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Ao sul da crise
Notícias Hospitalares – Quais os principais temas discutidos duran-te 2º Fórum Paranaense de Gestão Hospitalar? Marcial Carlos Ribeiro Júnior – Os temas giraram em torno de questões econômicas, de tecnologia, modernização e especialização dos hospitais. Podem-se des-tacar os debates sobre a conjuntura econômica e as perspectivas para o setor da saúde, gestão hospitalar, custos hospitalares, hotelaria hospitalar, tecnologia da informação na saúde, comissões farmacoterapêuticas e modernização e especialização das instituições. A intenção foi levar aos gestores hospitalares temas atuais e que são relevantes ao setor. O fórum pode ser considerado o principal evento de gestão hospitalar do sul do país. NH – Como foi a participação, em quantidade e representatividade? Marcial Carlos Ribeiro Júnior – O fórum felizmente contou com re-presentantes dos principais hospitais paranaenses, além de catarinenses e outros estados, além de dirigentes de diversas instituições de grande porte. O mais importante foi a boa participação de proprie-tários, diretores e gerentes dessas instituições, já que são eles que decidem o rumo de seus hospitais. Ou seja, são multiplicadores. NH – De acordo com a APIH, nos últimos dez anos, mais de cem hospitais paranaenses encerraram as atividades. Quais as razões disso? Marcial Carlos Ribeiro Júnior – O principal motivo é financeiro, pois como a maioria desses hospitais dependia do SUS, e a tabela está sem a devida correção há pelo menos oito anos, não há possibilidade de manutenção dos serviços de atenção aos pacientes. Os preços da Folha de Pagamento, dos medicamentos e demais insumos, aumentam todos os anos. Alguns mais de uma vez por ano. Os baixos valores de remuneração, assim como a própria dificuldade dos gestores em determinar os custos reais de instituições que são altamente complexas, fazem com que haja uma tendência muito grande à contínua gestão de crises, principalmente de ordem financeira. Esses fatores tendem a inviabilizar os investimentos ne-cessários para que se possam estabelecer processos de qualificação e eficiência. NH – Qual a opinião do sr. sobre a gestão de entidades privadas em hospitais públicos? Marcial
Carlos Ribeiro Júnior – Ao meu ver, é uma
das saídas para profissionalizar a gestão pública,
ao trazer a experiência e o co-nhecimento a essas instituições
por meio de uma abordagem mo-derna de administração hospitalar. Marcial Carlos Ribeiro Júnior – É comum falar que os hospitais pú-blicos têm dificuldades, mas mes-mo os privados também com aten-dimento apenas a pacientes oriundos de operadoras de planos de saúde e particulares estão em situação de risco. É possível destacar como alguns dos motiva-dores dessa situação a necessidade de utilizar novas – e caras – tecnologias, investimentos primordiais no corpo clínico e funcional, além de se adequar às exigências dos órgãos de fiscalização, co-mo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), ANS (Associação Nacional de Saúde Comple-mentar), entre outros. A atenção para os custos e processos de serviços deve ser diária para evitar prejuízos. NH – Quais são os principais objetivos a serem traçados para os hospitais melhorarem sua saúde financeira? Marcial Carlos Ribeiro Júnior – É uma missão difícil e dependente de uma séria de fatores, mas é possível destacar quatro itens principais: controle de custos, es-tratégia de mercado, qualificação de processos e representatividade política. NH – A classe hospitalar, no que diz respeito ao âmbito dos ges-tores, é unida? Marcial Carlos Ribeiro Júnior – A união dos gestores hospitalares e hospitais é um grande paradigma a ser quebrado. Aos poucos, com algumas ações conjuntas, têm le-vado a bons resultados em determinadas situações. A Anahp é um ótimo exemplo de união bem-sucedida. A troca de informações e experiências é a melhor maneira de se conseguir aglutinar os hospitais na busca por respostas aos problemas do setor. Foi com esse objetivo que criamos o fórum de Gestão Hospitalar. NH – Qual a importância de um gestor de hospital ser formado em administração hospitalar? Marcial Carlos Ribeiro Júnior – Certamente é recomendável dispor de um profissional com formação acadêmica, mas há várias situações em que profissionais com outras formações, como Administração de Empresas e Engenharia, e que tenham grande experiência no mercado e tenham trabalhado em corporações de outros setores, como serviços e indústria, têm colaborado muito com o amadurecimento da gestão hospitalar e conseqüentemente com o setor de saúde. A gestão hospitalar é necessariamente multiprofissional. NH – Qual o papel das operadoras de planos de saúde para melhorar o sistema de saúde brasileiro? Marcial Carlos Ribeiro Júnior – As operadoras de planos de saúde, no modelo predominante de pré-pagamento, com fins lucrativos, dificilmente poderão se tornar efetivas parceiras dos hospitais. Apesar de viver uma enorme crise, e sem a menor possibilidade de vir a atender as particularidades da sociedade brasileira, mesmo em longo prazo, o modo norte-americano persiste, sendo o modelo para a grande maioria dos to-madores de decisão atuantes no sistema de saúde brasileiro. Mas, não resta dúvida de que a transformação da triste situação atual, de hospitais que se comportam como simples vendedores de materiais e medicamentos para uma nova lógica, baseada na qua-lidade e na eficiência dos serviços prestados, é que poderá representar uma verdadeira luz no fim do túnel. Mas, para que isto aconteça haverá a necessidade de um verdadeiro pacto, que deve envolver inclusive os órgãos representativos dos usuários e a própria ANS. Esse cenário ainda está bastante distante da nossa realidade atual. NH
– Um dos temas do encontro foi “Uso Controlado de Medica-mentos”.
Em linhas gerais, quais são as atitudes que hospitais de-vem
tomar para usar os medicamentos de forma racional e quais as vantagens
em alcançar essa meta? NH – O Brasil possui um novo ministro da saúde, José Gomes Temporão. Qual sua expectativa para a pasta nos próximos anos? Marcial Carlos Ribeiro Júnior – A expectativa não é animadora. Basta verificar a redução do orçamento da Saúde, a inclusão de recursos em projetos como o Bolsa Família e outros, que diminuem investimentos diretamente na Saúde. Mas, certamente esses pro-blemas não são relacionados especificamente com o novo mi-nistro, mas com as políticas de governo, que, infelizmente, há muito tempo é caracterizada pelo absoluto menosprezo ao setor de saúde. Proliferam as atitudes de-magógicas e o desrespeito às determinações constitucionais. De outro lado, precisamos reconhecer que enquanto todos os atores do sistema, como hospitais, médicos, sociedade civil e operadoras, insis-tirem em tentar resolver seus problemas de forma individualista e oportunista, dificilmente serão criadas as forças de pressão sobre os poderes Executivo e Legislativo, capazes de propiciar o alcance das verdadeiras soluções para o setor de saúde brasileiro. "As
políticas de governo há muito tempo são
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