Fevereiro/Março/Abril
de 2007
NÚMERO 52
ANO 5

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Parceria

 

Uma luz na gestão

Programa criado por empresa de energia troca donativos por melhoria na gestão dos hospitais filantrópicos

Em 2007, a CPFL, companhia de energia elétrica que atua em mais de 230 cidades do Estado de São Paulo, vai investir cerca de R$ 700 mil em seu programa de apoio às santas casas e hospitais filantrópicos. É um raro exemplo de investimento na melhoria dessas instituições e que não está ligado a nenhum tipo de conceito assistencial, mas voltado para a auto-sustentação administrativa. Criado em 1998, o programa é o carro-chefe das ações de responsabilidade social da CPFL, ex-empresa estatal privatizada em 1997. Essencialmen-te, o programa busca a revitalização administrativa desses hospitais para melhorar serviços, aumentar a qualidade do atendimento e a médio prazo obter o certificado do Compromisso pela Qualidade Hospitalar (CQH) da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ).
A CPFL tem uma história de mais de 30 anos de parcerias com santas casas, por meio de descontos na conta de luz e doações de equi-pamentos. Em determinado mo-mento, como o personagem Óbvio Adams, do escritor americano Bob Updegraff, descobriu-se que o modelo assistencialista não servia. As doações não resultavam em efetiva melhoria da qualidade de atendimento à população. Em meados de 2005, a CPFL elaborou um programa que começou a in-vestir na capacitação e em ferramentas de gestão para esses hospitais filantrópicos. Para isso, foram feitas parcerias com o Cen-tro de Estudos Augusto Leopoldo Ayrosa Galvão (Cealag), ligado à Santa Casa de São Paulo, com a Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho (Unesp), Federação das Santas Casas e Hospitais Be-neficentes do Estado de São Paulo (Fehosp) e com a Comissão de Qua-lidade Hospitalar. O programa hoje conta ainda com o apoio do Minis-tério da Saúde e da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.
Atualmente, ele está sendo aplicado em seis hospitais-pilotos lo-calizados nas regiões de Franca e Piracicaba, no interior do Estado de São Paulo. Do ponto de vista gerencial, são propostas a criação de redes integradas, a padronização de processos de trabalho e integração de processos de compra de suprimentos, logística e manutenção de equipamentos. “Nosso objetivo com isso é não doar, mas ensinar”, explica Lúcia Helena Magalhães, ouvidora da CPFL e coordenadora do projeto.
Para a ouvidora, o importante é que essas instituições hospitalares cheguem a auto-sustentação. O programa já treinou cerca de 1.600 pessoas da área da saúde, com oficinas sobre faturamento, resí-duos e auditoria, por exemplo. Em fevereiro, foi realizada na Santa Casa de Franca uma oficina sobre planejamento estratégico de hospitais filantrópicos. Ao contrário da doação, o conhecimento é algo muito difícil de ser dilapidado.

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