Fevereiro/Março/Abril
de 2007
NÚMERO 52
ANO 5

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Qualidade

Mudar é preciso

A Acreditação não deve ser o alvo, mas sim o
resultado natural de um nova mentalidade de gestão

Falar sobre e de mudanças é uma daquelas coisas que, na atualidade, tornou-se “chover no molhado”. Talvez seja porque nos habituamos, nas últimas décadas, a falar muito sobre esse fenômeno e a praticá-lo bem menos, que somos compulsivamente levados a repetir o discurso.
Mudar, do ponto de vista da prática, é sem dúvida algo ainda desafiador para qualquer criatura humana. Mudar o modelo mental – a forma como vemos o mundo, os nossos conceitos, nossos valores, nossas verdades, nossas crenças – vai muito mais além do desafio. Exige dois fatores críticos: humildade, entendida aqui como a disposição ou a pré-disposição para o novo, para a melhoria, para o aprendizado; e coragem, compreendida como a capacidade de auto avaliar-se e reconhecer-se em processo de formação, mudando o curso.
Implantar novos regulamentos, alterar textos, protocolos, procedimentos, metas, indicadores, não é algo tão difícil assim. Com tecnologia da informação, decisão gerencial e disposição para o trabalho, além de outros recursos coadjuvantes, não raramente obtém-se êxito nestas iniciativas, com a estruturação de um razoável sistema de gestão capaz de passar pelo crivo refinado dos auditores das empresas de certificação ou avalia-ção para prêmios.
Formar uma equipe de profissionais (pessoas) de diversas origens, formações ou posição na organização, capaz de compreender o sistema e sua finalidade, operando as ferramentas e práticas de gestão com consciência e clareza de suas importâncias é outra questão, des-sas para lá de desafiadoras. Para muitos é remar contra caudalosa correnteza pragmática do “mercado”.
Todo processo sustentado de mudanças tem como variável crítica um processo de aprendizagem continuado. Sem (re)educação não há transformação verdadeira.
O problema é que o tempo do “mercado” não é necessariamente o tempo das pessoas. E como bem disse um dirigente, certa vez, num de nossos trabalhos: “o mercado não espera”. Ele nos devora antes de as pessoas aprenderem.
No universo das Certificações da Qualidade, há muito esse dilema é recorrente e, obviamente, por uma série de fatores de “mercado”, pouco debatido. Não demorou muito para se fazer presente no âmbito das práticas de acreditação das organizações da saúde.
Todos sabemos que certificação é efeito, não causa. Pelo menos, deveria. Um bem arquitetado sistema de gestão, alinhado com as melhores práticas de gestão preconizadas pelos sistemas da qualidade, leva conseqüentemente à conquista da certificação.
Vista como efeito, a obtenção da condição de organização Acreditada não deveria ser o alvo da organização. Ao contrário, a implementação efetiva de um novo modelo de gestão sustentado numa nova mentalidade administrativa e assistencial leva a organização à condição de Acreditada.
Parece não haver diferenças práticas na abordagem. Todavia, temos percebido junto às organizações que a diferença existe. Na organização (des)focada na Certificação a meta dos dirigentes é adequar o sistema com vistas no certificado. Nessas circunstâncias, as mudanças tendem a não ser sustentadas e quase sempre são superficiais. O foco nem sempre será a mudança real do sistema, mas a adaptação para atender aos requisitos da Organização Nacional de Acreditação (ONA). Na segunda perspectiva existe algo a mais: o Certificado é importante sim, mas mudar a mentalidade gerencial e as práticas organizacionais construindo um novo modelo de gestão é a tônica do projeto. Os integrantes da organização absorvem o modelo como uma nova proposta de gestão e não como um conjunto de regras que devem ser observadas para a Acreditação. A segunda opção muda a visão e os comportamentos. A primeira, nem sempre.
Evidente que a escolha de um ou de outro caminho está associada aos interesses e ideais dos dirigentes das organizações. Não resta dúvidas, porém, que, semelhante aos fenômenos observados nas organizações certificadas nos modelos ISO 9000, existirão aquelas que fizeram da Acreditação uma verdadeira transformação gerencial e aquelas que apenas conquistaram o título de Acreditação.

Contato: gestao@uai.com.br

 


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