
Mudar
é preciso
A
Acreditação não deve ser o alvo, mas sim o
resultado natural de um nova mentalidade de gestão
Falar
sobre e de mudanças é uma daquelas coisas que, na atualidade,
tornou-se “chover no molhado”. Talvez seja porque nos habituamos,
nas últimas décadas, a falar muito sobre esse fenômeno
e a praticá-lo bem menos, que somos compulsivamente levados a repetir
o discurso.
Mudar, do ponto de vista da prática, é sem dúvida
algo ainda desafiador para qualquer criatura humana. Mudar o modelo mental
– a forma como vemos o mundo, os nossos conceitos, nossos valores,
nossas verdades, nossas crenças – vai muito mais além
do desafio. Exige dois fatores críticos: humildade, entendida aqui
como a disposição ou a pré-disposição
para o novo, para a melhoria, para o aprendizado; e coragem, compreendida
como a capacidade de auto avaliar-se e reconhecer-se em processo de formação,
mudando o curso.
Implantar novos regulamentos, alterar textos, protocolos, procedimentos,
metas, indicadores, não é algo tão difícil
assim. Com tecnologia da informação, decisão gerencial
e disposição para o trabalho, além de outros recursos
coadjuvantes, não raramente obtém-se êxito nestas
iniciativas, com a estruturação de um razoável sistema
de gestão capaz de passar pelo crivo refinado dos auditores das
empresas de certificação ou avalia-ção para
prêmios.
Formar uma equipe de profissionais (pessoas) de diversas origens, formações
ou posição na organização, capaz de compreender
o sistema e sua finalidade, operando as ferramentas e práticas
de gestão com consciência e clareza de suas importâncias
é outra questão, des-sas para lá de desafiadoras.
Para muitos é remar contra caudalosa correnteza pragmática
do “mercado”.
Todo processo sustentado de mudanças tem como variável crítica
um processo de aprendizagem continuado. Sem (re)educação
não há transformação verdadeira.
O problema é que o tempo do “mercado” não é
necessariamente o tempo das pessoas. E como bem disse um dirigente, certa
vez, num de nossos trabalhos: “o mercado não espera”.
Ele nos devora antes de as pessoas aprenderem.
No universo das Certificações da Qualidade, há muito
esse dilema é recorrente e, obviamente, por uma série de
fatores de “mercado”, pouco debatido. Não demorou muito
para se fazer presente no âmbito das práticas de acreditação
das organizações da saúde.
Todos sabemos que certificação é efeito, não
causa. Pelo menos, deveria. Um bem arquitetado sistema de gestão,
alinhado com as melhores práticas de gestão preconizadas
pelos sistemas da qualidade, leva conseqüentemente à conquista
da certificação.
Vista como efeito, a obtenção da condição
de organização Acreditada não deveria ser o alvo
da organização. Ao contrário, a implementação
efetiva de um novo modelo de gestão sustentado numa nova mentalidade
administrativa e assistencial leva a organização à
condição de Acreditada.
Parece não haver diferenças práticas na abordagem.
Todavia, temos percebido junto às organizações que
a diferença existe. Na organização (des)focada na
Certificação a meta dos dirigentes é adequar o sistema
com vistas no certificado. Nessas circunstâncias, as mudanças
tendem a não ser sustentadas e quase sempre são superficiais.
O foco nem sempre será a mudança real do sistema, mas a
adaptação para atender aos requisitos da Organização
Nacional de Acreditação (ONA). Na segunda perspectiva existe
algo a mais: o Certificado é importante sim, mas mudar a mentalidade
gerencial e as práticas organizacionais construindo um novo modelo
de gestão é a tônica do projeto. Os integrantes da
organização absorvem o modelo como uma nova proposta de
gestão e não como um conjunto de regras que devem ser observadas
para a Acreditação. A segunda opção muda a
visão e os comportamentos. A primeira, nem sempre.
Evidente que a escolha de um ou de outro caminho está associada
aos interesses e ideais dos dirigentes das organizações.
Não resta dúvidas, porém, que, semelhante aos fenômenos
observados nas organizações certificadas nos modelos ISO
9000, existirão aquelas que fizeram da Acreditação
uma verdadeira transformação gerencial e aquelas que apenas
conquistaram o título de Acreditação.
Contato: gestao@uai.com.br
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