Hospitais,
clínicas e laboratórios
aproveitam a temporada do dólar baixo para se equipar

Como
tudo na vida, quando uns ganham, outros, na mesma proporção,
perdem. O preço do dólar, abaixo de R$ 2, abriu a temporada
de compras externas para clínicas, laboratórios e hospitais.
Na ponta oposta, a oscilação para baixo provocou queixas
veementes da Associação dos Fabricantes de Produtos Médicos
e Odontológicos (Abimo). O fenômeno vem se acentuando na
proporção inversa da queda da moeda americana.
Segundo Abrão Melnik, vice-presidente da Associação
Brasileira dos Importadores de Equipamentos, Produtos e Suprimentos
Médico-Hospitalares (Abimed), as importações do
setor, na realidade, vêm crescendo desde 2003, quando o dólar
começou a se desvalorizar, caindo naquele momento para a casa
de R$ 3.
Além do câmbio, outros fatores que estimulam as importações
são o aumento das linhas de financiamento e da oferta de produtos,
tanto daqueles itens de última geração quanto os
econômicos e recondicionados, comprados por pequenos e médios
hospitais, clínicas e laboratórios. Boa parte dessas compras
é feita no exterior, o que elevou em 22% as importações
em 2006 para US$ 1,94 bilhão. Este ano, estima-se que essas compras
devem alcançar US$ 2,13 bilhões. Aparelhos de diagnóstico
por imagem devem movimentar mais de US$ 50 milhões este ano na
América Latina, conforme estimativa de Joseph Shrawder, gerente-geral
global da divisão DI Performance Technolo-gies da GE Healthcare.
No Hospital Quinta D'Or, no Rio de Janeiro, um centro de oncologia receberá
investimentos de US$ 7 milhões.
Por outro lado, a indústria brasileira de equipamentos médicos,
odontológicos e hospitalares, que em 2006 movimentou cerca de
R$ 6,5 bilhões e exportou US$ 442 milhões, está
preocupada. Para Franco Pallamolla, presidente da entidade que representa
os fabricantes, o setor é estratégico. Deveria, portanto,
estar contemplado com os benefícios anunciados pelo ministro
Miguel Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior, para cinco áreas da indústria que se sentiram
prejudicadas com a valorização do real (têxtil e
de vestuário, automobilística, naval, de calçados
e móveis). “O setor está sob risco de forte desindustrialização”,
afirmou Pallamolla. “Os danos causados pela pesada cara tributária
e vulnerabilidade aos produtos estrangeiros já são imensos,
inclusive com uma grande quantidade de fabricantes brasileiros em regime
de recuperação judicial”, ponderou.
Mas, ao que tudo indica, a valorização do real deve se
acentuar até o fim do ano. As autoridades financeiras não
parecem dispostas a mexer na política cambial. Assim, ainda que
alguns setores registrem perdas, surge uma boa oportunidade para que
hospitais, clínicas e laboratórios se equipem melhor.
O que não pode haver é uma virada do jogo, com qualquer
tipo de intervenção brusca no câmbio, o que levaria
os devedores a inadimplência, como já ocorreu em ou-tros
momentos da economia.
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