Professor de Administração Hospitalar e Saúde Pública
A nova revolução da informação
Os
líderes precisam entender que os
hospitais cuidam de doenças, não de saúde
Desde
que surgiram as novas ferramentas de processamento de dados, há
mais de 50 anos, têm-se exagerado e também subestimado a
importância das informações nas organizações.
Ocorreu um exagero a ponto de falar de “modelos de negócios”,
gerados em computador, que poderiam tomar decisões e até
mesmo dirigir grande parte do negócio.
Uma nova revolução da informação está
em andamento e começou nas empresas, com as informações
de negócios, e seguramente irá incluir todas as instituições
da sociedade e mudará o significado de informação
tanto para organizações como para as pessoas. Não
é uma revolução em tecnologia, equipamentos ou velocidade,
mas sim em conceitos. Ela não está acontecendo em Tecnologia
da Informação (TI), nem em Sistemas de Informações
Gerenciais (SIG).
Até agora o computador e a tecnologia da informação
não tiveram impacto nenhum sobre a decisão de construir
ou não um edifício, uma escola, uma clinica ou um hospital.
Não tem impacto algum sobre a decisão do fabricante de equipamentos
relativa a quais mercados entrar e em que produtos, ou sobre a decisão
de um grande banco de adquirir outro grande banco.
Para as tarefas da alta gerencia, a tecnologia da informação
foi até agora uma produtora de dados, ao invés de uma produtora
de informações – e menos ainda uma produtora de novas
e diferentes perguntas e estratégias. Não formulam perguntas
e não dão respostas, como: qual é o meu negócio?
o que me diferencia dos demais? qual é a definição
de resultados? quais as principais competências e o que elas tem
a ver com os resultados?
A contabilidade de custos tradicional mede o custo de fazer algo. O custeio
baseado em atividades também registra o custo de não fazer,
como o custo de máquinas paradas. Os custos de não fazer,
que a contabilidade de custos tradicional não pode registrar, muitas
vezes iguala ou supera o custo de fazer. Portanto, o custeio baseado em
atividades não produz apenas um controle de custos muito melhor,
mas sim o controle dos resultados.
As empresas são pagas para criar riqueza, não para controlar
custos. Isto requer quatro conjuntos de instrumentos para diagnósticos:
informações de base, produtividade, competência e
informações sobre alocação de recursos. Em
conjunto, constituem o conjunto de ferramentas do executivo para gerenciar
os negócios correntes. As informações de base referem-se
a projeções de fluxo de caixa e de liquidez e medições
de rentabilidade. As informações de produtividade referem-se
à análise de valor econômico adicionado (Economic
Value-Added Analysis – EVA) e o benchmarking provê as ferramentas
de diagnóstico para medir a produtividade total dos fatores e gerenciá-la.
As informações de competência baseiam-se em competências
essenciais que combinam o valor de mercado ou valor do cliente com uma
capacidade especial de produtor ou fornecedor, como a capacidade dos japoneses
para miniaturizar componentes eletrônicos. Por fim, a última
área são as informações de diagnóstico
para gerenciar a empresa para a criação de riqueza é
a alocação de recursos escassos: capital e pessoal com bom
desempenho. Eles determinam se a organização irá
se sair bem ou não.
Esses quatro tipos de informações só nos falam sobre
os negócios correntes. Eles informam e dirigem táticas.
Para a estratégia, precisamos de informações organizadas
do ambiente. A estratégia deve se firmar em informações
de mercados clientes e não clientes. A menos que sejam organizadas,
as informações ainda não passam de dados. Para terem
significado, elas precisam ser organizadas. Aqui esta um exemplo. A General
Eletric (GE) tem criado mais riqueza do que qualquer outra empresa do
mundo. Um dos principais fatores nesse sucesso foi que a GE organizou
as mesmas informações a respeito do desempenho de cada uma
das suas atividades de negócios de formas diferentes para finalidades
diferentes. Ela manteve os tradicionais relatórios financeiros
e de marketing, ma-neira pela qual os dados foram organizados para a estratégia
de longo prazo abordando quatro fatores: foco nos serviços, globalização,
e-bussines e seis sigma.
Segundo Jack Welch, ex-executivo da GE, administrar é simples,
e não se trata de ciência aeroespacial. Se há seis
diretores em uma sala de reunião com acesso a mesma informação,
normalmente chega-se a mesma conclusão. Só haverá
problema se não trabalharem com a mesma informação.
O impacto da revolução da informação ocorreu
em algo que praticamente ninguém previu ou, na verdade, nem era
mencionado há quinze anos: o comércio eletrônico através
da internet, tornando-se um canal importante de distribuição
de bens, serviços e empregos gerenciais e profissionais. Outro
segmento que teve um avanço extraordinário foi a biotecnologia.
No longo prazo, as informações sobre o exterior podem ser
as mais importantes de que os gestores da saúde necessitam para
seu trabalho. Ao mesmo tempo, são estas que precisam ser organizadas.
Elas não constituem apenas a base para ações corretas,
como também a base para os desafios de aumentar a produtividade.
Os serviços de saúde passarão por uma mudança
conceitual semelhante, deixando de ser definidos como luta contra a doença
para serem definidos como a manutenção do funcionamento
físico e mental. É claro que a luta contra a doença
continua a ser uma parte importante dos serviços médicos.
Nenhum dos provedores tradicionais de serviços de saúde,
o hospital e o clínico geral, poderão sobreviver a esta
mudança, certamente não em sua forma e função
atuais.
O que tudo isso realmente significa? Em primeiro lugar, que a tarefa do
executivo da saúde é definir uma direção clara
do que sua empresa quer dizer com “resultados”. Significa
que o executivo precisa ter uma compreensão clara de quando é
a hora de avançar e de recuar e quando é hora de abandonar
algo. O líder de amanhã não conseguirá liderar
pelo carisma. Ele precisará definir os fundamentos para que os
outros possam trabalhar de forma produtiva.
Contato:
eduardo@prosaude.org.br.
|