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Professor
de Administração Hospitalar é Saúde
Pública
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Administrador
Hospitalar e Diretor de
Desenvolvimento da Pró-Saúde |
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Soldemar
Tonello e Eduardo Martinho |
Como
estabelecer preços
O
cínico sabe o preço de tudo, mas não conhece o valor
de nada”. Essa frase do escritor inglês Oscar Wilde define
com precisão a diferença entre preço e valor –
conceitos que, por sinal, raramente se associam nas estratégias
de estabelecimento de preços para serviços prestados na
saúde e carrega consigo um intrincado modo de fixação,
onde variáveis como confiança, credibilidade e eficácia
são de suma importância.
A primeira técnica para fixação dos preços
e baseada em custos, e parte da questão: qual preço cobre
nossos custos com uma margem razoável? A segunda técnica
busca responder a pergunta: “qual é o preço permitido
pelo mercado?”. O sonho de toda empresa é definir o preço
de seus produtos e serviços com base no que os clientes estão
dispostos a pagar. É preciso, portanto, estudar quanto o cliente
está disposto a pagar por um serviço para depois, com base
nessa informação, determinar os seus custos, e não
o contrário.
Os dois caminhos apresentam falhas óbvias, mas seu maior defeito
tem a ver com a frase de Wilde: ambos desconsideram o “valor do
valor”. Nenhuma das estratégias enfoca o valor que o novo
produto ou serviço propicia ao cliente nem dá margem a insights
que resultem em ofertas inovadoras.
A busca da definição do valor, bem como do impulso à
descoberta de novas maneiras de proporcioná-lo ao cliente, está
na raiz da chamada “precificação baseada no valor
do produto ou ser-viço”. Ao adotar tal estratégia,
a empresa pode alcançar compreensão profunda das motivações
comerciais do comprador, o que permite sintonizar os próprios objetivos
com as metas dos clientes. Funda-se, assim, uma relação
em que um contribui para o sucesso do outro – algo virtualmente
impossível de obter com as tradicionais abordagens de precificação.
“Valor” é um conceito subjetivo e determiná-lo
constitui o maior obstáculo durante o desenvolvimento de uma estratégia
de precificação. Se quem vende não consegue identificar
o valor que o produto ou serviço proporciona ao comprador, o preço
cobrado tende a ser irreal. Por outro lado, se não tem familiaridade
com o valor do produto ou serviço que lhe é oferecido, o
cliente não percebe uma razão clara e compensadora para
seu investimento – e é improvável que realize a compra.
Infelizmente, há poucos estudos sobre os preços de serviços.
Os serviços são um tipo especial de produto e devem ser
tratados como tal. Serviço é sinônimo de desempenho
e, por isso intangível. Os compradores de mercadorias adquirem
bens tangíveis – um televisor, uma pasta de dente. Quem compra
serviço faz uma despesa, mas não acrescenta nada aos bens
que possui. Pode ser uma viagem, uma consulta médica, porém,
no final das contas, nada é acrescentado aos seus bens.
O reconhecimento dessa simples, mas importantes diferenças entre
bens tangíveis e intangíveis ajudam a entender a reação
dos clientes diante dos preços de serviços. Imagine, por
exemplo, um eletricista que cobre R$ 50,00 para consertar seu refrigerador.
Com essa quantia, o eletricista espera recuperar os custos operacionais
fixos e variáveis de seu negócio, além de obter algum
lucro. Para os clientes, por outro lado, R$ 50,00 por apenas 15 minutos
de trabalho pode parecer exagerado. Com esse dinheiro poderiam comprar
uma roupa nova ou CDs, por exemplo. Psicologicamente, a comparação
não é favorável ao eletricista.
Os clientes que contratam um advogado, por exemplo, querem uma pessoa
conscienciosa e competente. Mas como garantir isso? Existem poucos atributos
de busca para guiar o processo decisório. Não é possível
chutar pneus nem fazer um teste-drive. A propaganda boca-a-boca pode ajudar,
e os anos de experiência de um advogado tendem a ser um bom indicador.
Um cliente potencial pode consultar vários escritórios para
ter uma idéia de custo. Mas, mesmo que ele acredite que as estimativas
recebidas sejam dignas de crédito, elas ajudarão de fato
na escolha do ad-vogado? Quem seria o melhor, o menos caro ou mais caro?
Na falta de experiência própria com um produto, os clientes
costumam usar o preço como indicador de qualidade. Presumem que
o advogado menos caro seja também o menos hábil e vice-versa.
Na utilização de serviço médico-hospitalar,
o usuário em nada acrescenta aos seus bens, diferente de quando
compra um bem tangível. Podemos afirmar que o paciente compra o
uso. Ele adquiriu o direito de uso dos aposentos, equipamentos e materiais
durante sua internação.
Da mesma forma, as empresas de medicina suplementar, quando firmam um
contrato com o hospital, contemplam os valores pelo uso da instituição
hospitalar.
Assim
sendo, ao analisarmos as diferenças entre adquir um bem tangível
e a compra de serviços ocorre uma maior resistência de aceitação
da tabela de preços, seja por parte de usuários, particulares
ou de convênios. Quando por um determinado atendimento é
cobrado um preço, e cujo resultado demanda de um “simples”
laudo, do ponto de vista do usuário, as variáveis confiança,
credibilidade e eficácia, servem de balizadores para avaliação
desse preço. O usuário através de seus relacionamentos
ou por intermédio dos meios de comunicação estabelece
parâmetros para referendar a escolha de um determinado prestador
de serviços. A indicação de seu médico ou
a opinião de alguém de seu círculo de amizade que
tenha se utilizado daquele determinado serviço.
Um outro exemplo, ocorre quando o paciente se vê com uma infinidade
de procedimentos realizados durante sua internação e indaga
sobre a necessidade da sua realização. Essa indagação
é freqüente nos serviços técnicos. O paciente
não participa na execução do atendimento por se tratar
de um procedimento especializado, portanto desconhecido. O paciente se
vê numa situação de vulnerabilidade, acreditando até
na ocorrência de excessos e com a sensação que foi
ludibriado. Da mesma forma os convênios se vêm na mesma situação
por não poderem participar da indicação dos procedimentos.
Criam-se então as auditorias para checar a credibilidade dos serviços
realizados e os preços cobrados. Porque realizar meu atendimento
no hospital que presta o mesmo atendimento por um preço diferente?
Sob a ótica do prestador do serviço condições
como tipo de fornecedor e de relacionamento são importantes, mas
de pouca valia para o paciente.
A busca pelo equilíbrio entre o preço e a percepção
do serviço recebido é a condição ideal. Ao
se estabelecer o preço de algum serviço não se pode
esquecer do duo “preços e benefícios recebidos (valor)
em relação ao preço pago”. Outro fator fundamental
na elaboração de preços sbão os custos envolvidos
para a realização dos serviços. Compreender e saber
gerenciar os custos são fundamentais para a formação
de um preço competitivo, sendo que os ganhos devem ser repassados
para o cliente. Talvez os prestadores de serviço pudessem diferenciar
os preços para realização de serviços em horários
e dias nos quais há pouca procura diluindo os custos fixos.
Como a maior parte dos custos operacionais da saúde são
fixos, deve ser considerado o “tamanho certo” da instituição
para a diluição desses custos. A título de exemplo,
citamos que a maior parte dos hospitais gerais do Brasil são de
pequeno porte (com menos de 50 leitos), dificultando em muito a absorção
desses custos fixos e conseqüentemente a fixação dos
preços de serviços competitivos.
Aspectos tangíveis também têm um papel nas distinções
dos serviços – como aparência das instalações
e dos fornecedores do serviço –, mas são relativamente
desimportantes para a decisão de compra do cliente. Ou, então,
apresentam poucas variações de um concorrente para outro.
Por essa razão, as empresa tentam diferenciar seus serviços
por meio não-físicos – qualidade ou preço,
por exemplo – e geralmente se concentram no preço, que parece
mais fácil de implementar, de resultados mais imediatos e com maior
poder de persuasão perante os consumidores-alvo.
As empresas que pretendem estabelecer preços capazes de expressar
benefícios têm, antes de qualquer coisa, de entender o que
seus mercados-alvo consideram benefício. O objetivo seguinte será
incluir esse benefício e transmiti-lo – da forma mais clara
e contundente possível – pelo preço. Sugerimos três
estratégias de fixação de preços diferentes
para isso, que podem ser utilizadas em conjunto ou separadamente: com
base na satisfação, no relacionamento e na eficiência.
lEstratégia 1: satisfação.
O objetivo da estratégia de preços baseada na satisfação
é diminuir o grau de incerteza dos clientes. As empresas podem
fazer isso de várias maneiras, recorrendo à garantia de
serviços, preços determinados por benefícios ou preços
fixos.
lEstratégia 2: relacionamento. O marketing de relacionamento
que implica atrair, manter e aprimorar o relacionamento com o cliente
– está cada vez mais sendo apontado como estratégia
desejável, graças a seu potencial de lucro e seu apelo para
os clientes. As empresas de serviço realmente ganham se puderem
aumentar o volume de negócios com os clientes que já tem.
lEstratégia 3: preço eficiente.
Compreender, gerenciar e reduzir custos são peças essenciais
de uma política de preços eficiente, e alguns ou todos os
ganhos devem ser repassador para o cliente na forma de preços mais
baixos. Para que dê resultado, essa estrutura de custo mais enxuta
deve ser difícil de entender para os concorrentes, para não
ser imitada em curto prazo. Além disso, as economias repassadas
aos clientes precisam efetivamente aumentar a percepção
de valor que eles têm. A redução de custos que resulta
e um serviço menos caro, porém insatisfatório, não
obterá sucesso.
Compreender custos é particularmente difícil para as empresas
de serviços. Os procedimentos tradicionais de contabilidade de
custos foram projetados para monitorar custos associados ao consumo de
matérias-primas, depreciação e mão-de-obra,
ou seja, para mercadorias. Para serviços, são inadequados,
porque o produto final do serviço é uma composição
de desempenhos. A definição do custo com base na atividade
(activity based costing ou ABC, em inglês) que se concentra nos
recursos consumidos por atividades específicas que levam ao produto
final, pode ser uma ferramenta mais útil. Finalmente ao se elaborar
uma política de preços a busca da lucratividade e a identificação
de benefícios para o comprador dos serviços deve sempre
procurar alcançar o desenvolvimento de relacionamentos de longo
prazo.
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