Julho/Agosto/Setembro
de 2006
NÚMERO 51
ANO 5

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Brasil
 
Bruno Hoffmann

Ruim, e além da conta

Pelo que o Brasil gasta com Saúde, a mortalidade infantil deveria ser a
metade e expctativa de vida cinco anos maior.

A Federação do Comércio de São Paulo (Fecomercio) e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas de São Paulo (Fipe) vão encaminhar aos candidatos à presidente da República o estudo batizado de “Simplificando o Brasil”, um diagnóstico feito pelas duas entidades sobre a eficácia das despesas governamentais e um levantamento detalhado de questões tributárias, previdenciárias e trabalhistas em diversos setores, entre eles o da saúde. O estudo indica metodologias para aumentar o desempenho dos gastos governamentais nos setores essenciais.
No capítulo da saúde os pesquisadores sugerem métodos de investimento, enxugamento de gastos e aumento de produtividade. De acordo com o relatório, o Brasil tem um gasto com saúde per capita acima da média mundial. O que poderia ser uma boa notícia, na verdade mostra que a produtividade desses gastos é muito baixa. “O Brasil gasta, de acordo com a renda per capita, valores aceitáveis. Mas um dos principais problemas é que há ênfase na saúde curativa, e não na preventiva. Essa é uma das causas de a produtividade ser aquém da necessária”, explica Altamiro Carvalho, assessor econômico da Fecomercio. Comparado a indicadores internacionais, o estudo afirma que pelos gastos brasileiros em saúde a mortalidade infantil deveria ser a metade da atual e a expectativa de vida cinco anos mais longa.
O estudo propõe nove itens a serem seguidos para até 2050 para aumentar a eficiência dos serviços de saúde. As propostas apresentadas indicam caminhos que aumentem os gastos de consumo do governo à mesma taxa de crescimento da população brasileira. “O que nos falta é uma grande agenda, a longo prazo, que defina as ações que devem ser feitas na saúde. O que observamos são apenas ações pontuais, sem a organização técnica que esse assunto merece”, acredita Carvalho.

O que o estudo propõe

• Aprimorar o acompanhamento das despesas definidas na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que fixa limites para endividamento do setor público e parâmetros para despesas com pessoal ativo e inativo. A primeira medida a ser implementada é a de definir o limite de endividamento para o Governo Federal. Até hoje só existem esses limites para os estados e municípios.

• Desde sua promulgação, em maio de 2000, chegou-se a um momento importante da vigência da lei, que é aquele em que a gestão completa de uma esfera de governo – a municipal – vai ser avaliada com ba-se nos parâmetros da LRF. Pelo estudo, a LRF tem que ser cumprida e os desvios punidos pela Lei dos Crimes de Responsabilidade Fiscal.
• É fundamental a criação do Conselho de Gestão Fiscal previsto na LRF. Esse conselho tem entre suas atribuições definir com grande detalhe metodológico os parâmetros de avaliação da gestão dos recursos públicos. Isso aumentaria a transparência, facilitaria a fiscalização, e evitaria as “maquiagens” na apresentação dos relatórios de gestão fiscal.

• Implementar cortes graduais nos gastos públicos e melhorar a gestão dos recursos disponíveis, caso contrário o gasto per capita continuará aumentando. Freqüentemente, têm surgido propostas de desvinculação de receitas do governo como forma milagrosa e única para controlar os gastos públicos. Isso não é o suficiente já que grande parte das despesas é obrigatória (64%) e já existe certa flexibilização nas vinculações, pela permissão de pagamentos de despesas obrigatórias, como a de pessoal com esses recursos. Hoje existe a Desvinculação Temporária de Recursos da União (DRU) que atinge 20% das receitas do governo federal. Uma ampliação dessa desvinculação de receita para 40% reduziria a rigidez orçamentária.

• Criar limites mínimos para gastos com educação e saúde, que devem ser flexibilizados. A área de saúde passou a ter uma regra rígida de alocação intertemporal de recursos, pela qual os gastos do governo devem crescer pela taxa de variação do PIB nominal, o que, segundo o estudo, não é adequado.

• Reduzir as vinculações de receita. Vinculações de receita e gastos mínimos elevados representam, para os coordenadores do estudo, enorme desestímulo à eficiência no gasto público, já que os recursos estão garantidos. Adicionalmente, essa rigidez impõe que o crescimento da economia no longo prazo transforme automaticamente o aumento de receita do governo em despesa, o que inviabiliza a proposta de Reforma Fiscal também definida no trabalho da Fipe e do Fecomércio.

• Reduzir gastos com pessoal e fraudes com relação às despesas públicas. Redução em gastos com pessoal podem ser obtidos pela redução do número de ministérios, de órgãos públicos, de secretarias, assim como pelo corte de pessoal por insuficiência de desempenho ou excesso de contingente, como está estabelecido na reforma administrativa. Como exemplo de fraude, pode-se citar o que está acontecendo com as despesas destinadas ao auxílio-doença: nos últimos dois anos houve grande crescimento dos gastos nessa rubrica por falta de fiscalização.

• Para racionalizar despesas com pessoal, o Governo Federal e os estados e municípios, inclusive os Poderes Legislativo e Judiciário, devem adequar a folha de pagamentos do funcionalismo público aos padrões de mercado e reduzir o elevado absenteísmo no serviço público.

• Ampliar a cobertura das compras governamentais por meio de leilões eletrônicos. Experiências na administração pública do Estado de São Paulo indicam economia de até 27% nas compras de bens e serviços efetuadas por esse meio. O “governo eletrônico” também pode reduzir custos com pessoal.

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