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| Quando o hospital ensina
Há cerca de cem hospitais brasileiros que mantém espaços para a chamada Classe Hospitalar, criado pelo Ministério da Educação e Cultura e que determina ao poder público oferecer formas alternativas de escolarização às crianças hospitalizadas. Com esse projeto os hospitais servem a dois importantes propósitos: fazer com que esses pacientes internados continuem seu processo educacional e humanizar o ambiente do hospital. Algumas vezes, mesmo que isoladamente, esses esforços acabam sendo reconhecidos, até internacionalmente. A Classe Hospitalar do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP), por exemplo, foi classificado como Iniciativa de Boa Prática pela Organização das Nações Unidas (ONU). Mas há muitos casos a destacar e que podem servir de modelos para outras instituições. Com alguns anos de implementação, já é possível aos profissionais, inclusive, fazer uma avaliação mais acurada dos resultados. No Hospital Infantil Cândido Fontoura, uma instituição pública da Zona Leste da cidade de São Paulo, a Classe Hospitalar existe desde agosto de 2003. “Apesar de a legislação preconizar o atendimento às crianças e aos adolescentes regularmente matriculados das 1ª a 8ª séries, a demanda mostrou que havia também a necessidade de contemplar crianças em fase pré-escolar”, explica a pedagoga Ângela Maria Sanchez, 51 anos, três filhos. Com a vivência, Ângela viu também que atuar dentro do hospital a obrigou a ir além das “simples” tarefas de professora. “Muitas vezes sou psicóloga, amiga, mãe, enfermeira, atriz, contadora de histórias e, como afirmam no hospital, um santo remédio para tirar as crianças e adolescentes do leito”. Como escreveu a jornalista Tatiana Achcar, da revista Nova Educação, “é uma realidade difícil, com muitos altos e baixos. Há crianças cujo período de internação, ainda que longo, um dia termina com a alta. Em outros casos, porém, o final não é feliz”. A professora Ângela busca motivação justamente nesses casos de histórias difíceis. “Houve o exemplo de um menino de sete anos, HIV positivo, internado na Unidade de Terapia Intensiva, e que apresentava um quadro terminal, com agravante de depressão. A única atividade prazerosa para ele era a minha visita, solicitada por ele, e reconhecida como fundamental importância naquele momento pelos médicos”, conta a pedagoga. Uma outra criança está internada no HICF desde os seis meses e está agora em idade escolar. O menino sofre de uma doença que necessita de ventilação pulmonar mecânica com traqueostomia e alimentação parental constantes. Graças à Classe Hospitalar ele está sendo alfabetizado. Antes de implantar o programa no HICF, Ângela visitou modelos em outros hospitais e hoje comprova que os resultados são compensadores. “As crianças querem espontaneamente ir à escola. O vínculo entre educadora e aluno acaba sendo extremamente positivo e motivante”. Como
se vê, a classe hospitalar contribui com o tratamento, muitas
vezes reduzindo o tempo de internação e auxiliando as
crianças e adolescentes num momento importante, como diz a cartilha
do Ministério da Educação. Quando eles estão
descobrindo o significado de seus valores, desejos e necessidades educacionais
e de cidadania. |
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