Fevereiro/Março/Abril
de 2007
NÚMERO 52
ANO 5

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Hospital e usuários ainda precisam entrar na era da internet

Pesquisa realizada pela Markle Foundation, entidade americana sem fins lucrativos voltada para a Saúde, com sede em Nova Iorque, revelou que a maioria dos pacientes demonstra grande interesse em poder ter acesso a suas informações de saúde via internet, principalmente por acreditarem que poderão aumentar a prevenção de doenças.

Mais de 95% dos entrevistados aprovaram que os registros clínicos, incluindo resultados de exa-mes e imagens radiológicas, estejam disponíveis a médicos e pacientes, sendo que 80% gosta-riam de checar se houve erros nas informações e até mesmo solicitar revisão de laudos. Ainda assim, 80% dos americanos entrevistados revelaram apreensão com relação à segurança das informações, temendo que seus dados possam ser manipulados por terceiros sem sua permissão.

Mesmo estando um passo à frente, o sistema de saúde americano ainda está em fase de adaptação com relação à rede de informações disponíveis on line, demonstrando certa dificuldade em registrar dados precisos e completos no banco de dados. Problemas como esse, aparentemente simples – já que dependem de habilidade humana, não tecnológica – acabam impedindo que o sistema de saúde como um todo demonstre sua eficiência. Hoje, entre 50% e 70% dos registros de saúde americanos contêm erros, resultando em perda anual da ordem de US$ 26 bilhões.

De acordo com a Organização Panamericana de Saúde (Opas), apenas 5% dos 7.500 hospitais brasileiros têm nível de informatização satisfatório. Cerca de 62% dos hospitais não estão informatizados e 33% têm nível mínimo. Segundo o especialista na área de informática, Fred Arruda, o Brasil caminha lenta, porém progressivamente, rumo à informatização hospitalar. “A informática médica é uma das áreas de aplicação de TI que apresenta maior potencial de crescimento. Na medida em que os hospitais implantam o prontuário eletrônico, os pacientes saem ganhando. Principalmente, por permitir que hospital, paciente e seguradora de saúde interajam de forma mais eficiente, com meios de armazenar o histórico de atendimentos, imagens diagnósticas e dados importantes dos tratamentos anteriores, como medicamentos prescritos ou informações clínicas”.

O executivo diz que a implantação do prontuário eletrônico representa uma mudança radical na rotina hospitalar, exigindo uma adaptação consciente e responsável por parte de todos. “O registro correto das informações de todas as fases de um atendimento hospitalar garante controles fundamentais e permite intensificar o foco na gestão do negócio. Além disso, evita uma série de problemas como os que os Estados Unidos ainda enfrentam”.


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