Julho/Agosto/Setembro
de 2006
NÚMERO 51
ANO 5

PRINCIPAL

SALA DE ESPERA
SAÚDE GERAL
EDITORIAL 
ENTREVISTA
CAPA
REPORTAGENS
-PESQUISA
-BRASIL
-INVESTIMENTO
-ATENDIMENTO
-ASSISTÊNCIA
PRÓ-NOTÍCIAS
CRÔNICAS MÉDICAS
EM ÚLTIMA ANÁLISE
EXPEDIENTE
EDIÇÕES ANTERIORES
FALE CONOSCO
ARTIGOS
-DO LEITOR
-RECURSOS HUMANOS
-HUMANIZAÇÃO
-INTERFACE
-MARKETING
-SAÚDE PÚBLICA
-ADMINISTRAÇÃO
-JURÍDICO

Clique para ampliar

 



























































































 

CRÔNICAS
 
Sergio Fausto
Administrador Hospitalar e Diretor de Desenvolvimento da Pró-Saúde

 

Era uma vez

Pensar no futuro, mas sem esquecer o presente, pois senão este será
volátil, ilusório e frustrante

Quantas e quantas vezes em nossa infância escutamos estórias cujo início era o tradicional “era uma vez...” e sempre ao seu fim tudo acabava bem, a alegria era uma constante, a felicidade servia de pano de fundo para todas as situações e principalmente todos ficavam felizes pelas realizações ocorridas, fossem elas um encontro, uma superação, uma descoberta ou mesmo permanecer vivo.

Crescemos acreditando que, assim como nas estórias, nossas vidas terão o mesmo desfecho. Na adolescência descobrimos que podíamos voar em nossos sonhos, acreditar na liberdade, acreditar nas pessoas e que todos são nossos amigos. Agora somos adultos e o que vemos?

Quando trabalhamos, temos que cumprir metas, a competição é uma constante, boicotes, falsidades, máscaras, e principalmente hipocrisia. Passamos a fazer parte de um jogo, no qual somos manipulados de acordo com a vontade de poucos que por hora estão no poder ou se sentem no poder. Peças perdidas são peças descartadas sem direito a se defender ou mesmo saber o porquê. O ser humano reduzido a números e resultados e por ironia do destino somos revestidos de rótulos da humanização, respeito e principalmente profissionalismo.

Onde está o “era uma vez....” de outrora? Onde está nosso desejo de ser feliz? Onde está nossa credibilidade no futuro e nossa vontade de fazer diferente? Tudo ilusão? Não, apenas realidade.
Tudo existe. No entanto, depende de como enxergamos a situação. Nem tudo é o paraíso, mas o inferno está longe de ser a realidade. A ponderação é primordial. A frustração é uma realidade (bem-vindo ao aqui e agora). O futuro é uma incógnita. Portanto, o principal é viver o presente.

Alguém já ouviu alguma estória infantil falando que Gepeto fez um planejamento estratégico ao construir Pinóquio e que este no futuro seria seu filho? Não. Por que será? Acredito que a resposta é simples. Temos que pensar no futuro, mas sem esquecermos o presente, pois senão este será volátil, ilusório e principalmente frustrante. Temos que buscar nossas alegrias no agora, no hoje.

Sabemos que se fizermos bem o hoje, o aqui e agora, tendo moral e principalmente princípios, certeza de que a justiça está em cada segundo de nossas vidas, vontade de lutar, de superar-se e desejo de viver intensamente, vamos chegar à conclusão que sempre temos algo mais a fazer.

Muitas vezes ao assistirmos filmes, lermos estórias e notícias, ficamos sensibilizados. Num flash pensamos em nossa vida e em nossos familiares, podemos ficar até emocionados, mas como foi dito anteriormente, foi um flash. Sabemos que a melhor forma de não enfrentar um problema é distanciar-se dele, anular-se ou mesmo omitir-se. Ou seja, os tradicionais “não é comigo”, “não sei de nada” e “não me comprometa”. Egoísmo total e absoluto. Ficamos cegos pelo “eu” e acabamos nos esquecendo do “nós”. Esquecemos das pessoas importantes de nossas vidas, independente do laço que nos liga a elas, o que aprendemos, vivemos ou mesmos convivemos.

Quando chegarmos ao final da nossa vida, no tradicional balanço de tudo que passamos, vivemos e sentimos, vamos chegar a conclusão que um dia sonhei ser um grande homem, realizado profissionalmente, com uma família, muitos amigos e principalmente feliz. Passei a acreditar que a felicidade não era importante e sim ser realizado profissionalmente, ter família e amigos. Posterior-mente, vi que os amigos poderiam interferir na minha realização e que o fundamental era ser realizado profissionalmente e com uma família. Quando me senti no auge da maturidade, vi que a família era apenas um acessório, o principal de tudo era ser grande, me perpetuar em minha posição profissional e garantir meu crescimento e desenvolvimento profissional. “Eu sou o centro do mundo e o que importa”. Cheguei ao momento em que vi que sozinho não era nada. Podia ter realização profissional, destaque, falsos amigos, reconhecimento, mas tudo efêmero, passageiro, ilusório, e tardiamente descobri que minha realidade era um grande homem vazio e sozinho. E a pergunta que sempre vem nesta hora: onde estão meus familiares e meus amigos? A própria consciência irá me responder, mesmo não aceitando ou não querendo acreditar. Ficaram pelo caminho marcados pela tristeza, abandono, esquecimento ou mesmo a traição.

Agora, que estamos em um momento em que temos nossos familiares, amigos e estamos em desenvolvimento profissional, temos que lembrar sempre e principalmente acreditar em nossos sonhos e desejos de outrora, pois o futuro será o resultado de nosso presente.

 

Contato:
sergio@prosaude.org.br


                                                                topo