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Consultoria
de Enfermagem e Especialista em Administração
Hospitalar e Saúde Pública
A
Começar por nós
Para
que haja ética e uma assistência humanizada
é preciso "perceber" o outro
O hospital
é um ambiente complexo e sua razão de ser são as
pessoas e não apenas seus problemas físicos ou psíquicos.
Diversas iniciativas têm sido implementadas no sentido de resgatar
a dimensão do cuidado, reconhecer que o ofício da equipe
de saúde não se encerra nas possibilidades terapêuticas,
ao contrário, vai muito além dela (Balint, 1984).
Nos últimos anos, temos assistido a estruturação
de diversificados programas de humanização, procurando se
aproximar da individualidade do cliente, respeitando a essência
do Ser – emoções, crenças, valores, particularidades
e que implica ainda na valorização do profissional e do
diálogo inter equipes. Vários projetos de humanização
vêm sendo desenvolvidos em áreas específicas da assistência.
Por exemplo, para a saúde da criança (Doutores da Alegria,
Projeto Canguru para recém-nascidos de baixo peso, brinquedotecas,
Contadores de Histórias), para a saúde da mulher (presença
do pai na sala de parto, humanização do parto), em UTIs
(comemoração de aniversários, flexibilidade nos horários
de visitas), em Centro Cirúrgico (mães que acompanham crianças
na sala de recuperação), áreas de acolhimento em
serviços de pronto atendimento.
Para uma avaliação da tarefa assistencial deve-se considerar
que o paciente está inserido em um contexto pessoal, familiar e
social complexo. A assistência deve fazer uma leitura das necessidades
pessoais e sociais do paciente – na instituição interagem
as necessidades de quem assiste e de quem é assistido.
As reflexões sobre a tarefa assistencial conduzem também
ao campo ético. A questão surge quando alguém se
preocupa com as conseqüências que sua conduta tem sobre o outro.
Para que haja ética e uma assistência humanizada é
preciso “perceber” o outro. A humanização é
um processo amplo, demorado e complexo, ao qual se oferecem resistências,
pois envolve mudanças de comportamento, que sempre despertam insegurança.
Os padrões conhecidos parecem ser sempre os mais seguros. É
importante ressaltar que cada instituição deve ter seu programa
próprio de humanização, utilizando-se de elementos
da sua realidade. Dessa maneira, o envolvimento e a aceitação
serão maiores e mais rápidos. No processo devem estar envolvidas
várias instâncias, profissionais de todos os setores, direção
e gestores da instituição.
Merece reflexão a atual tendência e as ações
humanizadoras no âmbito institucional: como se comportam as relações
humanas entre indivíduos? Como trabalhar pela humanização
em ambientes de saúde, se cada vez mais as pessoas se individualizam
em casulos, vivendo para si e seus objetivos? Precisamos começar
a humanizar as relações mais básicas: familiares,
profissionais, institucionais.
Nesse sentido, humanizar a assistência hospitalar implica em dar
lugar tanto à palavra do usuário quanto à dos profissionais
da saúde, de forma a que possam fazer parte de uma rede de diálogo,
que pense e promova ações, campanhas, programas e políticas
assistenciais a partir da dignidade ética da palavra, do respeito,
do reconhecimento mútuo e da solidariedade. Podemos refletir sobre
a frase de Leo Tolstoy: ”Todos querem mudar o mundo, mas ninguém
quer mudar a si mesmo”. Como criar ambientes mais humanos se não
lembrarmos de começar o processo por nós mesmos? .
Contato: cristina@prosaude.org.br
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