Maio/Junho/Julho
de 2007
NÚMERO 53
ANO 5

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HUMANIZAÇÃO
 
Cristina Rodrigues
Consultoria de Enfermagem e Especialista em Administração
Hospitalar e Saúde Pública

Burnout: desafio à
saùde do trabalhador


Médicos parecem ter a proporção mais elevada de casos

 

Atualmente, existe uma preocupação na saúde do indivíduo no contexto organizacional, pois se relaciona, principalmente, com a produtividade da empresa. À medida que o indivíduo está inserido no contexto organizacional, está sujeito a diferentes variáveis que afetam diretamente o seu trabalho.

Para que se atinja produtividade e qualidade, é preciso indivíduos saudáveis e atribuídos de qualidade. Em contrapartida, a organização atua de forma como se muitas vezes pressionasse o indivíduo, levando-o a estados de doenças, insatisfação e desmotivação. Dentre esses, encontra-se a fadiga, distúrbios do sono, alcoolismo, estresse e a síndrome de Burnout. Os trabalhadores da área de saúde são freqüentemente propensos ao burnout.

A Síndrome de Burnout é definida por alguns autores como uma das conseqüências mais marcantes do estresse profissional. Se caracteriza por exaustão emocional, avaliação negativa de si, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos (até como defesa emocional).

O termo burnout é uma composição de burn (queima) e out (exterior), sugerindo assim que a pessoa com esse tipo de estresse consome-se física e emocionalmente, passando a apresentar comportamento agressivo e irritadiço. Essa síndrome se refere a um tipo de estresse ocupacional e institucional com predileção para profissionais que mantêm relação constante e direta com outras pessoas, principalmente quando essa atividade é considerada de ajuda (médicos, enfermeiros, professores).

Os trabalhos com altos níveis de estresse podem ser mais propensos a causar burnout que trabalhos em níveis normais de estresse. Taxistas, controladores de tráfego aéreo, músicos, professores e ar-tistas, parecem ter mais tendência ao burnout do que outros profissionais. Os médicos parecem ter a proporção mais elevada de casos (de acordo com um estudo recente no Psychological Reports, 40% dos médicos apresentavam altos níveis da síndrome).

Hoje, entretanto, as observações já se estendem a todos profissionais que interagem de forma ativa com pessoas, que cuidam e/ou solucionam problemas de outras pessoas, que obedecem a técnicas e métodos mais exigentes, fazendo parte de organizações de trabalho submetidas à avaliações.

Os autores que defendem a Síndrome de Burnout como sendo diferente do estresse, alegam que a doença envolve atitudes e condutas negativas com relação aos usuários, clientes, organização e trabalho, enquanto o estresse apareceria mais como esgotamento pessoal com interferência na vida do sujeito e não necessariamente na sua relação com o trabalho. Entretanto, pessoalmente, julgamos que a Síndrome de Burnout seria a conseqüência mais depressiva do estresse desencadeado pelo trabalho.

Já Phillips (1984) diz que a primeira medida para evitar a Síndrome de Burnout é conhecer suas manifestações. Existem, porém, outras formas de prevenção e que podem ser agrupadas em três categorias: estratégias individuais (formação e capacitação profissional), estratégias grupais (buscar o apoio grupal) e estratégicas organizacionais (estabelecer políticas de qualidade de vida no trabalho). As organizações que se preocupam com a Qualidade de Vida do trabalhador acabam por acumular pontos positivos na classificação das melhores empresas, e sabemos que este desafio de-pende simultaneamente do indivíduo e da organização.

Contato: cristina@prosaude.org.br                                                             

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