Julho/Agosto/Setembro
de 2006
NÚMERO 51
ANO 5

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INTERFACE
 
Raul Marcos Fouyer
Administrador de empresas e consultor em Tecnologia da Informação
na área da Saúde

 

A importância da informação

Alguns hospitais simplemente acumulam dados resultantes do processamento,
sem nenhum uso inteligente deles

O que tem mais valor nos dias de hoje? Dinheiro, metais preciosos, petróleo, papéis negociáveis nas bolsas de valores? Nenhuma das alternativas. O que possui maior valor é a informação. Isso mesmo. A boa e velha informação.
Só que a informação como hoje a conhecemos, acumulada e tratada sem critérios estruturados, metódicos e sistemáticos, não apresenta valor agregado algum. Pelo contrário, apenas cria uma massa cri-tica de dados inconsistentes e sem utilidade prática. Pouca gente e, principalmente, poucas organizações, conseguem enxergar o óbvio e entender sua importância estratégica para a operação dos negócios.
Entender como as informações nos chegam, como são processadas e como se pode extrair substratos inteligentes dessa massa critica, realmente pode fazer diferença muito grande. Pode ser fundamental para o sucesso ou fracasso de qualquer empreitada.
Empresas emergentes ou indivíduos que prosperam rapidamente têm por traz estratégias de tratamento da informação consistentes, mesmo que intuitivas, em que prevalece a prática do bom senso e do óbvio. Empresas com operações globais também praticam o óbvio, com planejamento estratégico consistente e tratamento das informações corporativas adequado, dando-lhes ganho de escala e redução de custos.
Uma simples informação veiculada nos jornais diários, se bem interpretada, pode propiciar ganhos substancias no mercado financeiro. Ou seja, é a informação disponível, porém nem sempre compreendida ou bem utilizada.
O tratamento da informação ganhou um impulso muito grande com o advento da tecnologia da in-formação. Até dez ou quinze anos atrás, tratar informação através de meios computadorizados era privilégio de grandes corporações, principalmente bancos, seguradoras e grandes empresas multinacionais. O preço dos computadores, e dos bancos de dados, caíram muito e hoje se tornaram viáveis para a maioria das empresas.
Entretanto, mesmo com toda essa parafernália tecnológica disponível com preços razoáveis pouquíssimas organizações dominam a técnica de tratar as informações de modo adequado. No caso das empresas dedicadas ao atendimento da saúde não é diferente.
Não raro, tenho encontrado hospitais de grande porte com uso intenso de sistemas computadorizados que simplesmente acumulam os dados resultantes do processamento, sem fazer nenhum uso inteligente deles. O próprio governo, em suas três esferas, não tem dado tratamento adequado às informações sobre saúde, perdendo dessa forma oportunidade única de planejar as ações de saúde pública no país.
Visitei recentemente um peque-no hospital no centro-oeste da Bahia onde o tratamento da informação é levado a sério. Eles possuem uma pequena rede de nove ou dez computadores em que todos os dados do prontuário do paciente são armazenados, o uso de papel foi abolido e a gestão do atendimento, fluxo interno de informação, gestão de farmácia e gestão financeira, são totalmente automatizados. Além do mais, um sistema denominado de B.I., ou “business intelligence” como é conhecido, permite extrair as mais variadas informações sobre os atendimentos via convênios, consumo de medicamentos e controles financeiros, dentre outros.
É um exemplo simples de como o tratamento da informação é viável mesmo em pequenas instituições hospitalares. Não é necessária a contratação de grandes especialistas. Basta ter vontade, um mínimo de conhecimento e, principalmente, trabalhar com o óbvio.

Contato: raul.marcos.01@terra.com.br                                                                     

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