo pertence ao gênero masculino no grego e no latim. E igualmente o será no português. Por que mudar?

O cólera ou a cólera?

O mesmo ocorre com a palavra cólera. Muito se discutiu a respeito de seu gênero há alguns anos, quando da ocorrência de um