Algo
em torno de R$ 90 mil eram jogados fora,
anualmente, com o desperdicio de alimentos no hospital
De
acordo com o dicionário, desperdiçar é não
aproveitar, é perda. Embora todo o avanço gerencial conquistado
pelas organizações hospitalares, nos últimos anos,
fruto po-sitivo dos movimentos de profissionalização da
gestão, dos programas da qualidade, da Acreditação
e dos critérios de excelência, o desperdício pode
ainda ser encontrado com facilidade em diversas áreas, setores,
unidades e processos, contribuindo para o aumento do já elevado
custo operacional.
Vejam a situação atual da Saúde Suplementar. Os
planos e seguros de saúde vivem momentos difíceis do ponto
de vista financeiro. É verdade que uma parte desse problema está
associada ao custo da tecnologia, mas também é verdade
que está intimamente ligada a uma avalanche de procedimentos
e práticas desnecessárias, que oneram as organizações.
É o desperdício de procedimentos, tecnicamente questionáveis
e desnecessários. Isso, sem entrar no mérito de outras
questões que não são de desperdício, mas
de cunho moral e ético como, por exemplo, a cobrança de
procedimentos que efetivamente não foram realizados – prática
ainda comum em diversos segmentos dos setores público e privado
da Saúde. As organizações são por isso obrigadas
a implementar processos, tecnologias e práticas gerenciais, visando
reduzir as possibilidades dessas fraudes, elevando os custos e alocando
recursos que poderiam ser empregados em outras esferas, como a melhoria
da remuneração dos profissionais. É o desperdício
de recursos financeiros que não são aproveitados onde
deveriam.
Existe também o desperdício de tempo. Hoje, com a gestão
participativa, com a descentralização do processo decisório
e com a necessidade de envolvimento, comprometimento e cooperação
dos profissionais, o volume de reuniões cresceu consideravelmente.
Com ele veio uma doença curiosa: a “reunite crônica”.
Para tudo se fazem reuniões. Reuniões sem planejamento,
sem pauta prévia, sem objetividade, sem decisão. Reuniões
que, se previamente preparadas e disciplinadas, poderiam durar 30 minutos,
e duram duas horas. Desperdício de tempo. São tantas reuniões
que os profissionais saem de uma para entrar noutra. Não há
tempo para preparar o assunto, para levar as questões já
pensadas e trabalhadas.
E o desperdício de recursos materiais como medicamentos, material
médico – o esparadrapo continua ainda tendo mil e uma utilidades,
serve para curativo, isolante em fios elétricos, colar cartazes,
reparar roupas, fixar objetivos etc. Em determinada ocasião trabalhávamos
em um hospital, desenvolvendo com a equipe de gestores um programa de
capacitação em metodologias e instrumentos de melhoria
de processos. Um alvo didático foi escolhido pelo coordenador
do serviço de nutrição e dietética: o desperdício
de alimentos. Embora o retorno de alimentos oriundos dos leitos hospitalares
ou do refeitório dos funcionários fosse prática
comum, os responsáveis nunca tinham medido, quantificado ou valorizado
financeiramente essa modalidade de desperdício. Foram orientados
a efetuar pesagem e medição por determinado período.
Os resultados foram surpreendentes para os gestores. Algo em torno de
R$ 90 mil eram jogados fora, anualmente, com o desperdício de
alimentos. Pesquisaram as causas, utilizando lista de verificação
e Diagrama de Pareto, descobrindo, por fim, que 78% dos alimentos que
retornavam das áreas de internação tinham como
causas:
•A
falta de comunicação sobre as altas do dia, levando o
Serviço de Nutrição e Dietética a enviar
refeição para pacientes que já haviam se retirado
do hospital.
•A transferência de pacientes para outros setores sem comunicação
ao serviço, igualmente fazendo que refeições fossem
encaminhadas para endereços internos errados.
•Tipo de dieta não informada na internação,
ensejando a remessa de dietas equivocadas aos pacientes.
Existem
ainda muitas outras formas de desperdício que demanda-riam mais
páginas. Todavia, mantendo a disciplina estabelecida pelo editor-chefe
ficamos por aqui, advertindo: com desperdício não temos
qualidade.
Contato:
gestao@uai.com.br
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