MARÇO
DE 2005
NÚMERO 46
ANO 4

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Sérgio Ribeiro

Administrador Hospitalar

Logística hospitalar: desafio contante

Um dos maiores desafios para o administrador hospitalar está em atender adequada-mente às necessidades da instituição. Como atender logisticamente serviços diversos de apoio, como hotelaria, higienização, nutrição e dietética, lavanderia, manutenção? E outros, que são a essência do negócio do prestador de serviço de saúde como atendimento ao cliente, serviços auxiliares de diagnósticos, hemodiálise, centro cirúrgico, banco de sangue, especialidades médicas e tantos outros importantes?

Todos têm suas necessidades prioritárias: uma caneta é tão importante quanto um bisturi, medica-mento ou o produto para limpeza. Para o perfeito desempenho das funções, com atendimento de qualidade de todos que, direta ou indiretamente, mantêm contato com o paciente ou seus familiares, há necessidade em algum momento da sua “ferramenta” de trabalho.

A atividade do prestador de ser-viço em saúde é muito diferente na sua responsabilidade de uma atividade industrial ou comercial. Pode-se em uma fábrica deixar de produzir algum item por falta de componente e recuperar-se o atraso da produção no dia seguinte.

No hotel, se não há algum ingrediente para a refeição principal, altera-se o cardápio e o hóspede pode continuar satisfeito. Não é o que ocorre com a atividade hospitalar. O nosso “cliente” está necessitando do medicamento naquele horário, ou para aquela cirurgia imediata, ou ainda vem para atendimento emergencial que não sabemos quanto ou o que poderá ser.

Assim, como prover de forma eficiente, com orçamentos sempre limitados, custos em ascensão e receitas concorridas? Podemos, de modo simples, entender logística como parte integrante do negócio, como a tarefa de colocar o produto necessário no lugar certo e no momento em que o cliente deseja, pelo preço mais justo possível de ser obtido.

Para alcançar esses resultados, os processos devem ser executados com agilidade, usando sistemas de informação que envolvam equipa-mentos, softwares e treinamento, maximizando a gestão administrativa de controles de estoques, compras e finanças, e estruturando todo o processo logístico.

A revisão dos itens padronizados (matmed), considerando-se os consumos específicos de matérias diferenciados, é um início. Classificar os itens ABC / XYZ é fundamental, pois se previnem situações de ter em estoque medicamentos de alto custo mas nenhum analgésico para aquela necessidade imediata. Como conseqüência de erros logísticos, na maioria das situações há aumento de estoques indevidos.

Deveríamos nos preocupar mais sobre quanto tempo o item está armazenado, e por quanto tempo ainda assim permanecerá, do que saber qual o seu nível ideal. Análises detalhadas irão identificar que são consideráveis os estoques financeiros de itens de baixa rotatividade e alto valor.

Também devemos estabelecer com os fornecedores de materiais e prestadores de serviços estratégias de relacionamentos cooperativos, promovendo alianças para obtenção máxima de resultados mútuos. É missão difícil, pois o gestor de suprimentos tem como atribuição principal adquirir pelo melhor preço possível, atendendo os interesses da instituição, pratica que não propicia uma parceria de longa duração.

Aplicar programas de avaliação e qualificação de fornecedores é uma importante ferramenta, pois permite conhecimento das expectativas de cada um, revendo suas estratégias de negócios. Há sinergia entre cliente e fornecedor, estabelecendo confiança nos dados coletados, ocasionando melhor previsão de demanda, menores estoques e diminuição de rupturas de abastecimentos e, conseqüentemente, redução de custos administrativos. Porém não devemos esquecer que a confiança é o lastro do negócio, difícil de conquistar mas mais difícil ainda de manter. Alcançada essa etapa, é bom lembrar que ainda há muito por fazer. O administrador hospitalar tem como missão atender e superar continuamente as expectativas solicitadas.

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