| GESTÃO |
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| Marcelo
Durante Bittencourt |
Redução
de custos: necessidade ou cultura organizacional?
Depois de
muito lutar, se vê situações de autofagia institucional
a ponto de ocorrer o fechamento ou insolvência.
Constatamos
que, durante nossa experiência em consultoria nos últimos
20 anos, as instituições de saúde, em especial os
hospitais e as operadoras de planos de saúde, sempre buscaram maneiras
de reduzir seus custos operacionais, sem, contudo, observar alguns detalhes
lógicos e óbvios: a análise detalhada e a revisão
dos processos operacionais. Mais especificamente nos últimos cinco
anos (1999 a 2003, após a regulamentação dos planos
de saúde e suas inúmeras resoluções), essa
batalha pela redução de custos tornou-se uma busca muitas
vezes irracional e cruel em certas instituições que somente
demitiam pessoas, compravam insumos sempre mais baratos, sucateavam seu
parque tecnológico, deixavam de fazer manutenção
preditiva e não investiam em treinamento técnico e comportamental
de seus colaboradores.
Já as instituições profissionalizadas revolucionaram
essa questão, inovaram constantemente, incentivaram e premiaram
seus colaboradores em programas de sugestões, sempre procurando
estabelecer metas claras e de forma exeqüível para o seu corpo
funcional alcançar. Obtiveram isso, da seguinte forma: definindo
essas metas, acompanhando-as, medindo-as periodicamente, premiando os
colaboradores e, novamente, estabelecendo novas metas desafiadoras. Nesse
período não restava outra solução às
instituições a não ser enquadrar-se na nova realidade
econômica e de mercado de saúde no país. Muitas vezes
somos obrigados a adaptarmo-nos a essas contingências, pela mais
pura e real necessidade de sobrevivência. Presenciamos situações
de autofagia institucional a ponto de ocorrer o fechamento ou insolvência,
depois de a instituição lutar muito pela sobrevivência,
comprometer todo o seu patrimônio empresarial e, até muitas
vezes, pessoal de seus dirigentes, por não terem observado três
requisitos essenciais: contar com profissionais reciclados periodicamente,
desenvolver técnicas modernas de organização institucional
e rever constantemente os processos operacionais
Essa é a chave do sucesso das organizações profissionalizadas:
rever processos continuadamente, de tal sorte que essa prática
tornar-se-á uma cultura organizacional. Sabemos que é muito
difícil mudar comportamentos e culturas organizacionais –
mas não é impossível. Essa mudança certamente
demora anos, mas é possível alcançá-la com
a complementação de algumas ações:
• Escolher o profissional certo para o cargo certo – o que
deve prevalecer são as competências essenciais para o cargo.
• Os dirigentes da instituição devem ter muito claro
para si e terem definido qual o negócio, a visão, missão
e os valores que nortearão todas as ações de seus
colaboradores por um período pré-estabelecido e mediante
um plano estratégico de gestão com constante revisão.
• Incentivar seus colaboradores para o desenvolvimento da criatividade,
administração participativa, criação de grupos
focados para a solução de problemas e educação
continuada constante.
• Implantação de programas de incentivos: de sugestões,
de redução de custos mediante recompensas, de benefícios
pelo RH, de melhoria do ambiente físico de trabalho, de reconhecimento
aos colaboradores por terem sido elogiados pelos clientes durante o atendimento,
de qualidade e produtividade, de humanização e incentivo
na participação de congressos, cursos e eventos técnicos
na área específica de cada colaborador.
• A revisão constante dos processos operacionais, que trará
uma redução natural dos custos devido se estar sempre buscando
os processos de forma mais racional e eficaz, culminando num aprimoramento
técnico das pessoas e conseqüentemente da instituição.
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