Presidente
da Pró-Saúde
Ministério
da Doença
A solução
para a saúde do Brasil não é apenas
financeira, mas de vontade e competência dos gestores
O grito
de socorro dos hospitais filantrópicos e das santas casas brasileiros
não está sendo ouvido pelas autoridades competentes. Esse
brado chega ao seu limite, detonando uma crise imensurável com
a iminente quebra financeira dessas instituições. Por todo
o país, santas casas e hospitais filantrópicos estão
paralisando suas atividades, havendo necessidade premente que o governo
intervenha ou, o que é mais importante, haja maior participação
da sociedade organizada para evitar esse colapso.
O que mais surpreende é ver que a solução do problema
não é apenas financeira, mas depende da “vontade política”
dos governantes, somada à maior competência administrativa
de gestores públicos e privados, conforme apontam fatos e informações.
O Siatoef, empresa que faz estudos estatísticos, consolidou um
levantamento com mais de 2.000 instituições do setor da
saúde, com cruzamento de dados, e concluiu que em nosso país
o tratamento da doença custa, em investimentos, o correspondente
a 5,6% do Produto Interno Bruto (cerca de R$ 112 bilhões). Esse
mesmo investimento custaria, caso fosse focado na (prevenção)
da saúde em torno de R$ 183 bilhões (ou 9% do PIB). Portanto,
com mais R$ 70 bilhões instituir-se-ia um verdadeiro Ministério
da Saúde, em que os cidadãos teriam acesso a tratamentos,
preventivos ou não, evitando-se o custo do tratamento tardio, que
gera, segundo os estudos, despesas adicionais de R$ 286 bilhões
aos cofres públicos (ou seja, R$ 100 bilhões a mais).
Dados obtidos em empresas de medicina suplementar indicam que os planos
de saúde apresentam os custos abaixo (veja quadro).
Portanto, dos mais de 180 milhões de brasileiros que vivem nesse
imenso país, quase 140 milhões (77%) dependem exclusivamente
do SUS. Desses, apenas 60 milhões são atendidos (a tempo
ou tardiamente) pelo sistema público. Outros 80 milhões
não conseguem ou não necessitam do atendimento simultaneamente
(ou dentro das atuais condições do sistema, devem torcer
para isso). Os outros convênios existentes, por sua vez, atendem
23% da população (42 milhões de associados). Os atendimentos
particulares, por sua vez, são pouco mais de 1% do total (cerca
de 2 mi-lhões de pessoas), segundo dados obtidos pela Siatoef.
Notícias como a publicada pelo jornal Folha de São Paulo
no Sistema de Acompanhamento de Gastos Federais (Siaf) apontam que o governo
promete liberar verbas para projetos de interesse de deputados em busca
de votos no Congresso ou de apoio político. Projetos paralisados
no “Ministério da Saúde” (sic) contribuem, pelo
que se divulga, para economia de gastos destinados ao pagamento da dívida
pública ou a outros interesses não diretamente ligada à
saúde (a compra de aeronaves pelo governo, por exemplo, consumiram
em 2005 quase 13 vezes mais do que o projeto de estruturação
dos serviços de hematologia e hemoterapia, nos quais o Ministério
da Saúde mais gastou).
O custo Brasil da doença encarece as despesas com a Saúde.
Não, talvez, nos limites apontados pela análise do Siatoef
(R$ 286 bilhões), que deve ter usado os índices gastos na
medicina privada. Mas certamente permite concluir que por conta de interesses
po-líticos e da incompetência administrativa, estamos gastando
(ou melhor seria dizer, desperdiçando) dinheiro que poderia ser
a solução da Saúde dos brasileiros.
P.S.:
Este artigo teve a colaboração do Departamento de Diagnósticos
da Pró-Saúde.
Contato:
presidente@prosaude.org.br.
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