Entidades
da saúde se queixam do governo federal que decidiu
protelar aprovação da EC 29

Plano
de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado em
janeiro pelo governo e que prevê investimentos públicos
e privados da ordem de R$ 500 bilhões, está sendo criticado
por alguns especialistas da área da saúde por não
prever nenhum investimento em infra-estrutura para a saúde. Além
disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu protelar
a regulamentação da Emenda Cons-titucional nº 29
(EC 29), conside-rada fundamental por entidades e profissionais do setor
para a recuperação financeira da área de saúde.
"O objetivo da EC 29 é garantir um mínimo de repasses
para a saúde. O documento vincula os investimentos públicos
no setor à variação do PIB e, principalmente, determina
quais são as ações e serviços na área
de saúde", explica José Reinaldo de Oliveira No-gueira
Júnior, presidente da Fe-deração das Santas Casas
e Hospitais Filantrópicos do Estado de São Paulo. Segundo
ele, a re-gulamentação da emenda permitirá que
o Ministério da Saúde tenha verbas adequadas e criará
mecanismos para controle da aplicação dos recursos. "Consideramos
esse instrumento fundamental para a promoção do reajuste
da tabela do SUS, por exemplo, origem principal dos problemas financeiros
das entidades beneficentes", diz Nogueira.
Os dirigentes dos hospitais credenciados afirmam que o SUS paga apenas
cerca de 60% do total dos seus gastos reais em procedimentos realizados
nos pacientes da rede pública. "A atual tabela do SUS está
completamente desatua-lizada, não só em relação
aos va-lores como também na importância que destaca para
os procedimentos de maior interesse na saúde populacional",
afirma Antô-nio Carlos Forte, superintendente da Santa Casa de
Misericórdia de São Paulo. Apesar de privada, a instituição
destina 95% da sua atividade aos pacientes da rede pública, o
que significa aproximadamente dois milhões de aten-dimentos e
50 mil cirurgias anuais. "Por falta de recursos, a disponibilização
de serviços ao SUS está diminuindo, gerando filas e mesmo
falta de assistência até para os casos mais graves",
informa Forte.
Sérgio Vallim, diretor administrativo da Federação
das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Rio Grande do Sul,
dá números à crise da saúde em seu Estado.
"Nos últimos quatro anos, 13 hospitais encerraram suas atividades.
Nesse período foram fechados mais de 2 mil leitos e 10 mil postos
de trabalho. Se nada for feito outros 17 hospitais podem fechar as portas
em 2007", afirma. Segundo ele, como no resto do país, a
principal dificuldade é a defasagem na tabela do SUS. Os gaúchos
também consideram a regulamentação da EC 29 como
condição para a solução da crise. "O
setor filantró-pico responde por 70% do atendimento SUS e por
66% dos leitos hospitalares no Rio Grande do Sul. O governo estadual
destina cerca de 6% do total do seu orçamento à saúde.
Se a EC estivesse em vigor, o repasse seria de 12%", contabiliza
Vallim.
Para o presidente da Confede-ração das Santas Casas de
Miseri-córdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB),
a EC 29 agregará valores substanciais ao orçamento federal
da saúde. "O re-passe assegurado pela matéria dará
mais fôlego aos hospitais filantrópicos e também
ao SUS", afirma Antônio Brito. Ele ainda assegura que a regulamentação
da emenda está em todas as ações e reivindicações
da CMB. "Continua-remos a defender a matéria no Congresso
Nacional por meio da atividade parlamentar, em eventos e reuniões
com membros do Governo, e com entidades representativas do setor".
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O
que é a EC 29
A
Emenda Constituciona lnº 29vincula os investimentos em saúde
à variação do PIBnominal. Dessa maneira,
não é possível o governo promover cortes
no orçamento da pasta e fica obrigado a destinar um percentual
do
crescimentodo país para a área. O documento também
determina o que pode ser considerado procedimentos na área
de saúde, o que impede a
administração de contabilizar gastos estranhos à
assistência médica na conta do setor.
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