Exame
de ordem
Balanço mostra que poucos médicos
se submeteram à prova do Cremesp
O
Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp)
foi o primeiro órgão fiscalizador de classe a aplicar
uma prova de avaliação para médicos recém-formados.
Para relembrar, a primeira fase do exame foi em outubro, no qual cerca
de 1.000 sextanistas e médicos recém-formados foram avaliados
a partir de 120 questões sobre pediatria, ortopedia, ginecologia
e obstetrícia, cirurgia geral, clínica médica,
saúde pública, saúde mental, bioética e
ciências básicas. Dentre os participantes da primeira etapa,
686 foram habilitados a fazer o exame prático (acertaram pelo
menos 60% das respostas – a nota média foi 7,67), mas apenas
286 estudantes se interessaram em fazê-lo. Algumas conclusões
foram preocupantes: mais da metade dos estudantes e recém-formados
não souberam reconhecer um quadro grave de trauma torácico.
No entanto, o exame não teve caráter punitivo e nenhum
candidato foi reprovado.
Para o delegado do Cremesp, Arnaldo Guilherme, que acompanhou o exame
junto à Fundação Carlos Chagas, instituição
responsável pela elaboração do exame, a prova foi
capaz de medir não só os conhecimentos e poder de decisão
dos futuros médicos. “Não é uma prova que
visa reprovação ou classificação, mas apontar
se estão habilitados para o exercício da Medicina”,
salientou.
O médico Lecy Marcondes Cabral, da Escola Paulista de Medicina,
considera válida a iniciativa do exame. “Talvez, o ‘exame
de ordem’ não seja o melhor instrumento de avaliação
da qualidade do ensino médico brasileiro, mas somente com a continuidade
desse projeto será possível chegar a uma avaliação
mais detalhada. Estamos apenas no início do caminho”, diz
Cabral. Para ele, não existe excesso de médicos, mas a
ausência de políticas de saúde eficientes para melhor
distribuição desses profissionais pelo País.
Para ele das 154 escolas médicas existentes no Brasil, muitas
não tem a menor condição de manter as portas abertas.
“Por ano, essas instituições de ensino oferecem
13.485 vagas. Só o Estado de São Paulo conta com 28 escolas
médicas, com 2.558 vagas por ano”. Para Cabral, a principal
pergunta a fazer é a quem interessa a abertura de tantas escolas
na área da saúde e qual a contribuição social
que a abertura de tantos novos cursos pode trazer para a medicina brasileira.
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