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Administrador
Hospitalar e Diretor de Desenvolvimento da Pró-Saúde
Era
uma vez
Pensar
no futuro, mas sem esquecer o presente, pois senão este será
volátil, ilusório e frustrante
Quantas
e quantas vezes em nossa infância escutamos estórias cujo
início era o tradicional “era uma vez...” e sempre
ao seu fim tudo acabava bem, a alegria era uma constante, a felicidade
servia de pano de fundo para todas as situações e principalmente
todos ficavam felizes pelas realizações ocorridas, fossem
elas um encontro, uma superação, uma descoberta ou mesmo
permanecer vivo.
Crescemos acreditando que, assim como nas estórias, nossas vidas
terão o mesmo desfecho. Na adolescência descobrimos que podíamos
voar em nossos sonhos, acreditar na liberdade, acreditar nas pessoas e
que todos são nossos amigos. Agora somos adultos e o que vemos?
Quando trabalhamos, temos que cumprir metas, a competição
é uma constante, boicotes, falsidades, máscaras, e principalmente
hipocrisia. Passamos a fazer parte de um jogo, no qual somos manipulados
de acordo com a vontade de poucos que por hora estão no poder ou
se sentem no poder. Peças perdidas são peças descartadas
sem direito a se defender ou mesmo saber o porquê. O ser humano
reduzido a números e resultados e por ironia do destino somos revestidos
de rótulos da humanização, respeito e principalmente
profissionalismo.
Onde está o “era uma vez....” de outrora? Onde está
nosso desejo de ser feliz? Onde está nossa credibilidade no futuro
e nossa vontade de fazer diferente? Tudo ilusão? Não, apenas
realidade.
Tudo existe. No entanto, depende de como enxergamos a situação.
Nem tudo é o paraíso, mas o inferno está longe de
ser a realidade. A ponderação é primordial. A frustração
é uma realidade (bem-vindo ao aqui e agora). O futuro é
uma incógnita. Portanto, o principal é viver o presente.
Alguém já ouviu alguma estória infantil falando que
Gepeto fez um planejamento estratégico ao construir Pinóquio
e que este no futuro seria seu filho? Não. Por que será?
Acredito que a resposta é simples. Temos que pensar no futuro,
mas sem esquecermos o presente, pois senão este será volátil,
ilusório e principalmente frustrante. Temos que buscar nossas alegrias
no agora, no hoje.
Sabemos que se fizermos bem o hoje, o aqui e agora, tendo moral e principalmente
princípios, certeza de que a justiça está em cada
segundo de nossas vidas, vontade de lutar, de superar-se e desejo de viver
intensamente, vamos chegar à conclusão que sempre temos
algo mais a fazer.

Muitas vezes
ao assistirmos filmes, lermos estórias e notícias, ficamos
sensibilizados. Num flash pensamos em nossa vida e em nossos familiares,
podemos ficar até emocionados, mas como foi dito anteriormente,
foi um flash. Sabemos que a melhor forma de não enfrentar um problema
é distanciar-se dele, anular-se ou mesmo omitir-se. Ou seja, os
tradicionais “não é comigo”, “não
sei de nada” e “não me comprometa”. Egoísmo
total e absoluto. Ficamos cegos pelo “eu” e acabamos nos esquecendo
do “nós”. Esquecemos das pessoas importantes de nossas
vidas, independente do laço que nos liga a elas, o que aprendemos,
vivemos ou mesmos convivemos.
Quando chegarmos ao final da nossa vida, no tradicional balanço
de tudo que passamos, vivemos e sentimos, vamos chegar a conclusão
que um dia sonhei ser um grande homem, realizado profissionalmente, com
uma família, muitos amigos e principalmente feliz. Passei a acreditar
que a felicidade não era importante e sim ser realizado profissionalmente,
ter família e amigos. Posterior-mente, vi que os amigos poderiam
interferir na minha realização e que o fundamental era ser
realizado profissionalmente e com uma família. Quando me senti
no auge da maturidade, vi que a família era apenas um acessório,
o principal de tudo era ser grande, me perpetuar em minha posição
profissional e garantir meu crescimento e desenvolvimento profissional.
“Eu sou o centro do mundo e o que importa”. Cheguei ao momento
em que vi que sozinho não era nada. Podia ter realização
profissional, destaque, falsos amigos, reconhecimento, mas tudo efêmero,
passageiro, ilusório, e tardiamente descobri que minha realidade
era um grande homem vazio e sozinho. E a pergunta que sempre vem nesta
hora: onde estão meus familiares e meus amigos? A própria
consciência irá me responder, mesmo não aceitando
ou não querendo acreditar. Ficaram pelo caminho marcados pela tristeza,
abandono, esquecimento ou mesmo a traição.
Agora, que estamos em um momento em que temos nossos familiares, amigos
e estamos em desenvolvimento profissional, temos que lembrar sempre e
principalmente acreditar em nossos sonhos e desejos de outrora, pois o
futuro será o resultado de nosso presente.
Contato:
sergio@prosaude.org.br
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