Janeiro/Fevereiro/
Março de 2006
NÚMERO 48
ANO 5

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Administração
 
Eduardo Martinho

Professor de Administração Hospitalar e Saúde Pública

 


A fixação da missão nos hospitais filantrópicos

Os líderes precisam entender que os
hospitais cuidam de doenças, não de saúde

Uma das perguntas mais freqüentes que fazem os executivos das organizações é: “Quais as qualidades de um líder”? O líder que focaliza basicamente a si mesmo dará uma orientação errada. Os três lideres mais carismáticos deste século impuseram mais sofrimento à raça humana do que qualquer outro trio da história: Hitler, Stálin e Mao-Tsé-Tsung. O importante não é o carisma do líder, mas sim sua missão. Portanto, a primeira tarefa do líder é a de conceber e definir a missão da instituição em que atua.
Eis um exemplo simples. A declaração de missão do pronto-socorro de um hospital foi esta: “Nossa missão é transmitir confiança aos aflitos”. Ela é simples, clara e direta. A maior parte dos hospitais diz: “Nossa missão é cuidar da saúde”. E essa é uma definição errada. O hospital não cuida de saúde, mas de doenças. Nós cuidamos de saúde não fumando, não bebendo demais, vigiando nosso peso e assim por diante. Os hospitais não são bons em prevenção, mas sim para tratar de danos já feitos.

A visão precisa ser operacional. Caso contrário, não passa de boas intenções. Uma declaração de missão deve focalizar aquilo que a instituição tenta realmente realizar, de forma que cada um na organização possa dizer: esta é minha contribuição para a meta.

Assim, você precisa de três coisas: oportunidades, competência e compromisso. Toda declaração de missão deve refletir as três ou não conseguirá descrever sua meta, sua finalidade e seu teste finais. Ela não irá mobilizar os recursos humanos da organização para que as coisas certas sejam feitas.

O ponto de partida é reconhecer que a mudança não é uma ameaça e sim uma oportunidade de melhoria. Para se escolher um líder de um hospital não lucrativo devemos analisar seus pontos fortes. Muitos dos selecionadores de pessoal focam os pontos fracos dos candidatos. Eles não perguntam no que ele é bom. Desenvolver suas forças não significa ignorar suas fraquezas. Ao contrário, você sempre está consciente delas. Mas só se pode superar as fraquezas desenvolvendo forças.

Por exemplo. Executivos de um hospital perguntaram ao quadro de enfermagem: “Como vocês definem seu desempenho”? A resposta mais comum foi: “Minha contribuição é cuidar dos pacientes”. Mas também disseram: “Vocês me enchem de tarefas corriqueiras e papelada que nada têm a ver com cuidar dos pacientes”. A solução foi contratar escriturários, um para cada andar, que cuidam das tarefas e do preenchimento de papéis. Isso liberou as enfermeiras para aquilo que sabiam que deveriam estar fazendo, isto é, cuidar dos pacientes. Os hospitais filantrópicos dependem muito mais de decisões acertadas do que as demais empresas, visto que os recursos alocados normalmente são insuficientes para fazer face às demandas, principalmente devido a escassez de verbas.

Na gestão de um hospital filantrópico, um executivo também precisa aprender a não se basear em discernimento e no conhecimento das pessoas, mas em um processo passo a passo banal, tedioso e consciente. Um processo bem feito de seleção começa com uma atribuição. Não como mera descrição de função, mas de atribuição. Fazemos isso perguntando às pessoas pelo que elas querem ser lembradas (de acordo com Santo Agostinho, esse é o “inicio da maturidade”). A resposta muda à medida que amadurecemos. Porém, a menos que essa pergunta seja feita, a pessoa trabalha sem foco, sem direção e, como resultado, não se desenvolve.

O auto-desenvolvimento transforma-se em auto-renovação quando você segue um caminho diferente, conscientiza-se de um horizonte diferente e movimenta-se em dire-ção a um destino diferente. Esse é um momento em que o auxílio interno, um mentor, pode ser muito útil. Quanto mais voltado para realizações e bem-sucedido você for, maior a probabilidade de se afundar nas tarefas urgentes. Auto-desenvolvimento não é filosofia, nem boas intenções. Auto-renovação não é uma paixão. Ambas significam ação. Você se torna uma pessoa maior; mas acima de tudo, você se torna uma pessoa mais eficaz e comprometida.

Contato:
eduardo@prosaude.org.br.