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Na busca de líderes
“O
lidér deve ter cinco atitudes básicas: ouvir sem julgar,
ser autêntico, construir um clima saudável,
Teresinha Covas Lisboa – Existem vários conceitos de liderança. O estilo aparece naturalmente, à medida que vão surgindo e crescendo as equipes. Não podemos engessar uma organização com um determinado modelo. A liderança corporativa pode ser um bom conceito, mas dependerá do perfil e do estilo de liderança dos dirigentes. Os processos de qualidade, também, com suas revisões e análise da cultura da organização, acabam por criar um ambiente em que os estilos de liderança são descobertos. NH – A seu ver, a liderança pode já ser considerada uma especialização ou é mais um atributo que os profissionais devem buscar? Teresinha Covas Lisboa – A lide-rança é atualmente objeto de estudo de vários tipos de organizações. Se considerarmos como uma especialização acadêmica, atualmente temos programas que estudam a liderança como teoria. No caso de ser um atributo, os profissionais devem buscar o aprimoramento para que possam melhorar suas relações de trabalho e as condições de trabalho dos liderados, no sentido de atingir resultados eficazes e produtivos para a organização. Teresinha Covas Lisboa – Acho que podemos descobrir líderes. A lide-rança é uma qualidade que está intimamente ligada àquele que dirige uma unidade ou a organização. Não podemos confundir o líder com o gerente. O líder prepara sua equipe para as mudanças e o gerente busca a ordem e a continuidade. Podemos, sim, descobrir nas equipes aquele que poderá ser o líder e aprimorar as condições de conhecimento. NH – E como reconhecer um verdadeiro líder? Teresinha Covas Lisboa – Podemos relacionar cinco atitudes básicas. Primeiro ouvir. Ouvir sem julgar, procurando discutir com a equipe as preocupações e dúvidas existentes. Segundo, ser autêntico, admitindo seus erros e acertos abertamente. Em terceiro construir um clima saudável entre os liderados, valorizando todas as ações da equipe. Em quarto lugar, partilhar o poder, delegando funções. E, em quinto, desenvolver as pessoas, criando um ambiente de expansão. Aquele que conseguir reunir todas essas atitudes tem condições de liderar com comprometimento e com a certeza de criar seus sucessores. Considero essas atitudes como uma lição de sabedoria. NH – Como você analisa o atual momento da gestão hospitalar no Brasil? Teresinha Covas Lisboa – Considero um momento muito promissor. A visão empresarial, em substituição a assistencial, provocou uma in-quietação nos profissionais de saúde. Temos visto congressos, seminários, cursos de graduação, de extensão, cursos de pós-graduação, enfim, atividades que vêm ao encontro das necessidades dos gestores. A profissionalização passou a ser um indicador de crescimento e de melhoria da qualidade dos serviços prestados à comunidade. O crescimento da área hospitalar possibilitou a geração de novos empregos e de novas profissões. NH – Estamos numa fase de mudança de governo. A Sra. está otimista em relação à política pública da saúde para os próximos quatro anos?
NH – O SUS é ainda o melhor modelo para administrar a saúde pública no país? Teresinha
Covas Lisboa – Legal-mente, sim. Somos elogiados pela
legislação do SUS. Porém, a gestão das políticas
públicas é que poluem a efetividade do modelo. Precisamos
ter gestores que realmente se preocupem com a saúde da população. Teresinha Covas Lisboa – Para isso, seria necessário Implementar programas de saúde que não sofram a interferência política. Seria importante que os programas sociais englobassem a obrigatoriedade de exames periódicos de saúde física e mental, saúde bucal, entre outros. E o maior salto seria a interatividade com a área da educação, no qual as escolas fariam o acompanhamento conjunto com a saúde. É importante, também, que haja um programa de conscientização da necessidade na prevenção das doenças. O Ministério da Saúde tem condições de organizar e administrar essas campanhas. Basta ter boa vontade e responsabilidade. NH
– Você acredita que estamos preparando bons gestores para
os novos desafios que o setor da saúde exige? NH – Há um grande líder na área de saúde do Brasil hoje? Teresinha
Covas Lisboa – Encontramos vários líderes.
Nas grandes cidades, nos pequenos hospitais localizados no sertão
do Nordeste, nas Santas Casas de cada estado. O grande líder
na área de saúde no Brasil, hoje, não é
aquele que administra com folga de caixa. É aquele que, usando
de sua criatividade, consegue administrar seu hospital ou serviço,
oferecendo bons serviços, corpo profissional preparado e eficiente
atendimento à população. Temos um exemplo muito
importante, que são os projetos que participam do Prêmio
Johnson & Johnson. Ali encontramos participantes que vivem no anonimato,
mas que são verdadeiros líderes. Administram sem recursos,
têm a confiabilidade da população e alcançam
resultados em suas propostas de trabalho.
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