AGO/SET/OUT
de 2007
NÚMERO 54
ANO 5

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ENTREVISTA
 
Vitor Fagá

Saúde na Bolsa

 

“Devemos investir em dois novos hospitais e um centro de diagnósticos de alto padrão”


Em setembro do ano passado, em iniciativa inédita, a Medial – uma das grandes do segmento de saúde suplementar – tornou disponível seu capital para investidores na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Na esteira do aquecimento econômico, o sucesso foi instantâneo. Feito o balanço inicial, somente com a emissão do primeiro lote de ações, a companhia captou R$ 742 milhões. Com a ajuda decisiva do recurso, a Medial está se lançando em novos investimentos. Desde o fim de 2006, inaugurou um hospital, quatro centros médicos, adquiriu uma operadora de planos odontológicos, além de vislumbrar novas aquisições para os próximos três anos. A medida foi tão benéfica que investidores apostam que outras instituições sigam o mesmo caminho.
A expectativa é de que as operadoras Intermédica e a Amil sejam as próximas a abrir o capital, medida ainda não confirmada pelas empresas.
Nesta entrevista, o diretor de novos negócios e de relação com investidores da Medial, Vitor Fagá, explica as razões para se lançar na empreitada e as perspectivas de novos investimentos.


Notícias Hospitalares - Por que a Medial resolveu abrir seu capital e buscar investidores na bolsa de valores?

Vitor Fagá - Com a abertura, abriu-se um novo caminho para as empresas acessarem capital e não foi diferente com a Medial. Esse foi um passo estratégico para a empresa, que passou a contar com uma fonte adicional de recursos para financiar seu plano de investimentos e expansão

NH - Qual o valor captado nessa emissão?

Vitor Fagá - Os papéis da companhia estrearam no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo no dia 22 de setembro de 2006. Com essa operação, a companhia captou R$ 742,2 milhões.

NH - O que será feito com o valor captado?

Vitor Fagá - Diversos investimentos já foram concluídos. Em novembro de 2006, a Medial inaugurou o Hospital Alvorada Taguatinga, em Brasília, primeira unidade hospital da rede própria fora de São Paulo. Em dezembro, adquiriu a operadora de planos odontológicos E-Nova, além de ter inaugurado quatro centros médicos em São Paulo e no Rio de Janeiro e completou a aquisição de cem por cento do Laboratório Clínico Endomed. Em maio deste ano, foi concluída a aquisição do Grupo Amesp e anunciados novos investimentos, no valor de R$ 170 milhões, ao longo de três anos, em dois novos hospitais e um centro de diagnóstico em São Paulo. Parte dos recursos da companhia está em caixa para investimentos em novas aquisições.

NH - Abrir as ações na bolsa de valores é uma tendência das ope-radoras de saúde?

Vitor Fagá - O Grupo Medial Saúde foi a primeira empresa do setor de saúde suplementar a ingressar no mercado de capitais e, haja vista as informações recentemente di-vulgadas, outras empresas devem seguir esse mesmo caminho.

NH - Qual a taxa de crescimento da Medial nos últimos tempos?

Vitor Fagá - No segundo trimestre de 2007, quando comparado ao mesmo período no ano passado, o grupo cresceu 63% em número de beneficiários, obteve um lucro líquido ajustado, que exclui a variação das provisões técnicas de forma a melhorar a comparabilidade com empresas não reguladas pela ANS, de R$ 6,4 milhões no 2T07. Excluindo o efeito dos eventos não recorrentes, o prejuízo líquido ajustado seria de R$1,3 milhão, comparado a um lucro de R$2,9 milhões no 2T06. As contraprestações líquidas, receita bruta proveniente das mensalidades dos planos médico-hospitalares, incluindo as contraprestações líquidas da Amesp a partir de maio, totalizaram R$ 393,8 milhões, um crescimento de 43,8% sobre igual período de 2006. Contraprestações líquidas de planos PME registraram o maior crescimento no trimestre, de 75,8% sobre igual período de 2006, para R$ 69,8 milhões.

NH - A Medial possui quantas vidas em seu plano?

Vitor Fagá - Atualmente o grupo reúne 1,4 milhões de beneficiários de planos de saúde, 96,4 mil bene-ficiários de planos odontológicos, 10 hospitais, 43 centros médicos e 120 pontos de coleta de diagnóstico, além de uma rede credenciada com abrangência nacional.

NH - Há investimentos em novos centros de saúde?

Vitor Fagá - Devemos investir na construção de dois novos hospitais e de um centro de diagnósticos de alto padrão.

NH – E para quando será isso?

Vitor Fagá - O primeiro hospital será construído nas proximidades da Avenida Paulista, no centro de São Paulo, e terá cerca de 23.000m² de área e 300 leitos. O investimento estimado de R$ 65 milhões será custeado em sua maioria por uma permuta imobiliária com o prédio e o terreno do Hospital Jaraguá (hospital de 120 leitos da Amesp), que será desativado quando o novo hospital ficar pronto. O prazo previsto de construção é de 24 meses.

NH – E o segundo hospital e o centro de diagnósticos?

Vitor Fagá - O segundo hospital, que deverá ter cerca de 30.000m² e 350 leitos, será construído em um terreno de 15.000m² que a Medial acaba de adquirir na região do Morumbi (zona sul de São Paulo), com o objetivo de ampliar o atendimento hospitalar aos beneficiários da companhia naquela região da cidade. O investimento está estimado em R$ 85 milhões e o prazo previsto de construção é de 36 meses. O centro de diagnósticos de alto padrão, o primeiro do grupo dedicado aos beneficiários de planos premium e ao público em geral, será instalado num imóvel adquirido pela Medial nas imediações da Avenida Brasil (zona oeste de São Paulo). O investimento, incluindo terreno e imóvel, está estimado em cerca de R$ 20 milhões. Esse centro diagnóstico deverá entrar em operações em janeiro de 2008.

“O Grupo Medial Saúde foi o primeiro do setor de saúde suplementar a ingressar no mercado de capitais e outras empresas devem seguir esse mesmo caminho”


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