Estratégia
vencedora
Como a Vicca ganhou mercado no
segmento de neuroclips, enfrentando as multinacionais
O produto:
vencendo resistências
Em
muitos momentos, os produtos de saúde brasileiros enfrentam não
só a concorrência estrangeira, como a desconfiança
dos próprios administradores e médicos brasileiros. Para
vencer essas resistências, em alguns casos justificáveis,
é preciso não só mostrar qualidade como montar
uma boa estratégia de marketing. A Vicca Equipamentos Biomédicos,
empresa gaúcha, fundada há 25 anos, e que fabrica clips
para aneurismas intracranianos, sentiu essas dificuldades na pele.
O produto nacional era alvo de muita desconfiança por parte dos
médicos, que preferiam os congêneres americanos ou europeus.
O neuroclip da Vicca – desde 2003 certificado nas “Boas
Práticas para Fabricação de Produtos Médicos-Hospitalares”
pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
–, feito de uma liga de titânio ou cobalto, tinha a mesma
qualidade das peças estrangeiras, garantiam os fabricantes aos
médicos. “Mas, tivemos que fazer um trabalho corpo a corpo,
médico a médico, e mostrar a qualidade do nosso produto,
enfrentando americanos e europeus, alguns com mais de cem anos no mercado”,
explica o administrador Amílcar Negrini, um dos sócios,
ao lado do ex-estudante de medicina e hoje engenheiro Victor Garcia
Cademartori.
A estratégia foi mais ousada do que parece. Para poder superar
um dos problemas crônicos de outros fornecedores, a falta de reposição
de material, a Vicca optou pela superprodução para gerar
um estoque estratégico. Hoje a empresa tem estocados cerca de
20 mil clips, o suficiente para atender ao mercado durante alguns meses.
Todos os estados brasileiros estão cobertos pelos distribuidores
da empresa para atender às necessidades durante a cirurgia, a
partir de conversas com os próprios médicos.
Mas, qualquer estratégia, por melhor que seja, precisa contar
com bom senso de oportunidade. Foi assim que a Vicca obteve uma aprovação
espontânea e importante. Ninguém menos que um dos maiores
especialistas do setor e recordista mundial de cirurgias neurológicas
com uso de clips, o médico Evandro de Oliveira. Dessa forma,
abriram-se portas para que outros profissionais aceitassem usar o produto,
desde setembro exportado para o Mercosul. Em 2006, a expectativa é
enfrentar o concorrente por dentro, entrando com tudo no mercado europeu.
“Só estamos aguardando os certificados da Comunidade Européia
para começar a vender”, diz Negrini. Para quem superou
resistências quase instransponíveis no Brasil, as perspectivas
externas são no mínimo promissoras.
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