Janeiro/Fevereiro/
Março de 2006
NÚMERO 48
ANO 5

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Corpo Clínico
 

Exame de ordem

Balanço mostra que poucos médicos
se submeteram à prova do Cremesp


O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) foi o primeiro órgão fiscalizador de classe a aplicar uma prova de avaliação para médicos recém-formados. Para relembrar, a primeira fase do exame foi em outubro, no qual cerca de 1.000 sextanistas e médicos recém-formados foram avaliados a partir de 120 questões sobre pediatria, ortopedia, ginecologia e obstetrícia, cirurgia geral, clínica médica, saúde pública, saúde mental, bioética e ciências básicas. Dentre os participantes da primeira etapa, 686 foram habilitados a fazer o exame prático (acertaram pelo menos 60% das respostas – a nota média foi 7,67), mas apenas 286 estudantes se interessaram em fazê-lo. Algumas conclusões foram preocupantes: mais da metade dos estudantes e recém-formados não souberam reconhecer um quadro grave de trauma torácico. No entanto, o exame não teve caráter punitivo e nenhum candidato foi reprovado.

Para o delegado do Cremesp, Arnaldo Guilherme, que acompanhou o exame junto à Fundação Carlos Chagas, instituição responsável pela elaboração do exame, a prova foi capaz de medir não só os conhecimentos e poder de decisão dos futuros médicos. “Não é uma prova que visa reprovação ou classificação, mas apontar se estão habilitados para o exercício da Medicina”, salientou.

O médico Lecy Marcondes Cabral, da Escola Paulista de Medicina, considera válida a iniciativa do exame. “Talvez, o ‘exame de ordem’ não seja o melhor instrumento de avaliação da qualidade do ensino médico brasileiro, mas somente com a continuidade desse projeto será possível chegar a uma avaliação mais detalhada. Estamos apenas no início do caminho”, diz Cabral. Para ele, não existe excesso de médicos, mas a ausência de políticas de saúde eficientes para melhor distribuição desses profissionais pelo País.

Para ele das 154 escolas médicas existentes no Brasil, muitas não tem a menor condição de manter as portas abertas. “Por ano, essas instituições de ensino oferecem 13.485 vagas. Só o Estado de São Paulo conta com 28 escolas médicas, com 2.558 vagas por ano”. Para Cabral, a principal pergunta a fazer é a quem interessa a abertura de tantas escolas na área da saúde e qual a contribuição social que a abertura de tantos novos cursos pode trazer para a medicina brasileira.


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