| |
| |
| Armando
Correa de Siqueira Neto |
Professor
de Gestão de RH pela Faculdade de Administração de
Limeira (SP)
e de Pedagogia Empresarial da Faculdade Maria Imaculada de Mogi Guaçu
(SP)
O
poder da comunicação entre os
profissionais de saúde
Para
liderar é preciso reconhecer em si o agente que
turva o diálogo, por vezes sem perceber
Embora o ser humano
aprenda a se comunicar desde a infância, a dificuldade de se fazer
compreendido cria abismos ao longo da vida. Ao tratar de tema tão
importante para o relacionamento entre as pessoas e, especialmente, na
vida profissional, deve-se levar em conta alguns fatores determinantes
para avaliação. No cenário da saúde torna-se
perceptível o grau de obstrução presente na comunicação,
sobretudo entre os profissionais da área.
Para retratar essas dificuldades pode-se recorrer ao recente levantamento
de dados realizado pela Self Consultoria com profissionais de enfermagem,
acerca da qualidade de comunicação. Destacaram-se alguns
resultados interessantes, dignos de reflexão: 58% dos respondentes
afirmaram que a boa vontade dos funcionários é o que falta
para se realizar uma comunicação adequada. Porém,
esse número ampliou-se para 70% quando a boa vontade referiu-se
às lideranças. Notadamente, uma barreira considerável
no processo de comunicação refere-se à motivação
de comunicar. Quando nos comunicamos de forma displicente, julgando que
as pessoas entendem, seja por força do hábito que a rotina
proporciona ou por razões pessoais (temperamento introvertido,
cansaço etc), reduzimos a chance de êxito que deve acontecer
na troca ou discussão de idéias.
Questionou-se também se a comunicação sobre emergências
e prioridades de trabalho eram entendidas claramente. As respostas revelaram
que apenas 34% dos profissionais concordaram, com destaque para os 35%
de indecisos. Em outras palavras, é reduzida a compreensão
acerca das informações que são dadas para a execução
das atividades. Tal resultado é corroborado por boa parte dos pesquisados
que alegou a falta de informações nesses casos.
Dos estudos realizados em comunicação contemplam-se algumas
formas de obstrução: barreiras físicas (ruídos
ambientais, distância), barreiras semânticas (interpretação
de palavras, significado de sinais), barreiras pessoais (hábitos
de ouvir, emoções, preocupações, sentimentos,
motivações). Ao considerarmos os aspectos humanos como geradores
de interferência nos processos de comunicação, podemos
ter consciência de nossa participação direta em tais
situações. Todavia, não nos damos conta da ação
inconsciente em nós, e, assim, nos recusamos a aceitar e modificar
o que é necessário. Não enxergamos algumas atitudes
que tomamos frente a pessoas pelas quais sentimos simpatia ou antipatia.
Conforme a posição de hierarquia e poder, agraciamos com
atenção e contato mais a uns e menos a outros. Agimos às
cegas (ou surdas) permanentemente, oferecendo rica ou pobre comunicação,
de acordo com o nosso humor e a estreita visão que temos a respeito
das pessoas e de seus valores. Influenciamos e somos influenciados por
essa dinâmica egoísta, e, dessa forma, abrimos ou afunilamos
canais de comunicação, obtendo resultados, algumas vezes
satisfatórios e em outras, desastrosos.
Cumprem às lideranças da saúde a observação,
identificação, planejamento, execução e avaliação
acerca dos fatores que prejudicam e comprometem a comunicação
nas relações profissionais. Liderar implica em dar esse
passo com humildade de reconhecer primeiramente em si o agente que turva
o diálogo, por vezes sem perceber – é preciso meditar,
ser corajoso e usar de bom senso nesses casos. Criar a cultura da comunicação
com abertura e ouvir dos outros como eles percebem sua maneira de se expressar.
A vontade é grande aliada à consciência dos fatores
que determinam a qualidade de comunicação entre as pessoas.
Todos ganham.
Contato: selfcursos@uol.com.br
topo
|