MARÇO/ABRIL
DE 2003
NÚMERO 40
ANO 4
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Bianca Laís Guelfi

Fisioterapeuta do Hospital São Cristóvão (SP), com especialização no Centro de Referência da Saúde da Mulher

 

Fisioterapia: economia e diferencial para hospitais

A fisioterapia está se aperfeiçoando cada vez mais em diversas áreas, buscando sempre o melhor tratamento e a maior abrangência para todos os tipos de patologias, deficiências e problemas de saúde que prejudicam o organismo.

Há alguns anos, a fisioterapia em mastologia não era aplicada por fisioterapeutas, sendo as pacientes orientadas por médicos. Essas pacientes precisavam recuperar seus movimentos do braço, pois a retirada da mama abala a musculatura do membro superior. Ainda hoje, existem poucos profissionais fisioterapeutas especializados na área de oncologia-mamária, devido à pouca procura, ao pouco co-nhecimento nessa área e, também, pelos médicos não exigirem que se inclua esse profissional capacitado na equipe multiprofissional para que se dê toda a assistência à mulher que opera a mama. Além do que, na paciente que é submetida a essa cirurgia, os médicos retiram os gânglios axilares para avaliação e, se houver necessidade dessa retirada, a paciente precisa ser orientada a evitar o inchaço do braço do lado da cirurgia, evitando o linfedema.

Existem instituições, poucas ainda, que prezam a presença do fisioterapeuta para esse atendimento tão im-portante à mulher. Portanto, há necessidade de conscientizar médicos mastologistas e ginecologistas para a importância desse profissional no atendimento preventivo logo após a cirurgia, orientando-as para que tenham cuidado com o braço, a fim de evitar complicações de encurtamentos musculares, cicatrizes aderentes, dificuldades na movimentação do braço e o linfedema.

O fisioterapeuta atuaria já no pré-operatório, quando houvesse indicação médica, e no pós-operatório imediato - logo no dia seguinte à cirurgia de mama, em que a paciente realiza os exercícios precocemente para movimentação do braço, sem medo, dessensibilizando a paciente quanto a sua recuperação total. Também agiria no pós-operatório tardio, ambulatorialmente, quando a paciente seria tratada caso houvesse linfedema ou dor no braço e de forma obrigatória deve realizar exercícios com o braço do lado operado a fim de retomar os movimentos para a realização de suas atividades normais.

Outra área de grande atuação da fisioterapia, e de grande interesse para a área médica e população feminina, é o tratamento fisioterapêutico para incontinência urinária. No Brasil, 42% das mulheres na pós-menopausa apresentam a incontinência urinária por diversas causas. Os tratamentos seriam cirúrgico, medicamentoso e fisioterapêutico. Atualmente, os médicos indicam a fisioterapia antes da cirurgia e, em alguns casos, não há necessidade de operar, e há casos de operação e depois as pacientes são encaminhadas para a reabilitação perineal. Porém, em al-guns serviços de saúde ainda não existe esse profissional para a reabilitação da incontinência urinária. O tratamento preventivo, por meio da orientação de exercícios para a musculatura do assoalho pélvico e conscientização da importância dos exercícios para evitar e tratar a perda urinária, seria a medida ideal.

Estudos mostram que a prevenção economiza, e muito, para o hospital nos itens medicamentos, fraldas, absorventes, cuidados de enfermagem, sondas uretrais e muitos outros recursos que seriam direcionados para pacientes com incontinência urinária. Por isso, pergunta-se: por que não criar esse trabalho preventivo e curativo nos ambulatórios de saúde da mulher e em hospitais públicos e particulares?

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