MARÇO
DE 2005
NÚMERO 46
ANO 4

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HUMANIZAÇÃO

Recuperação Virtual
Videogames ajudam a aliviar as dores de crianças em UTI

Em hospital australiano está usando o mundo virtual na recuperação das crianças internadas na UTI infantil. O estudo, divulgado na revista especializada BMC Pediatrics e pela BBC de Londres, recomenda que “hospitais deixem as crianças que estão internadas jogar videogames de realidade virtual como complemento a remédios para reduzir a dor”.

Segundo os médicos do Hospital de Mulheres e Crianças de Adelaide, na Austrália, a imersão da criança “em um mundo virtual repleto de monstros e seres extraterrestres ajudou a aliviar a dor sentida por crianças que haviam sofrido queimaduras graves”. O escore da dor em crianças que tomaram apenas analgésicos foi de 4,1 em uma escala até 10, enquanto a ajuda do videogame reduziu este número para 1,3. O estudo foi feito pelos cientistas envolvendo sete crianças, a quem pediram que jogassem um jogo virtual enquanto estavam trocando de roupa.

O hospital utilizou na experiência um jogo controlado por meio de um equipamento especial que é usado na cabeça e contém duas pequenas telas de computador e um sensor especial que permite à criança interagir e entrar em um mundo virtual onde ela pode matar monstros. Todas as crianças participantes do estudo também receberam doses de analgésicos.

Os cientistas pediram para elas relatarem o nível de dor que estavam sofrendo, utilizando uma escala formada por desenhos de rostos de bonecos, desde um sorriso até uma careta de dor. As crianças reportaram muito menos dor quando estavam jogando o videogame do que quando estavam apenas sob o efeito de analgésicos.

Os pesquisadores dizem que, ao se deslocarem para “um outro mundo”, as crianças prestam menos atenção aos estímulos que lhes causam dor. “Se uma quantidade de jogos diferentes for disponibilizada, levando em conta os diferentes grupos de idade, isto poderia ser amplamente aplicado”, disseram eles no artigo.

De fato, um outro estudo da University Hospital de Newark, no estado de Nova Jérsei (EUA), assegura que os videogames funcionam seriam mais eficazes que os tranqüilizantes. "As crianças ficam tão absortas com o aparelho que esquecem onde estão", explica Anu Patel, anestesista do hospital, que realizou este estudo. Patel analisou o comportamento de crianças de 4 a 12 anos. Para isso, comparou as diferenças entre tomar tranqüilizantes, estar em companhia dos pais e um GameBoy, logo antes de passarem pela mesa de cirurgia. Os resultados do estudo de Patel indicam que o GameBoy é, com larga margem, o melhor calmante. Agora, o hospital está considerando incluir o videogame nos procedimentos pré-operatórios pediátricos. Um motivo poderoso para compreender porque tantos menores adoram esse brinquedo.

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