Presidente da Pró-Saúde
Diagnóstico
BRASIL
Não
fosse a coragem dos empresários da saúde, o País
não sobreviveria a uma simples gripe
Nunca
estiveram tão presentes, nos discursos das autoridades públicas
de nosso país, as comparações entre a situação
da saúde e da economia. Apenas um exemplo: recentemente, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva mencionou, em uma de suas falas improvisadas,
que o Brasil na área econômica “já apresentava
melhoras”, tinha “deixado a UTI”, e “já
caminhava pelos corredores do hospital”.
Na área das finanças, a Nação tem se valido
do tratamento intensivo da saúde econômica na aplicação
de remédios amar-gos e uma perfeita organização hospitalar
para abrigar um paciente chamado Brasil que, de agonizante, já
dá seus primeiros passos de convalescente. Com direito até
a um diretor médico geral, o Dr. Pallocci.
Mas da metáfora para a realidade encontramos muito pouco do que
querem fazer parecer uma unanimidade nacional. A saúde hospitalar
brasileira, mesmo servindo de comparação para a economia
nos discursos oficiais, vem sendo tratada como algo de pouca importância.
Se não, vejamos. O governo – faça-se justiça,
não é de hoje – tem investido pouquíssimo na
área da saúde, algo em torno de 3,5% do PIB. Comparativamente,
os Estados Unidos – país considerado modelo nos serviços
médicos – aplicam 13,4%. E olhem a diferença de PIB.
Até países com PIB menores, como Portugal, tem maiores investimentos
percentuais do que o padrão brasileiro.
Não fosse a determinação e coragem dos empresários
da área da saúde, a população de nosso país
não sobreviveria nem aos efeitos de uma simples gripe. Nos hospitais
públicos – em sua maioria sucateados ou simplesmente mal
geridos – não temos uma saúde pública condizente
com o que determina nossa Constituição (“saúde
para todos, um direito do cidadão”). Tratamento hospitalar
digno tem se constituído num privilégio cada vez mais elitizado,
pois poucas pessoas podem pagar os convênios, cada vez mais caros,
que dão direito a hospitais considerados “classe A”
(Sírio-Libanês, Albert Eistein, entre outros). Os médicos,
muitas vezes, se negam a atuar naqueles hospitais credenciados pelos convênios
mais acessíveis ao bolso do cidadão.
E aí fica a questão. Quem está certo: a rede hospitalar
privada, que se aprimora e investe em equipamentos caros, infra-estrutura
e treinamento, obrigada a repassar os custos para os usuários,
diferenciando o seu atendimento para quem pode pagar; ou os hospitais
que se limitam a criar estruturas mais modestas para atender os conveniados
de menor poder aquisitivo?
E mais. Os hospitais melhor aparelhados somente se reequipam porque, em
sua maioria, são filantrópicos, com direito a incentivos
patronais, portanto não-lucrativos, o que lhes impõe o dever
de repassar suas receitas em melhoria do atendimento e assistencialismo.
É evidente que os hospitais mais modestos só sobrevivem
graças a filantropia (como atesta o exemplo das santas casas e
outros hospitais filantrópicos). Aos hospitais privados não-filantrópicos
fica a tarefa de prestar os melhores serviços possíveis
ao paciente, tentar ser lucrativo ou então desistir de funcionar.
A conclusão é que enquanto a economia brasileira já
está, segundo as autoridades públicas, a caminho de melhorar,
aguardando “alta”, o setor hospitalar está cada vez
mais doente, a caminho da UTI.
Contato: presidente@prosaude.org.br
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