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Professor de Administração Hospitalar e Saúde Pública
O poder de uma idéia para obter resultados
Para
pensar o futuro, o executivo tem que resolver
os desafios de hoje em menos tempo e com maior impacto
É
difícil prever quais produtos e processos que o futuro irá
desejar. Mas é possível decidir qual idéia se deseja
tornar uma realidade no futuro e construir um negócio diferente
sobre ela. Não é necessário ser uma grande idéia,
mas ela deve diferir da norma de hoje.
Jack Welch diz que alguém, em algum lugar, sempre tem uma “idéia
melhor”: “acordamos todos os dias com receio que alguém
nos supere e tenha uma idéia melhor”. Em uma organização
que aprende, os funcionários são encorajados a recolher
idéias vindas de qualquer lugar. O ideal para o aprendizado é
uma empresa sem fronteiras, sem lutas territoriais e sem autocracia. Quanto
mais pessoas envolvidas, mais idéias. E mais idéias significam
mais inteligência para a empresa. “Deve-se dar boas-vindas
à novas idéias, divulgando-as e colocando-as on-line.”
A idéia precisa ser empreendedora, com potencial e capacidade para
a produção de riqueza, expressa em um negócio que
funcione e produza e efetivada através de ações e
comportamento de negócios. Ela surge da pergunta: “Que grande
mudança em economia, mercado ou conhecimento nos capacita a conduzir
a empresa da maneira que realmente desejamos para obter os melhores resultados
econômicos?”.
Toda empresa deve ter uma idéia do seu negócio e a contribuição
específica pela qual espera ser paga. Deve existir uma idéia
que determina como os responsáveis pelas decisões vêem
o negócio, que curso de ação estão dispostos
a seguir e quais ações parecem estranhas ou inaceitáveis.
Os recursos que devem ser investidos para fazer o futuro acontecer não
precisam necessariamente ser vultosos, mas devem ser os melhores. Caso
contrário, nada acontece.
Entretanto, a maior falha do executivo é não saber avaliar
validade e praticidade. Uma idéia precisa passar por testes rigorosos
para ser capaz de fazer o futuro de um negócio. Ela precisa ter
validade operacional. Podemos agir em função dessa idéia?
Ou só po-demos falar a seu respeito?
Uma oportunidade contrária à idéia do negócio
pode, mesmo assim, ser a oportunidade correta. A incongruência entre
a idéia do negócio e uma grande oportunidade pode ser a
primeira indicação de que é necessária uma
redefinição da idéia. Caso contrário, as oportunidades
que desviam o negócio implicam em um risco que ninguém está
disposto a correr: aquele de ser incapaz de explorar o sucesso.
Para se atingir o sucesso, há basicamente quatro tipos de riscos:
• O que é
necessário assumir, que está embutido na natureza do negócio.
• O que se pode
correr.
• O que não
se pode correr.
• O que não
se pode deixar de correr.
Em quase todas as atividades há riscos que é preciso aceitar
para permanecer no negócio. Com freqüência, são
riscos que em qualquer outro negócio seriam considerados inaceitáveis.
No desenvolvimento de novos medicamentos, como antibióticos, tranqüilizantes
ou vacinas, sempre existe o risco de levar para o mercado um assassino
ao invés de uma cura. A tragédia da talidomida de 1960 à
1962, com suas terríveis conseqüências de crianças
malformadas, é um exemplo.
O lançamento de um remédio desse tipo é uma catástrofe
para o fabricante, pois provoca profunda angústia e fere seu respeito
e autoconfiança. Os laboratórios farmacêuticos precisam
acreditar em sua missão de ajudar a curar ou no mínimo aliviar,
para que consigam ter sucesso. No entanto, esse risco precisa ser assumido
para se permanecer na indústria farmacêutica de hoje.
Para que um executivo possa pensar em cuidar do futuro, ele precisa resolver
os desafios de hoje em menos tempo e com maior impacto e permanência.
Para isso, necessita de uma abordagem sistêmica ao trabalho de hoje,
que produza resultados econômicos.
Há três dimensões diferentes para a tarefa econômica:
• A empresa
precisa ser eficaz.
• Seu potencial
tem que ser identificado e colocado em prática.
• Ela precisa
ser transformada numa empresa diferente para um futuro diferente.
Portanto, é de fundamental importância decisões tomadas
para as ações, observando-se os seguintes pontos:
• Os resultados
estão fora da empresa.
• Os recursos e resultados são obtidos pela exploração
de oportunidades, não pela solução de problemas.
• Os resultados
econômicos são conquistados por liderança, cuja posição
é transitória e provavelmente de vida curta.
• Concentração
é a chave do negócio.
A análise
da organização deve responder às seguintes perguntas:
como estamos indo? Estamos fazendo as coisas certas? Qual é nosso
negócio e qual deveria ser? Essas perguntas precisam de uma análise
de fora para dentro, sob o ponto de vista do cliente.
O cliente não é necessariamente quem paga, mas sim que determina
a decisão de comprar. O cliente da indústria farmacêutica
costumava ser o farmacêutico, que preparava medicamentos de acordo
com a prescrição médica. Hoje, a decisão determinante
da compra para medicamentos éticos está claramente com o
médico. Sem-pre que um fabricante tentar impor aquilo que considera
racional, é possível que ele perca esse cliente.
A típica preferência dos médicos por um medicamento
com marca sobre um genérico é bastante racional. A farmacologia
e a bioquímica moderna estão muito além da maioria
dos médicos. Como combinar vários medicamentos modernos
numa prescrição é complexo para ser aprendido por
um médico ocupado. O fato de o médico não se importar
muito com o custo dos remédios também é racional,
porém faz que o paciente pague mais do que era cobrado pelos mesmos
compostos genéricos sob seus nomes científicos.
Cabe a empresa descobrir por que o cliente se comporta de maneira aparentemente
irracional e também adaptar-se a racionalidade dele, ou procurar
mudá-la, mas antes ele precisa entendê-la e respeitá-la.
A empresa é uma organização humana, que depende da
qualidade do seu pessoal. O trabalho pode até ser feito por máquinas
automatizadas, mas o conhecimento é um recurso especificamente
humano. Ele não é encontrado em livros. Estes contêm
informações, ao passo que conhecimento é a capacidade
para aplicar informações a um trabalho e tarefas específicas.
As idéias são inerentes ao ser humano.
Embutir desempenho econômico na organização humana
é difícil, mas fundamental, visto que os resultados econômicos
não são produzidos por forças econômicas, e
sim uma realização humana. Também em seu próprio
interesse o trabalhador do conhecimento necessita do compromisso com a
contribuição, a concentração e o espírito
empreendedor. Ele precisa tornar sua vida e seu trabalho significativos
e satisfatórios. O trabalhador do conhecimento, em que tanta educação
dispendiosa foi investida, deve ser muito exigido em termos de esforço
e desempenho. Mas ele também deve exigir satisfação
e estímulo para contribuir com idéias que tragam resultado
e a recompensa da realização e o prazer único que
o homem tira de trazer ordem ao caos.
(Referências
bibliográficas: “Administrando para Obter Resultados”,
Peter Drucker e “Jack Welch de A a Z”, Jack Welch).
Contato:
eduardo@prosaude.org.br.
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