Janeiro/Fevereiro/
Março de 2006
NÚMERO 48
ANO 5

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RH
 
Armando Correa de Siqueira Neto
Professor de Gestão de RH pela Faculdade de Administração de Limeira (SP)
e de Pedagogia Empresarial da Faculdade Maria Imaculada de Mogi Guaçu (SP)

O pior inimigo está dentro de nós

Desenvolvemos a sensação de que produzimos
pouco e não somos úteis como gostaríamos

A auto-estima é bastante estudada nos últimos tempos e não é sem razão. Com variação de baixa a alta, ela faz enorme diferença na forma pela qual nos relacionamos com as pessoas, baseados na imagem que fazemos de nós mesmos. Existem alguns fatores que nos leva a ter um autoconceito favorável ou não. Um exemplo é o jeito como a criança é tratada na sua infância. Com desprezo ou arrogância, estimula-se o desenvolvimento de uma auto-imagem de inferioridade. Por outro lado, quando há valorização e justiça, é possível formar um bom autoconceito. Posteriormente, cada uma dessas manifestações leva o adulto a se comportar de um jeito ou de outro nas relações amorosas, profissionais etc.

O que deve ser considerado a partir dessa compreensão é que a auto-estima está dentro de cada um, e não fora, na visão alheia. Conforme o autoconceito, aceitamos ou não as impressões que as pessoas têm a nosso respeito. Podemos ser chamados de inteligentes ou simpáticos, porém, dificilmente fará sentido em nosso íntimo, se já tivermos formado uma imagem contrária. Há distorção entre o que cremos e o que mundo diz a nosso respeito.

É ai que mora o perigo. Convivemos com um inimigo: o autoconceito desfavorável. Ele pode dificultar o nosso progresso por causa do medo de errar e sofrer com a humilhação causada pelas experiências de fracasso ou pela falta delas. É ruim, e assim deixamos de fazer muitas coisas por causa da insegurança. Tentamos pouco e não persistimos. Perdemos a chance de avançar e conseguir. Às vezes, a crença limitadora é tão enraizada, que depositamos os nossos sonhos nas mãos dos outros, impedindo-nos de tomar atitudes que dependem exclusivamente de nós. Ficamos a disposição da sorte pela acomodação. Porém, tranqüilize-se. O fato é que dá trabalho. Pensar, superar, crescer e se desenvolver, gasta energia. Por quê então investimos tão pouco nessa mudança importante? A resposta está no ganho existente por trás desse tipo de comportamento limitador. Trata-se da lei do menor esforço. Menos trabalho, menor gasto de energia. Parece valer a pena. Mas, o custo não compensa.

É penoso modificar a si próprio e evoluir e, por tal razão, a crença na própria incapacidade causa a falsa sensação de que não podemos e, portanto, nem vale a pena empreender. A questão é que agimos assim sem ter consciência. Se a gente soubesse mesmo ficaria incomodado e, quem sabe, mudaria a situação. Quem não gostaria de to-mar conhecimento sobre a armadilha que é construída por si próprio? Mas, além de saber a respeito é preciso querer. Alguns estudiosos da psicologia definiram a vontade como uma energia disponível por meio dos pensamentos e da ação consciente. Ela pode ser uma combinação entre atenção e superação de medos, preguiça ou distração.

Sem conhecimento e vontade permanecemos presos a essa condição e não mudamos o autoconceito, além de dificultar o crescimento. Com o passar do tempo desenvolvemos a sensação de que produzimos pouco e não somos úteis como gostaríamos. Ficamos tristes e mais acomodados. Frustramos-nos e permanecemos desmotivados. É um processo que se alimenta dos próprios resultados. É um círculo vicioso, mantido pela falta de co-nhecimento a seu respeito e da necessária modificação.

Verdade seja dita. Se conhecer é essencial, e quanto mais investigamos o processo que desmotiva e nos prende ao círculo vicioso da crença na incompetência, maior se torna a chance de romper com ele. Mãos a obra! Podemos mudar e oferecer consciência no lugar da falta de conhecimento, vontade ao invés de acomodação e motivação inspiradora em troca da desmotivação que limita. É possível construir uma auto-estima equilibrada e favorecedora de acordo com o adequado autoconceito. Troque dentro de você o inimigo por um amigo e desfrute do amor próprio. Lute a seu favor.


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