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Antônio
Sergio Vulpe Fausto
Diretor de Desenvovimento da Pró-Saúde
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Eduardo
Martinho
Professor de Administração Hospitalar
e Sáude Publica
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As comunicações na
Administração Hospitalar
A
comunicação é uma grande preocupação
de
estudiósos e pesquisadores
Atualmente,
é maior o empenho em estabele-cer comunicações, principalmente
nos serviços de saúde face tratar-se da organização
humana com maior complexidade nos diversos relacionamentos profissionais
que atuam no setor.
Há uma fartura de meios de comunicação, nunca imaginável
para quem viveu há alguns anos atrás e passou a dedicar-se
aos problemas das comunicações nas organizações.
Como fator de gerenciamento, as comunicações passaram a
consti-tuir uma grande preocupação dos estudiosos e dos
praticantes de todas as instituições – empresariais,
militares, governamentais, hospitalares, universitárias e pesquisadoras.
Em nenhuma outra área têm-se visto homens e mulheres traba-lhando
com tanto afinco e dedicação como os psicólogos,
os especialistas em relações humanas, os administradores
que se têm dedicado ao aperfeiçoamento da comunicação
nas organizações.
Apesar do triste estado em que se encontram tanto a teoria quanto a prática
das comunicações, e da importância da distinção
entre informação e comunicação.
Segundo Peter Ferdinand Drucker, há 4 pontos fundamentais sobre
comunicações:
1. A comunicação
é percepção.
2. A comunicação é expectativa.
3. A comunicação faz exigências.
4.A comunicação e a informação são
coisas diferentes e, na verdade, em grande parte apostas – embora
interdependentes.
1.
Comunicação é percepção. Um
velho enigma apresentado pelos místicos de numerosas religiões
– os zen budistas, os sufis do Islã e os rabinos do Talmude
– exprime-se através da pergunta: “Quando uma árvore
tomba na floresta e não há ninguém por perto para
ouvi-la, há som?” A resposta certa é não. Há
ondas sonoras, mas não há som se ninguém as percebe.
O som é criado pela percepção. O som é comunicação.
Quem comunica é receptor. O chamado comunicador, a pessoa que emite
a comunicação, não comunica. Apenas se exprime audivelmente.
Se não houver quem a ouça não há comunicação:
só há ruído. O comunicador fala, escreve ou canta
– mas não se comunica. Em verdade, ele não pode comunicar-se.
Só pode tornar possível (ou impossível) a um receptor
– melhor seria dizer “perceptor” – perceber sua
emissão.
A percepção não é lógica. Cons-titui
uma experiência. Isso quer dizer, em primeiro lugar, que se percebe
uma configuração, um padrão. Não se podem
perceber meras especificações. Estas fazem sempre parte
de um quadro total. A “linguagem silenciosa”- os gestos, o
tom da voz, o ambiente, para não falar do contexto cultural e social
– não pode ser dissociada da linguagem falada. Na verdade,
sem “linguagem silenciosa”a palavra falada não tem
sentido nem poder de comunicação.
Todavia, sobre a percepção, cada qual só percebe
aquilo que é capaz de perceber. Assim como o ouvido humano não
ouve sons situados acima de determinada intensidade sonora, também
a nossa mente não percebe aquilo que se encontre fora do alcance
de sua percepção. Poderá, é claro, ouvir ou
ver fisicamente, mas essas sensações só poderão
transformar-se em comunicação quando forem expressivas.
Que fanáticos não se convencem diante de argumentos racionais
sabe-se há milhares de anos. Agora, compreende-se que a falta não
é a dos “argumentos”. É que os fanáticos
não possuem capacidade para perceber as comunicações
situadas fora de sua faixa de emoções. Raramente este fato
é compreendido e é conduzido para direções
diferentes. A história dos cegos e do elefante, em que cada qual,
ao tomar contato com o estranho animal, apalpa uma de suas partes e tira
conclusões diferentes das dos ou-tros, constitui simplesmente uma
metáfora sobre a condição humana. A comunicação
será impossível enquanto não se entender isso.
2. A comunicação é expectativa.
Em regra, é percebido o que se quer perceber. Vê-se em grande
parte aquilo que se espera ver e ouvir em grande parte o que se quer ouvir.
O não esperado passa a ser repudiado, não é o que
importa, embora a maior parte das obras sobre as comunicações
nas empresas e no governo diga isso.
O que não é esperado não é recebido, nem ouvido,
mas desprezado. A mente humana procura encaixar impressões e estímulos
em uma estrutura de expectativas. E oferece resistência a qualquer
tentativa de fazê-la mudar de opinião. Por conseguinte, antes
de se comunicar, deve-se saber o que o receptor espera ver e ouvir.
Só ai pode-se saber se a comunicação se encaixa nas
expectativas do receptor, ou despertar de rom-per as expectativas do receptor
e o force a compreender que está ocorrendo o que não esperava.
3. A comunicação faz exigências.
Os psicólogos vem estudando a capacidade de seus entrevistados
em memorizar palavras separadas era totalmente desigual e a capacidade
de retenção de palavras absurdas.
A explicação é bastante clara: as palavras não
constituem simples veículos de informação.Elas contêm
cargas emotivas.
Por essa razão há uma inclinação a suprimir
as palavras que provoquem associações desagradáveis
ou amea-çadoras e a reter as que produzem em nós associações
agradáveis.
A comunicação é sempre propaganda. O emissor quer
sempre transmitir alguma coisa. Ela sempre exi-ge que o receptor se torne
alguém, faça algo, acredite em alguma coisa. Sempre apela
para a motivação.
De maneira geral, portanto, só há comunicação
quando a mensagem puder sintonizar-se com os valores do receptor.
4. A comunicação e a informação
são coisas diferentes e interdependentes. A comunicação
é percepção; a informação é
lógica.
Como tal, a informação é formal e desprovida de sentido
próprio. É mais impessoal do que interpessoal. Quanto mais
puder libertar-se do componente humano, das emoções e dos
valores, das expectativas e das percepções, maior valor
terá e maior confiança despertará, bem como maior
dose de informação transmitirá.
Sabe-se que as comunicações que vêm de cima não
funcionam – só as que vêm de baixo. E sabe-se que para
contar com comunicações eficazes as organizações
precisam da administração por objetivos. A comunicação
não se faz entre “eu” e “você”. É
sempre de um de “nós” para o outro.
Referências:
Drucker, Peter Ferdinand. Introdução à Administração.
São Paulo: Thomson, 1984 - Bennis, Warren. A invenção
de uma vida. São Paulo: Editora Campus, 1996.
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