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Administrador
de empresas, pós-graduado em Recursos Humanos e professor na área
de gestão de negócios
Tecnologia sem criatividade
Os especialistas no mundo dos negócios são unânimes em afirmar que a implantação de projetos de sistemas de informação só são viáveis a partir da formulação da estrutura de processos de negócios das organizações. Surpreendentemente, as organizações não seguem esse caminho. Pergunta-se por que isso acontece? Iniciar tais projetos pela tecnologia, quando se fala em aplicações orientadas a processos, tais como ERP, CRM, SCM e EPM, é a receita do fracasso. Pelo fato de as tecnologias serem um mecanismo atraente e que empurra os processos, "detonando" a estrutura departamental das empresas, o cami-nho "fácil" torna-se uma das opções preferidas pelos administradores. Escolha cara, às vezes irreversível. Tecnologias, computadores e máquinas são totalmente previsíveis. Essa é a razão. Cabe, entretanto, uma questão: se as tecnologias são tão previsíveis assim, por que os projetos de implantação desses softwares, quase sempre, falham? A expectativa é que as tecnologias da informação, no futuro, tenham uma margem de fracasso nas implantações, em torno de 80%. Exagero? Milhares de dólares já foram desperdiçados pelas empresas, na tentativa de implantações como CRM, Supply Chain e ERP. Nos próximos anos, em função do uso inadequado das informações, as empresas serão obrigadas a reformular seus modelos de negócios. Por quê? Porque estamos na era da ação e não da informação. E ação depende de pessoas. As tecnologias unicamente não garantirão o sucesso dos empreendimentos. Elas são um importante componente, e mais do que isso, são fundamentais para o desempenho organizacional, mas quando utilizadas sem a criatividade das pessoas e sem o conhecimento do modelo de negócios da empresa, tornam-se ineficientes. A criatividade, que gera o conhecimento, foi subestimada pelas organizações nos últimos duzentos anos. As empresas insistem em adotar modelos autoritários de gestão, não permitindo um clima de administração participativa, onde as pessoas possam se desenvolver. Adicione a essa receita o fator imediatismo, que está corrompendo a estrutura da nossa sociedade, e teremos vários fatores de risco que garantirão o fracasso dos futuros projetos. Esse imediatismo é um dos fatores de insucesso dos empreendimentos. O modelo de conhecimento e dos processos das organizações é que forma o verdadeiro diferencial competitivo, e o tempo é uma dimensão inevitável. A verdadeira transformação organizacional só acontece quando o modelo mental e os planos estruturais da empresa se transformam. Isso implica investir no conhecimento, nas pessoas e na cultura organizacional. A implantação desse modelo de conhecimento nas organizações é de fundamental importância para o sucesso dos empreendimentos. Uma organização não pode querer passar de um estágio a outro. O aprendizado é a essência da perfeição. Não podemos passar da desorganização à qualidade sem criarmos uma identidade organizacional fundamentada na competência das pessoas, possibilitando a criação de um ambiente dinâmico capaz de produzir soluções continuamente. Um processo é mais do que um conjunto de atividades. É o meio pelo qual a empresa operacionaliza suas estratégias de negócio, e é também a maneira pela qual as pessoas se identificam com o trabalho. Quanto mais conscientes do valor agregado aos processos, mais as pessoas conseguem contribuir para a satisfação do cliente - objetivo último das instituições. Para se atingir a excelência, entretanto, é preciso que as equipes e forças de trabalho da organização estejam alinhadas com os objetivos estratégicos da empresa e aprendam o significado de seus processos de negócios. Mas quem está disposto a pagar por isso? |