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Aposta
no crescimento
Ainda
que a crise na saúde brasileira seja real e recorrente, alguns
empreendedores estão investindo e acreditando no setor

Projeto do
Hospital das Américas, no Rio de Janeiro: investimento de R$ 180
milhões
As crises
brasileiras costumam ser recorrentes e apenas mudam de no-me. No caso
da saúde, as atribulações parecem infindáveis
e perenes. Mas, enquanto alguns empresários se queixam da falta
de perspectivas e principalmente de crédito na saúde –
na maioria das vezes com total razão –, alguns investidores
arregaçam as mangas e se movimentam para construir novos hospitais
ou ampliar os já existentes, previstos para estarem em funcionamento
até 2009, com investimentos divulgados que chegam a cerca de R$
250 milhões.
No Rio de Janeiro, o Grupo Fator, a Amil e a DixAmico já iniciaram
as obras do Hospital das Américas, localizado na Barra da Tijuca,
área nobre da cidade. Os empreendedores estão investindo
R$ 180 mi-lhões no que consideram “o mais moderno e sofisticado
complexo hospitalar do Brasil”. O hospital é a terceira unidade
da rede Alfa, criada pelo Grupo Fator. As duas primeiras, com características
técnicas idênticas, foram cons-truídas em Recife e
Salvador. Serão 360 leitos que visam suprir a carência numa
região de alto poder aquisitivo. Segundo o IBGE, a Barra da Tijuca,
incluindo Recreio, Jacarepaguá e Méier, tem mais de um milhão
de moradores, com demanda atual diária de 1.600 leitos para usuários
de planos de saúde. Porém, dispõe atualmente de 650
leitos destinados a esse público, ou seja, um déficit de
quase 1.000 unidades.
Para o futuro superintendente do hospital, o médico mastologista
Maurício Magalhães Costa, a estratégia é a
abrangência de serviços. “É oferecer tudo num
só lugar, para atender tanto pa-cientes quanto os médicos,
que podem acompanhar de perto todas as etapas do tratamento”, explica
Costa. Isso significa, desde a consulta, exames e, se necessário,
cirurgia e pós-operatório. Por meio da intranet será
possível acessar o prontuário eletrônico do paciente,
cujas informações serão constantemente atualizadas.
“Esse sistema já funciona com sucesso nas outras duas unidades
de Recife e Salvador. Até a alta pode ser dada sem a presença
física do médico”.
Outro ponto tido como de desta-que da obra é a maternidade, considerada
uma das carências dos moradores do Rio de Janeiro. A do Hospital
das Américas terá 37 apartamentos de luxo, centro obstétrico,
quatro salas de cirurgia, três salas de pré-parto, inter-ligação
direta com a UTI do hospital, 50 leitos de UTI neonatal, unidade de reprodução
humana e um centro de ginástica para gestantes. O hospital oferecerá
ainda transplante de medula e bancos de sangue de cordão umbilical.
Espírito
Santo

Nossa Senhora de Lourdes: objetivo é dobrar o atendimento
em 2007.
Além do prontuário eletrônico, um sistema de controle
de admi-nistração de medicamentos, com leitores de código
de barra conectados a computadores ao lado de cada leito verificam se
o medicamento deve ser ministrado para aquele paciente. Um outro sistema
de correio pneumático transportará, através de grandes
ampolas, todos os medicamentos da Farmácia central até os
diversos postos de enfermagem e farmácias satélites. A tecnologia
também estará presente no transporte de pacientes ao centro
cirúrgico. No Hospital das Amé-ricas o paciente será
transportado do leito para a mesa cirúrgica por meio de um sistema
de esteira, chamado de transfer, sem contato com o paciente.
No Espírito Santo estava previsto para março a inauguração
do Vila Velha Hospital, na cidade do mes-mo nome, com investimento informado
de R$ 25 milhões. Com 850 funcionários, o empreendimento
conta com 190 médicos-sócios e deve atender 9.000 consultas
por mês em 40 especialidades. São 20 mil metros quadrados,
três salas de parto, 11 de cirurgia, 13 leitos de UTI pediátrica
e neonatal e 19 leitos de UTI geral e coronariana. A prefeitura fez as
obras de drenagem e pavimentação das duas ruas que dão
acesso ao hospital, que terá uma estação de tratamento
de esgoto própria e que tratará 90% dos resíduos
e reutilização de água nos vasos sa-nitários.
Para não ficar apenas nos em-preendimentos do Sudeste, a Unimed
inaugurou, em fevereiro, um novo hospital em São Luís, no
Maranhão. O investimento de R$ 8 milhões, com recursos próprios,
abrangeu a compra do prédio e as reformas necessárias. Ao
todo são 47 leitos, divididos em 30 apartamentos e quatro enfermarias,
exclusivos para os usuários do plano de saúde da Unimed.
Uma pesquisa feita pela Unimed verificou que o bairro Cohab, onde está
localizado o hospital, possui 60% de usuários do seu plano de saúde.
Em todo o Estado, esse contingente chega a 50 mil vidas. O hospital vai
começar com o atendimento ambulatorial, com uma equipe de 100 médicos.
Segundo o diretor do hospital João Bentivi, a unidade estará
totalmente insta-lada em 36 meses. São Luís era a única
capital brasileira em que a Unimed não tinha hospital pró-prio.
Na Zona Norte da cidade de São Paulo foi inaugurado o Hospital
San Paolo, sem informação do total investido. Um dos trunfos
do hospital é contar em seu quadro clínico com o cardiologista
Ênio Buffolo, conhecido por ter desenvolvido uma técnica
de cirurgias nas coronárias sem a necessidade de paralisar o coração
e desviar o fluxo sangüíneo. O hospital aposta ainda no que
considera um serviço inovador no segmento, que são os “protocolos
de serviço” com va-lores predeterminados, o que, segundo
informa os responsáveis pelo hospital, significa “ter um
preço único para o conjunto das atividades necessárias,
que cobre a internação cirúrgica em sua totalidade”.
O processo, segundo o diretor administrativo Jociliano Leonel, faz a previsão
de preços para pacientes e operadoras.
Bolsa
de Valores
Também
em São Paulo, mas na Zona Leste, no tradicional bairro da Mooca,
será inaugurado até junho o Hospital Villa-Lobos. O projeto
é do mesmo grupo que controla o Hospital Cema, instalado há
30 anos na mesma região da capital paulista. O investimento, nesse
caso, é de R$ 36 milhões, dos quais R$ 12 milhões
foram destinados a equipar o centro cirúrgico e as UTIs intensiva
e semi-intensiva. O hospital terá capacidade para atender 600 pacientes
por dia no pronto-socorro e realizar cerca de 1.000 cirurgias de alta
complexidade por mês. Serão atendidas todas as especialidades
médicas, exceto maternidade, oftalmologia e otorrinolaringologia.
Construído numa área de 16 mil metros quadrados, o hospital
terá 200 leitos, distribuídos em 10 andares. Quando estiver
pronto, terá cerca de 700 funcionários, incluindo corpo
clínico, e disporá de todos os protocolos médicos.
“Nossa intenção é conquistar a credibilidade
de médicos e pacientes de toda a cidade. Para isso, precisamos
ter as melhores certificações de qua-lidade desde o início
de funcionamento”, argumenta Paulo Roberto Cretella, futuro diretor
clínico do hospital.
A escolha do nome de um dos maiores compositores brasileiros para o hospital
(e o slogan “Por-que medicina é uma arte”) surgiu de
uma pesquisa com médicos, pacientes e especialistas em marketing.
“Conseguimos unir saúde e arte, dois conceitos vitais para
o ser humano, e ainda fugimos da mesmice de nomes de ruas, cidades e santos”,
justifica Luiz Carlos Lazarini, diretor-executivo do Grupo Cema. A estratégia
do nome também foi para não associar o novo hospital ao
antigo. “O Hospital Cema em 30 anos virou sinônimo de atendimento
em oftalmologia e otorrinolaringolia. A marca Cema é um patrimônio
do grupo e precisa ser preservada. Já o Villa-Lobos será
um hospital geral, com foco em cirurgias de alta complexidade”.
Quem também está apostando no crescimento é o Grupo
Nossa Se-nhora de Lourdes, na Zona Sul da cidade de São Paulo.
Localizado há 48 anos na região, o grupo reúne 10
empresas na área da saúde, entre elas o Hospital Nossa Senhora
de Lourdes e a Mater-nidade e Hospital da Criança. Em 2007, a previsão
é que o grupo atinja o faturamento de R$ 200 milhões, quase
10% acima do ano passado.
Para crescer e dobrar a capacidade de atendimento, o HNSL vai expandir
sua área de 11 mil me-tros quadrados para 23 mil metros quadrados.
O investimento será de R$ 30 milhões, feito em etapas. A
previsão é que a primeira torre esteja pronta até
outubro. A segunda fase, a conclusão da segunda torre, deve ser
finalizada até o fim de 2008.
Em 2006, o HNSL lançou na Bolsa de Valores um fundo imobiliário,
com cotas no valor total de R$ 88 milhões. “Cerca de R$ 30
milhões foram vendidas em apenas dois dias, o que demonstra a excelente
percepção dos investidores em relação à
gestão do hospital”, informou Cícero Aurélio
Sinisgalli, presidente e fundador do grupo. O Ebitda (sigla em inglês
para Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization, que
mede a capacidade de ge-ração de caixa e resultado operacional)
do HNSL em 2006 foi de 16,6% sobre as receitas e a projeção
para 2007 é de 17,82%. De acordo com Fábio Sinisgalli, diretor
geral do grupo, “o Ebitda é que está alavancando o
crescimento do hospital”. Antes de planejar a ampliação,
a diretora do HNSL, como sempre faz, viajou para os Estados Unidos com
o objetivo de visitar o que há de novidades nos centros hospitalares
americanos. “Isso é uma constante na rotina de nossa equipe
médica que de tempos em tempos visita esses hospitais com a proposta
de investir no desenvolvimento da infra-estrutura, tecnologia e qualidade
da assistência médica”, esclarece Cícero Sinisgalli.
Como se vê, o montante de in-vestimentos na construção
de no-vos hospitais e ampliação de ou-tros é significativo
para um país no qual a saúde é sempre a prima po-bre
em termos de novos empreen-dimentos. As boas perspectivas merecem, ao
menos, serem ava-liadas pelos analistas de economia para que seja medido
o verdadeiro potencial do mercado brasileiro, cujas perspectivas podem
ser bem melhores do que se pensa.
Hospital Villa-Lobos:
do mesmo grupo do Cema
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