Para
unir marketing e saúde
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Já
existe uma tentativa de aglu-tinar os profissionais de marke-ting que
atuam na área de saúde. Criada há cerca de quatro
anos, e ainda pouco conhecida, a Associação Brasileira
de Marketing em Saúde (ABMS), atualmente com cerca de 200 sócios,
tenta decolar como entidade representativa. O mentor da idéia
é o administrador de empresas Celso Skrabe, há trinta
anos na área de saúde. Foi ele, junto com Flávio
Della Torre, que criou, quando estava na revista Guia de Fornecedores
Hospitalares, o bem-sucedido prêmio Top Hospitalar. No final de
2002, com a venda da revista para o grupo IT-Mídia, Celso decidiu
seguir outro caminho e criou, também com Della Torre, o Hospital
Best, um concorrente do Top Hospitalar (ou “uma evolução”,
como preferem, provo-cativamente, os idealizadores). Skrabe enxerga
na ABMS uma entidade fundamental para congregar o setor. Propõe
ainda a construção de novos hospitais e de um museu da
história da saúde. No que diz respeito ao marketing hospitalar,
ele é direto: “quem é contra o marketing na saúde
não sabe o que é marketing”.
Notícias Hospitalares - Qual o motivo para criar a ABMS?
Celso Skrabe - Foi a de trazer um marketing forte para
o setor, e, dessa forma, aglutinar e discutir idéias. O pensamento
não é o de sermos uma entidade que auxilie somente nos
negócios, comercialmente falando, mas que debata idéias
e seja representativa. A nossa intenção é nos tornar,
como os norte-americanos chamam, uma “central de inteligência”.
Tenho percebido que o setor está muito receptivo às idéias
da ABMS.
NH - Qual sua opinião sobre instituições
de saúde que relutam em fazer ações de marketing?
Skrabe - Elas não sabem o que é marketing.
Marketing é um instrumento para atender bem o cliente. Quem diz
que não precisa de marketing assume que não precisa ouvir
e nem atender bem a seu cliente. Talvez essa relutância ainda
exista em algumas organizações porque é comum confundir
marketing com propaganda. A propaganda não é marketing
e sim um instrumento dele.
NH – Como a seu ver o setor hospitalar vê as ações
de marketing?
Skrabe – O setor tem uma percepção
errada do que seja marketing. Quando se faz uma pesquisa para melhorar
a qualidade do atendimento se faz marketing. Quando se faz um comunicado
do conjunto de serviços que o hospital possui, isso é
marketing. Marketing todos fazem, mesmo quando não se dão
conta disso. Quem não faz marketing se esconde.
NH – Qual instituição de saúde faz
um bom trabalho de marketing?
Skrabe – O Hospital Israelita Albert Einstein,
em São Paulo, faz um dos melhores marketings hospitalares do
mundo. Une várias ações, como uma rede. Transmite
limpeza, eficiência e segurança. Além disso, o marketing
do hospital é eticamente correto.
NH – O que é o marketing eticamente correto?
Skrabe – É quando se comunica o conjunto
de serviços de forma transparente, sem meias verdades, sem deixar
de colocar todos os aspectos envolvidos. O marketing antiético
é o daquele hospital que faz uma cirurgia cardíaca e promete
alta em duas horas. Ou o do plano de saúde que esconde que não
atende determinadas doenças. Quando se faz marketing é
preciso levar em conta quatro princípios básicos: formatar
um bom produto, ou serviço, no caso dos hospitais, gerenciar
bem o preço, ter uma praça bem localizada e acessível
e uma comunicação eficaz.
NH - Uma das propostas da entidade é a de montar um museu
de saúde. Como é esse projeto?
Skrabe - Esse é um dos nossos principais projetos
estratégicos. Nossa intenção é criar um
museu nacional de saúde por meio da Lei Rouanet. A existência
de um museu é essencial para manter a história da saúde
registrada, divulgar as ações atuais e, a partir disso,
formular cenários futuros para o setor que permita sinalizar
e discutir as tendências da saúde.
NH - Outra proposta é atrair investidores para a construção
de edifícios hospitalares. Qual a razão?
Skrabe - O Brasil fechou dois mil hospitais nos últimos
cinco anos. Esse é um dado preocupante. Por outro lado, houve
uma explosão do crescimento de clínicas. Achamos que o
mais correto é substituir muito dos atuais hospitais, com estruturas
obsoletas, por novas construções. Uma das propostas que
a ABMS articula, em parceria com a Associação Brasileira
para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar (ABDEH) e com a
Associação Brasileira da Indústria de Artigos e
Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de
Laboratórios (Abimo) é a criação de um programa
nacional de construções hospitalares.
NH - De que forma isso se daria?
Skrabe - A intenção é trazer para
o setor da saúde aqueles investidores que estão órfãos
das áreas de hotelaria e shopping centers, setores já
saturados. Dessa forma, teríamos meios de atrair alguns milhões
de reais que permiti-riam a construção de novos e modernos
edifícios hospitalares.
NH – Qual a estratégia para a ABMS crescer?
Skrabe – Hoje temos cerca de duzentos e poucos
sócios. Neste momento a preocupação é formar
um núcleo de sócios sólido. O crescimento será
o próximo objetivo. Temos por meta ainda criar o Conselho de
Auto-Regulamentação de Marketing na Área da Saúde,
o Armas. Seria uma espécie de Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação
da Propaganda) da área da saúde. Funcionaria com uma entidade
observadora e denunciaria os possíveis desvios das ações
de marketing na saúde. Para isso precisamos criar um código
de ética antes.
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