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Coordenador
executivo do Programa da Qualidade da Fundação Hemominas
e do Núcleo da Qualidade no Serviço Público (MG) A acreditação e a gestão por processos É preciso
modernizar as organizações da saúde, tipicamente
Uma
organização ou uma burocracia, no sentido técnico
do termo definido pelo sociólogo alemão Max Webber, é
qualquer sistema social formal onde a divisão do trabalho é
estabelecida de forma sistemática e coerente e os recursos racionalmente
repartidos de modo a proporcionar o alcance dos fins (metas) desejados.
Podemos reconhecê-la por algumas características: divisão
formal e racional do trabalho orientada por normas escritas, de caráter
coercitivo (quem não cumprir será punido), capazes de
levar à conquista dos objetivos almejados; impessoalidade (a
norma cria um cargo e se definem atribuições, funções,
independentes dos indivíduos); estrutura vertical de autoridade
e poder. Um
hospital tradicional é uma típica organização
burocrática. Nele encontramos traços característicos
desse modelo como também inúmeras disfunções
típicas: inflexibilidade gerencial e administrativa, baixo desempenho,
comunicação ineficaz, excesso de papel ou de normas eletrônicas,
conflitos entre classes profissionais, silos funcionais (cada um cuidando
do seu), distanciamento do cliente/cidadão etc. Como realizar esta transformação? A abordagem por processos preconizada pelo Manual Brasileiro de Acreditação – ONA é um bom e grande começo. Nos padrões descritos em cada uma das subseções dos três níveis – segurança (nível 1) organização (nível 2), práticas de gestão e qualidade (nível 3) – vamos encontrar o processo no centro da gestão. Sem a adoção de uma abordagem por processos, dificilmente a organização alcança o nível 1 de acreditação, que tem sido errônea e ingenuamente definido por alguns como o nível mais simples, mais fácil. Com a visão do processo bem consolidada, os silos funcionais tendem a desaparecer e os profissionais tendem a atuar de forma colaborativa e em equipes multidisciplinares, focadas não somente nos interesses do seu setor, mas nos resultados e na atuação nas diversas fases. A organização passa a compreender melhor as interrelações entre os processos e o impacto sistêmico dos resultados de cada etapa no desempenho global. A comunicação melhora e os conflitos tendem a diminuir. No
entanto, o modelo burocrático, suas vantagens e disfunções
persistirão por um bom tempo assim como a autoridade e o poder,
o império do regulamento e a coerção da norma,
além da famigerada impessoalidade ainda serão muito utilizados
porque mudanças são feitas com a melhoria e com a evolução
dos textos, dos contextos e, especialmente, das testas dos homens. Contato: gestao@uai.com.br topo |