Quem
vem de fora
Um
em cada cinco óbitos e nascimentos em São Paulo ocorre
fora das cidades de origem
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Estudo divulgado
em abril pela Fundação Sistema Estadual de Análise
de Dados (Seade) constatou que um em cada cinco nascimentos e óbitos
no estado de São Paulo ocorre fora do município de residência.
Segundo o levantamento, feito em 2002, os motivos são a busca
por melhores recursos médicos e a falta de hospitais gerais nas
cidades de origem. Muitas vezes, o paciente é obrigado a percorrer
grandes distâncias e tem seu quadro agravado.
Um total de 43 mil óbitos e 120 mil nascimentos aconteceram fora
do município de residência, o que representou 18% e 20%
do total de ocorrências, respectivamente, números muito
semelhantes aos anos anteriores. Vários fatores justificaram
o comportamento, segundo o documento do Seade:
• Falta de recursos gerais ou especializados nos lugares de residência
• Motivos eventuais ou profissionais
• Melhor acesso ou maior proximidade com outros municípios
• Melhores condições de atendimento e utilização
de serviços de convênios que podem estar alocados em municípios
diferentes da residência
Dos 645 municípios do estado, 209 têm taxa de evasão
acima de 60% e 153, entre 40% e 60%. Dessa forma, em 362 cidades paulistas
a evasão ultrapassa 40% dos nascimentos e óbitos. Apesar
de a maioria desses municípios ser de pequeno porte, o número
de evasões é expressivo. Indica que muitos deles continuarão
a recorrer aos serviços de saúde de outras cidades, sobretudo
as mais próximas, fator que se amplia no caso de tratamentos
mais especializados.
Cerca de 87% dos óbitos fora do município de residência
foram em hospitais. Já para os que ocorreram na cidade de origem
o percentual é de 72%. Os óbitos em vias públicas
correspondem a 6,3% e 4,1%, respectivamente. A maior parte das mortes
fora dos municípios ocorre por doenças do aparelho circulatório
(26%), neoplasias (18,7%), do aparelho digestivo (6,1%) e infecciosas
e parasitárias (5,8%).
As cidades com centros médicos desenvolvidos em que mais ocorreram
mortes de pessoas não-residentes foram São José
do Rio Preto (41%), Ribeirão Preto (34%), Campinas (24%) e Sorocaba
(22%). A capital paulista teve em 2002 cerca de 10 mil mortes de não-residentes,
correspondente a uma taxa de 13%. No mesmo ano, ocorreram 2.125 mortes
de pessoas de outros estados, 45% delas vindas de Minas Gerais, Paraná
(11,7%), Mato Grosso do Sul (8,6%) e Rio de Janeiro (8%).
O estudo do Seade afirma que outra causa dessa evasão é
o fato de várias cidades, inclusive com populações
consideráveis, não contarem com hospitais. Segundo a avaliação
do levantamento, a instalação de hospitais nessas cidades
ou em regiões geograficamente menores seria estratégica.
“Diminuiriam os deslocamentos, poderiam melhorar o atendimento
e os próprios indicadores de saúde, além de não
sobrecarregarem os serviços dos atuais municípios de destino,
que ganhariam em eficiência e qualidade”. O documento reforça,
ainda, a importância do registro das informações,
tanto para o local de residência quanto para o de ocorrência.
Estas últimas mostram as verdadeiras demandas em termos de serviços
de saúde.
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