Abril/Maio/Junho
de 2006
NÚMERO 50
ANO 5

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CAPA
 

A GESTÃO DO COMPLEXO
O Hospital das Clínicas de São Paulo, o maior complexo hospitalar da América Latina, busca novos caminhos para melhorar sua gestão


HC: seis institutos, sete unidades auxiliares e 35 mil pacientes por dia

 

Os números do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) são, sob muitos aspectos, de grande porte. A começar pelo orçamento anual de mais de R$ 1 bilhão e pelo atendimento diário de 35 mil pacientes nos 13 edifícios do complexo. Aos 62 anos de idade, esbanjando novos projetos, o HC congrega 14 mil servidores para dar conta dos 2,5 milhões de atendimentos por ano, período em que são preparadas, por exemplo, nove milhões de refeições e 1,1 milhão de mamadeiras. Inaugura-o em 19 de abril de 1944, o HC abrange seis institutos (da Criança, de Ortopedia e Traumatologia, do Coração, de Radiologia, de Psiquiatria e Instituto Central), além de sete unidades auxiliares. As dificuldades da gestão são, igualmente, também do mesmo porte. Por isso, os responsáveis pela administração do HC vêm desde 2003 buscando novos caminhos e ferramentas para modernizar o gerenciamento de todo o complexo.


Teixeira: descentralização e defesa das fundações


Em 2003, o médico cirurgião e administrador hospitalar José Manoel de Camargo Teixeira foi indicado pelo Conselho Deliberativo do HC e designado pelo então governador do Estado Geraldo Alckmin para ser o superintendente do hospital, com um mandato que termina no final deste ano. Teixeira foi diretor executivo do Instituto de Coração por 23 anos e atualmente, além de responder pela parte gerencial do HC, coordena o curso de especialização em Administração Hospitalar e de Sistemas de Saúde da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas.


Implantar um modelo que desse maior autonomia aos diversos institutos que compõe o HC foi uma solução surgida do próprio crescimento que o complexo viveu nos últimos anos. “O HC teve duas grandes fases de crescimento, nas décadas de 40 e 50, e nas de 70 e 80”, explica o superintendente. Agora, o hospital vive uma nova fase de expansão. Até o final do segundo semestre, o HC passará a administrar o Instituto Dr. Arnaldo (veja quadro na página 24), que fica junto do complexo e que agregará mais 726 leitos aos 2.096 já existentes, um incremento de 35%. Do orçamento de mais de R$ 1 bilhão, R$ 650 milhões são repassados pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, a qual o hospital é ligado, e o restante gerado por receita própria, como convênios e Sistema Único de Saúde (SUS). Cerca de 95% do valor total é consumido pelas despesas de custeio. O que sobra, R$ 40 milhões a R$ 50 milhões é destinado a investimentos.


Coordenar tudo é o grande desafio de quem se propõe a administrar o HC. “Nossa proposta é, em primeiro lugar, trabalhar de forma integrada com a Faculdade de Medicina que, com o desenvolvimento do hospital, se transformou numa autarquia independente associada à USP”, explica Teixeira, que considera esse um ponto fundamental. O segundo ponto foi estabelecer uma gestão descentralizada, mais participativa e com maior autonomia operacional, técnica e orçamentária.


Há três anos foi estabelecido um plano estratégico, de forma a definir visão, missão e metas para a instituição. Foram elaboradas 17 diretrizes básicas, entre elas as que definiram o trabalho integrado entre as diversas unidades e institutos do HC, a descentralização administrativa, os programas de qualidade que seriam adotados, a gestão de Recursos Humanos e a gestão da tecnologia da informação. Para amarrar essas diretrizes foi proposto um modelo gerencial que visou formar lide-ranças baseadas nos critérios da Fundação para o Prêmio Nacional de Qualidade (PNQ) e do Prêmio Nacional de Gestão em Saúde (PNGS), que envolvem a excelência no que diz respeito aos líderes, planejamento, estratégias, satisfação de clientes e gestão de processos.

Foi criado um Núcleo de Planejamento e Gestão, com profissionais do próprio hospital com experiência nas bases do PNQ e esse grupo foi incumbido de conduzir internamente o modelo. Uma série de subnúcleos ficou responsável pela melhoria de áreas como jurídica, informática, planejamento estratégico e gestão de pessoas. Esses grupos “amarram” as propostas e as submetem ao Conselho Deliberativo e à superintendência.

As avaliações feitas após três anos é que a nova concepção gerencial trouxe melhoria no clima organizacional, qualidade dos serviços e aumentou a satisfação dos clientes.

A cada ano é feita uma revisão das metas. Para este ano e para o próximo, elas se resumem a 12, uma vez que parte delas foi cumprida nos três anos passados. Dentre essa dúzia de objetivos, o principal, segundo Teixeira, e que já está em processo, é inserir o HC como hospital de referência e excelência no SUS, o que hoje não acontece. Outro objetivo é dar um salto no que se refere à tecnologia da informação, de forma a informatizar todos os sistemas dentro da instituição, como prontuário eletrônico e arquivo de imagens digitalizada em todas as pontas.

Teixeira acredita também que um dos caminhos para gestão é o criado pelo Hospital do Coração de São Paulo (Incor), considerado o maior centro cardiológico da América Latina e que é administrado por meio da Fundação Zerbini, que permite flexibilização no que diz respeito a compras e gestão de pessoal. Mas, sem uma boa gestão nem esse modelo mais flexível está isento de problemas. A fundação, segundo o publicado na imprensa, tem atualmente uma dívida de R$ 200 milhões, para um orçamento anual de R$ 230 milhões. Boa gestão é a palavra-chave para qualquer caminho de sucesso.

HC: seis institutos, sete unidades auxiliares e 35 mil pacientes por dia

Teixeira: descentralização e defesa das fundações

Institutos: cada unidade ganhou mais autonomia gerencial

Metas: foram definidos 17 objetivos, como o que busca a satisfação do cliente


Ensino e prática

O Hospital das Clínicas recebe os alunos de graduação e pós-gradua-ção da Faculdade de Medicina da USP provenientes de várias estados. Atuam no complexo cerca de 880 médicos residentes de 40 especialidades médicas, além de 500 estagiários de pós-graduação lato senso e 1.600 pós-graduandos estrito lato. O hospital também forma especialistas em gestão de sistemas e instituições de saúde em conjunto com a Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, conhecido como Programa de Estudos Avançados em Administração Hospitalar e de Sistemas de Saúde (Proahsa). O HC possui ainda um Centro Avançado de Pesquisas, que engloba 62 laboratórios de investigação médica.
O HC foi pioneiro no Brasil em cirurgias de estrabismo, a laser, no transplante de córnea e medula, ultra-sonografia por contraste e produção de hormônio do crescimento. Realizou o primeiro transplante de rim e de coração da América do Sul, e o primeiro transplante de fígado do Brasil por doador morto e o primeiro intervivos do mundo. No país, foi o primeiro a adotar o sistema de dose unitária de medicamentos e o primeiro hospital público a desenvolver fertilização in vitro.


Mais 726 leitos


Depois de 15 anos paralisadas, as obras do Instituto Dr. Arnaldo foram retomadas em outubro de 2003 e devem ser concluídas até o fim do ano. A idéia inicial era a de um hospital dedicado exclusivamente à mulher. Agora, além disso, vai abrigar um centro de transplantes e um dedicado à oncologia. São 726 leitos, em 28 andares, que ocuparão uma área de 80 mil metros quadrados. O Instituto de Trans-plantes só não fará os cardíacos, que continuarão no Incor, conforme informou o secretário de saúde do Estado de São Paulo, Luiz Roberto Barradas Barata. Até agora, o investimento total foi de cerca de 200 milhões de reais.

Fazem parte do HC

Institutos

• da Criança

• de Ortopedia e Traumatologia

• do Coração

• de Radiologia

• de Psiquiatria

• Instituto Central – Prédio dos Ambulatórios Undidades

• Hospital Auxiliar de Cotoxó

• Hospital Auxiliar de Suzano

• Hospital Estadual de Sapopemba

• Casa da Aids

• Divisão de Medicina de Reabilitação

• Centro de Medicina Nuclear


Indicadores

• Orçamento anual de R$ 1 bilhão

• 2.096 leitos (até o fim do ano serão agregados mais 726 do Instituto Dr. Arnaldo)

•14.245 funcionários no total

• 1.400 médicos

• 2.780 enfermeiros e auxiliares de enfermagem

• 45.000 cirurgias/ano

• 550.000 atendimentos no pronto-socorro (ano)

• 5.500 toneladas de roupas lavadas (ano)

• 500 mil seringas por mês

• 9 milhões de refeições e 1,1 milhão de mamadeiras preparadas (ano)


                                                                    

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