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Por que o serviço caiu nos EUA?
Pesquisa da American Association for Homecare, de Washington (EUA), publicada no final de 2002 site Medicinasa (www.medicinasa.com.br), indica que há um número significativo de hospitais norte-americanos que abandonou o atendimento domiciliar entre 2000 e 2001. A pesquisa afirma que o faturamento anual desse setor caiu de 13% em 2000 para 10% em 2001 dentro do segmento da saúde. Nos Estados Unidos esta é uma opção que existe há 35 anos e atende oito milhões de pessoas ao ano, ou cerca de 3% da população americana. Prevê-se que o setor movimentará até 2005 mais de 170 bilhões de dólares nos Estados Unidos, mais da metade do atual PIB brasileiro, segundo a Interim Home Care, uma das grandes redes norte-americanas nesse tipo de atendimento. Segundo Jane Hinton, vice-presidenta da Interim Home Care, o setor realmente passou por um momento de turbulência nos EUA. Ela explica que, até outubro de 2001, as empresas de home care financiadas pelo setor público eram reembolsadas pelos custos. A partir dessa data, o governo passou a repassar uma taxa fixa baseada na avaliação do paciente. "Nós estamos percebendo que as agências baseadas em hospitais que tiveram grande aumento de custos, lembrando que elas foram reembolsadas pelo custo até outubro de 2001, estão tendo dificuldade em reduzir as despesas para cumprir a nova quantia de reembolso", explica Jane. Ela ainda afirma que as empresas que souberam adequar-se a esse momento e sempre operaram com eficiência conseguiram passar ilesas. E com ótimas possibilidades de lucro. "Devido aos fatores demográficos, envelhecimento populacional, entre outros, espera-se que o home care cresça 15% nos Estados Unidos anualmente", diz. Por aqui, o mercado segue em ascensão: além dos hospitais que introduziram o serviço, surgiram empresas especializadas que vêem nesse tipo de atendimento uma forma de reduzir custos, aumentar a rotatividade nos leitos hospitalares e humanizar o atendimento. O atendimento domiciliar tem sido a grande coqueluche do setor hospitalar brasileiro a partir dos anos 90 e tido como a solução para muitos dos problemas e para a deficiência da saúde no país. Muitos administradores consideram o atendimento domiciliar a menina dos olhos da medicina moderna. Em termos de home care, o Brasil, com suas particularidades, ainda está na pré-infância. Atualmente, há cerca de 20 mil empresas especializadas nos EUA, enquanto no Brasil são 200. Para o presidente da Associação Brasileira de Empresas de Medicina Domiciliar (Abemid), o médico Josier Marques Vilar, todo serviço de assistência médica está em crise de financiamento no mundo, e isso se reflete no atendimento domiciliar. Para ele, o grande culpado é o que Vilar chama de pensamento tecnológico-cêntrico. "A utilização excessiva de recursos de diagnósticos e terapêuticos, com base em tecnologias cada vez mais sofisticadas, e, algumas vezes inúteis, que usam equivocadamente o hospital como porta de entrada do sistema de saúde, tem inviabilizado financeiramente o custeio da assistência". Na opinião do médico Fernando Fernandes, gerente geral da Home Doctor, houve nos últimos cinco anos uma proliferação de novas empresas de home care no mercado, muitas sem saber ao certo como e para onde queriam caminhar e que serviços oferecer. "Esse movimento acarretou numa diversidade de serviços, pulverizando o mercado e trazendo uma queda de qualidade no setor". No caso da pesquisa da American Association for Homecare, Vilar acredita que especialmente os programas de atendimento domiciliar financiados pelo setor público naquele país têm sofrido cortes de financiamento. "No Brasil, entretanto, percebe-se um crescimento de empresas de home care nos últimos cinco anos", diz. Estatisticamente, o atendimento domiciliar diminui o custo diário do paciente entre 10% e 60%. Os atendimentos, por sua vez, podem ser categorizados em alta, média e baixa complexidade, sempre vinculados à doença do paciente e dependendo do estado de saúde dele ou da intervenção a que se submeteu ou ainda do diagnóstico formulado pelo médico.
Pacientes-hóspedes
Tomar atitudes para que o hospital se torne um ambiente mais agradável aos pacientes é algo que desafia os administradores hospitalares. Muitos administradores têm dificuldade em adotar uma forma de tratamento que se aproxime ao de um hotel. Por muitas vezes há exageros ou omissões que pacientes mais criteriosos não perdoam. Um dos principais equívocos, segundo especialistas, é acreditar que somente o atendimento mais atencioso dos funcionários no tratamento direto com o paciente é suficiente, o que não é totalmente verdadeiro. O hospital, de forma geral, deve adotar um perfil administrativo no qual o paciente perceba a atenção constante da instituição em relação a ele. A humanização é uma tendência cada dia mais valorizada em ambientes hospitalares. E a satisfação desse tipo de tratamento é bilateral. Os pacientes contentes costumam aceitar melhor o tratamento, o que acelera seu tempo de recuperação. Dessa forma, os custos são reduzidos, agiliza a liberação de leitos e cria uma imagem positiva junto aos clientes. Mas, para conquistar esse nível em atendimento hospitalar é preciso mudança de perfil administrativo na empresa. Segundo a pedagoga e consultora Maria Auxiliadora Camargo de Abreu Marques, é muito importante que o administrador hospitalar tenha conhecimento de marketing e relações humanas. Segundo ela, nos Estados Unidos, de cada dez médicos cinco já fizeram curso de marketing ou administração. "Não quero dizer que os profissionais devam seguir esse exemplo ao pé da letra, mas sim estar atentos às mudanças que vem ocorrendo muito rapidamente na área hospitalar", afirma a pedagoga. Segundo a especialista, é fundamental que a instituição saiba como explorar o potencial dos seus funcionários constantemente. Palestras, seminários e dinâmicas de grupo são considerados um meio de assimilação eficaz para a criação de uma mentalidade voltada à satisfação do paciente. Para ela, não há regras definidas para tornar o atendimento de um hospital mais próximo ao de um hotel. Cada hospital deve explorar suas peculiaridades. Como, em geral, os recursos são escassos na área da saúde, Maria Auxiliadora sugere que criatividade deve ser o ponto inicial de qualquer mudança de atitude dentro de ambientes hospitalares. Pequenas ações diárias são fundamentais. "Os doutores da alegria, por exemplo, com simples narizes de palhaço e bolinhas de sabão produzem um efeito fantástico na ala infantil", explica. |