Administrador de
empresas e consultor em tecnologia da informação na área
da saúde
A
importância dos processos
Nas
duas edições anteriores de Notícias Hospitalares
abordei os cuidados e as regras básicas que devem ser seguidas
pelo gestor de Tecnologia da Informação (TI) no planejamento
e aplicação dos recursos financeiros destinados à
área de informática dentro das instituições
de saúde. Mencionei a importância de um plano orçamentário
baseado em um percentual sobre as receitas da instituição,
as regras básicas para aplicação desses recursos
e fiz recomendações sobre a necessidade de se estruturar
os processos sem esquecer a atenção à estrutura organizacional
que irá dar sustentação aos processos e seus respectivos
fluxos de trabalho. Neste artigo, abordarei um pouco mais detalhadamente
os aspectos relacionados aos processos.
A preocupação com os processos que dariam sustentação
às atividades médicas não é recente. Já
no século 17 os hospitais, principalmente os europeus, passaram
a adotar um sistema de registro permanente com identificação
dos doentes, anotações de entradas e saídas, diagnóstico
médico, receitas e tratamentos prescritos.
De acordo com a professora e consultora Teresinha Covas Lisboa, esse “aproveitamento
racional dos recursos disponíveis se revela como uma conseqüência
da crescente aceitação do serviço hospitalar e da
diversidade de funções que as instituições
passam a oferecer; a própria natureza da organização
em grande escala cria novas formas de encarar a eficiência administrativa,
a racionalidade, a produtividade e a responsabilidade de todo o pessoal
envolvido no processo”.
Com razão: os processos de negócios, quando devidamente
estruturados, são os pilares de sustentação das operações
nas instituições de saúde. Os processos são
a alma do negócio, são como uma marca registrada que diferencia
os serviços prestados pela organização, além
de proporcionar o efetivo controle gerencial de suas atividades.
Investir em processos e em sua informatização realmente
dá re-torno; a probabilidade de uma instituição de
saúde prestar um bom atendimento sem ter os processos básicos
bem estruturados e informatizados, é praticamente nula. Os processos
precisam ser (re)desenhados com base nas melhores práticas adotadas
pelo mercado. Eles são sinônimos de padronização,
agilização e melhoria do atendimento, redução
de custos e eficácia no cumprimento das metas que as organizações
se propõem a atingir.
A revisão (ou redesenho) de processos deve ser incorporada ao planejamento
estratégico das instituições como um processo de
melhoria continua. Deve acompanhar de perto a dinâmica dos negócios
e até mesmo antecedê-la nos processos de mudança.
São nessas condições que se dá o diferencial
competitivo.
O estudo sistemático dos principais processos nos indica, quase
que naturalmente, aqueles que precisam ser informatizados com prioridade,
haja vista sua importância na imagem da organização,
seu impacto na eficácia das operações, o volume e
a freqüência com que ocorrem, e o peso que seu custo acarreta
nos resultados financeiros, dentre outros fatores.
O mapeamento de processos serve-se das técnicas já consagradas
no processo de gestão empresarial. A partir do organograma cria-se
um quadro no qual se descrevem as responsabilidades e as atividades básicas
de cada área envolvida, bem como as políticas e diretrizes
que devem nortear sua atuação. Na seqüência,
descrevem-se os macro-processos a serem estruturados e informatizados
e, por fim, detalhadamente os processos, utilizando-se para tanto da técnica
denominada DFD, ou seja, Diagrama de Fluxo de Dados. É a partir
desse conjunto de técnicas e ferramentas que a organização
terá condições de mapear as operações
que serão alvo prioritário nos processos de informatização.
Quando uma instituição de saúde começa a mapear
seus processos, não raro surgem questões relacionadas à
própria estrutura organizacional, tais como inexistência
de organograma e de políticas e diretrizes, duplicidade de funções,
falta de definições relacionadas à delegação
de autoridade, gerando inclusive conflitos de competência e estimulo
involuntário à luta pelo poder, todos eles altamente prejudiciais
aos objetivos da organização.
Se esse for o caso de sua instituição ou organização
de saúde, é uma excelente oportunidade de você repensar
as estratégias e políticas da organização
antes de começar a investir em Tecnologia da Informação.
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