Hospitais
começam a permitir visitas até durante todo o dia

Valéria: "Voz
familiar é um bom estimulo"
Em
nome da humanização e na ajuda à recuperação
do paciente, o conceito de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) restritas
a visitas começa a ser questionado por alguns hospitais. O jornal
“O Estado de S. Paulo” publicou no início de agosto
alguns hospitais em que as UTIs foram abertas a visitas durante as 24
horas do dia. Na reportagem são citados os hospitais Santa Catarina,
Nove de Julho, Sírio-Líbanês e Albert Einstein,
todos em São Paulo.
“A presença dos familiares mais próximos leva conforto
ao paciente, reduz a ansiedade e ajuda na recuperação.
Ouvir uma voz familiar pode ser um bom estímulo paira o doente”,
diz a médica especialista em UTI Valéria Pinheiro. Para
Valéria, há quem acredite que os visitantes representem
riscos de infecção hospitalar aos pacientes. Ou, ainda,
quem estranhe que, hoje em dia, enfermeiros e médicos não
precisam mais vestir luvas, avental e touca para entrar no leito de
UTI. “Trabalhos científicos comprovaram, nos últimos
anos, que essa conduta não evita a infecção hospitalar”,
afirma.
Para a médica, a infecção hospitalar é causada
por germes intra-hospitalares e não por aqueles trazidos do ambiente
externo. “As mãos é que são uma das maiores
vias de transmissão de infecção. Portanto, a prevenção
mais eficiente é lavar as mãos antes e depois da visita
ao doente”. Mesmo fazendo parte da recuperação de
uma pessoa internada na UTI, os familiares devem ser orientados pela
equipe multidisciplinar envolvida no tratamento. “A visita pode
ser um fator de estresse nos casos em que os parentes se mostram ansiosos,
angustiados ou impactados por conta dos aparelhos, alarmes e monitores.
Nesses casos, há todo um trabalho que o psicólogo do hospital
pode fazer com a família, tudo em benefício do paciente”,
diz a médica.
Valéria explica que no caso do Hospital Paulistano, onde atua,
flores e alimentos não são permitidos dentro do ambiente
de UTI e que deveriam ser evitados em qualquer tipo de visita. “Levar
fotografias, livros, revistas e artigos religiosos que remetam o pensamento
do paciente a seu ambiente doméstico podem inclusive ajudar na
recuperação”, afirma.

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