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Uma
luz na gestão
Programa criado
por empresa de energia troca donativos por melhoria na gestão dos
hospitais filantrópicos
Em 2007, a CPFL, companhia
de energia elétrica que atua em mais de 230 cidades do Estado de
São Paulo, vai investir cerca de R$ 700 mil em seu programa de
apoio às santas casas e hospitais filantrópicos. É
um raro exemplo de investimento na melhoria dessas instituições
e que não está ligado a nenhum tipo de conceito assistencial,
mas voltado para a auto-sustentação administrativa. Criado
em 1998, o programa é o carro-chefe das ações de
responsabilidade social da CPFL, ex-empresa estatal privatizada em 1997.
Essencialmen-te, o programa busca a revitalização administrativa
desses hospitais para melhorar serviços, aumentar a qualidade do
atendimento e a médio prazo obter o certificado do Compromisso
pela Qualidade Hospitalar (CQH) da Fundação Nacional da
Qualidade (FNQ).
A CPFL tem uma história de mais de 30 anos de parcerias com santas
casas, por meio de descontos na conta de luz e doações de
equi-pamentos. Em determinado mo-mento, como o personagem Óbvio
Adams, do escritor americano Bob Updegraff, descobriu-se que o modelo
assistencialista não servia. As doações não
resultavam em efetiva melhoria da qualidade de atendimento à população.
Em meados de 2005, a CPFL elaborou um programa que começou a in-vestir
na capacitação e em ferramentas de gestão para esses
hospitais filantrópicos. Para isso, foram feitas parcerias com
o Cen-tro de Estudos Augusto Leopoldo Ayrosa Galvão (Cealag), ligado
à Santa Casa de São Paulo, com a Universidade Estadual Júlio
de Mesquita Filho (Unesp), Federação das Santas Casas e
Hospitais Be-neficentes do Estado de São Paulo (Fehosp) e com a
Comissão de Qua-lidade Hospitalar. O programa hoje conta ainda
com o apoio do Minis-tério da Saúde e da Secretaria de Saúde
do Estado de São Paulo.
Atualmente, ele está sendo aplicado em seis hospitais-pilotos lo-calizados
nas regiões de Franca e Piracicaba, no interior do Estado de São
Paulo. Do ponto de vista gerencial, são propostas a criação
de redes integradas, a padronização de processos de trabalho
e integração de processos de compra de suprimentos, logística
e manutenção de equipamentos. “Nosso objetivo com
isso é não doar, mas ensinar”, explica Lúcia
Helena Magalhães, ouvidora da CPFL e coordenadora do projeto.
Para a ouvidora, o importante é que essas instituições
hospitalares cheguem a auto-sustentação. O programa já
treinou cerca de 1.600 pessoas da área da saúde, com oficinas
sobre faturamento, resí-duos e auditoria, por exemplo. Em fevereiro,
foi realizada na Santa Casa de Franca uma oficina sobre planejamento estratégico
de hospitais filantrópicos. Ao contrário da doação,
o conhecimento é algo muito difícil de ser dilapidado.
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