Julho/Agosto/Setembro
de 2006
NÚMERO 51
ANO 5

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RH
 
Armando Correa de Siqueira Neto
Professor de Gestão de RH pela Faculdade de Administração de Limeira (SP)
e de Pedagogia Empresarial da Faculdade Maria Imaculada de Mogi Guaçu (SP)

O poder da comunicação entre os
profissionais de saúde


Para liderar é preciso reconhecer em si o agente que
turva o diálogo, por vezes sem perceber

 

Embora o ser humano aprenda a se comunicar desde a infância, a dificuldade de se fazer compreendido cria abismos ao longo da vida. Ao tratar de tema tão importante para o relacionamento entre as pessoas e, especialmente, na vida profissional, deve-se levar em conta alguns fatores determinantes para avaliação. No cenário da saúde torna-se perceptível o grau de obstrução presente na comunicação, sobretudo entre os profissionais da área.
Para retratar essas dificuldades pode-se recorrer ao recente levantamento de dados realizado pela Self Consultoria com profissionais de enfermagem, acerca da qualidade de comunicação. Destacaram-se alguns resultados interessantes, dignos de reflexão: 58% dos respondentes afirmaram que a boa vontade dos funcionários é o que falta para se realizar uma comunicação adequada. Porém, esse número ampliou-se para 70% quando a boa vontade referiu-se às lideranças. Notadamente, uma barreira considerável no processo de comunicação refere-se à motivação de comunicar. Quando nos comunicamos de forma displicente, julgando que as pessoas entendem, seja por força do hábito que a rotina proporciona ou por razões pessoais (temperamento introvertido, cansaço etc), reduzimos a chance de êxito que deve acontecer na troca ou discussão de idéias.
Questionou-se também se a comunicação sobre emergências e prioridades de trabalho eram entendidas claramente. As respostas revelaram que apenas 34% dos profissionais concordaram, com destaque para os 35% de indecisos. Em outras palavras, é reduzida a compreensão acerca das informações que são dadas para a execução das atividades. Tal resultado é corroborado por boa parte dos pesquisados que alegou a falta de informações nesses casos.
Dos estudos realizados em comunicação contemplam-se algumas formas de obstrução: barreiras físicas (ruídos ambientais, distância), barreiras semânticas (interpretação de palavras, significado de sinais), barreiras pessoais (hábitos de ouvir, emoções, preocupações, sentimentos, motivações). Ao considerarmos os aspectos humanos como geradores de interferência nos processos de comunicação, podemos ter consciência de nossa participação direta em tais situações. Todavia, não nos damos conta da ação inconsciente em nós, e, assim, nos recusamos a aceitar e modificar o que é necessário. Não enxergamos algumas atitudes que tomamos frente a pessoas pelas quais sentimos simpatia ou antipatia. Conforme a posição de hierarquia e poder, agraciamos com atenção e contato mais a uns e menos a outros. Agimos às cegas (ou surdas) permanentemente, oferecendo rica ou pobre comunicação, de acordo com o nosso humor e a estreita visão que temos a respeito das pessoas e de seus valores. Influenciamos e somos influenciados por essa dinâmica egoísta, e, dessa forma, abrimos ou afunilamos canais de comunicação, obtendo resultados, algumas vezes satisfatórios e em outras, desastrosos.
Cumprem às lideranças da saúde a observação, identificação, planejamento, execução e avaliação acerca dos fatores que prejudicam e comprometem a comunicação nas relações profissionais. Liderar implica em dar esse passo com humildade de reconhecer primeiramente em si o agente que turva o diálogo, por vezes sem perceber – é preciso meditar, ser corajoso e usar de bom senso nesses casos. Criar a cultura da comunicação com abertura e ouvir dos outros como eles percebem sua maneira de se expressar. A vontade é grande aliada à consciência dos fatores que determinam a qualidade de comunicação entre as pessoas. Todos ganham.


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