Maio/Junho/Julho
de 2007
NÚMERO 53
ANO 5

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EQUIPAMENTOS
 

O real tem a força

Hospitais, clínicas e laboratórios
aproveitam a temporada do dólar baixo para se equipar


Como tudo na vida, quando uns ganham, outros, na mesma proporção, perdem. O preço do dólar, abaixo de R$ 2, abriu a temporada de compras externas para clínicas, laboratórios e hospitais. Na ponta oposta, a oscilação para baixo provocou queixas veementes da Associação dos Fabricantes de Produtos Médicos e Odontológicos (Abimo). O fenômeno vem se acentuando na proporção inversa da queda da moeda americana.

Segundo Abrão Melnik, vice-presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Equipamentos, Produtos e Suprimentos Médico-Hospitalares (Abimed), as importações do setor, na realidade, vêm crescendo desde 2003, quando o dólar começou a se desvalorizar, caindo naquele momento para a casa de R$ 3.

Além do câmbio, outros fatores que estimulam as importações são o aumento das linhas de financiamento e da oferta de produtos, tanto daqueles itens de última geração quanto os econômicos e recondicionados, comprados por pequenos e médios hospitais, clínicas e laboratórios. Boa parte dessas compras é feita no exterior, o que elevou em 22% as importações em 2006 para US$ 1,94 bilhão. Este ano, estima-se que essas compras devem alcançar US$ 2,13 bilhões. Aparelhos de diagnóstico por imagem devem movimentar mais de US$ 50 milhões este ano na América Latina, conforme estimativa de Joseph Shrawder, gerente-geral global da divisão DI Performance Technolo-gies da GE Healthcare. No Hospital Quinta D'Or, no Rio de Janeiro, um centro de oncologia receberá investimentos de US$ 7 milhões.

Por outro lado, a indústria brasileira de equipamentos médicos, odontológicos e hospitalares, que em 2006 movimentou cerca de R$ 6,5 bilhões e exportou US$ 442 milhões, está preocupada. Para Franco Pallamolla, presidente da entidade que representa os fabricantes, o setor é estratégico. Deveria, portanto, estar contemplado com os benefícios anunciados pelo ministro Miguel Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, para cinco áreas da indústria que se sentiram prejudicadas com a valorização do real (têxtil e de vestuário, automobilística, naval, de calçados e móveis). “O setor está sob risco de forte desindustrialização”, afirmou Pallamolla. “Os danos causados pela pesada cara tributária e vulnerabilidade aos produtos estrangeiros já são imensos, inclusive com uma grande quantidade de fabricantes brasileiros em regime de recuperação judicial”, ponderou.

Mas, ao que tudo indica, a valorização do real deve se acentuar até o fim do ano. As autoridades financeiras não parecem dispostas a mexer na política cambial. Assim, ainda que alguns setores registrem perdas, surge uma boa oportunidade para que hospitais, clínicas e laboratórios se equipem melhor. O que não pode haver é uma virada do jogo, com qualquer tipo de intervenção brusca no câmbio, o que levaria os devedores a inadimplência, como já ocorreu em ou-tros momentos da economia.

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