AGO/SET/OUT
de 2007
NÚMERO 54
ANO 5

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HUMANIZAÇÃO
 
Cristina Rodrigues
Consultoria de Enfermagem e Especialista em Administração
Hospitalar e Saúde Pública

A Vida nos inspira

Se fosse possivel observar com uma lente de aumento
a sáude da sociedade humana, perceberíamos muita dor e sofrimento

É preciso refletir sobre algumas lições que a própria vida nos passa. Em primeiro lugar, é fundamental compreender que, apesar dos surpreendentes avanços da ciência, é absolutamente impossível recriar todas as formas de vida em laboratório. Infelizmente, sabemos destruir, com diversos tipos de armas – nucleares, químicas e biológicas – toda e qualquer vida na Terra. Mas não sabemos como, nem por onde começar a restaurá-la.

Podemos dizer que alguma coisa é viva quando ela gera a si mesma. Estamos tão acostumados a encontrar outras pessoas caminhando à nossa frente, a ver as árvores alimentando os pássaros e insetos, que esquecemos, literalmente, de admirar a vida em seu mistério. O milagre se tornou comum: mulheres grávidas em países em guerra, ovos eclodindo em terras áridas, a grama brotando das frestas do asfalto de cidades maltratadas pela violência.

A vida é criativa. Observe as folhas de uma árvore. Se olhar a-tentamente, perceberá que não existe uma folha igual à outra. O mesmo acontece quando observamos as multidões caminhando pelas ruas: quantas pessoas diferentes umas das outras! Na família humana, em todo nosso planeta, abraçamos um número imenso de raças, culturas, religiões, visões de mundo, de valores.

E, logicamente, é impossível que todo mundo pense do mesmo jeito: alguns gostam do verão, outros preferem o inverno. O problema começa quando se torna difícil aceitar o ponto de vista do outro. Perdemos a paciência, nos tornamos intolerantes, discutimos e, sem querer, podemos utilizar a violência para lidar com esse conflito.

Em uma atitude imediatista e impensada, corremos o risco de desrespeitar a vida, machucando nosso semelhante com palavras, gestos, atitudes. É exatamente assim que começam as brigas e as guerras. E é justamente esta espiral de violência que queremos eliminar.

Para compreender a arte da aceitação do outro, podemos aprender com nossa maior mestra: a própria vida, bem maior do que o universo, que insiste em pulsar a cada instante. Teima em se concretizar, perfeita e harmonicamente.

Vamos continuar estudando a vida: ao caminhar em uma mata ou a beira-mar, observando o pôr-do-sol, estabelecemos uma sensação imediata de paz, acolhimento e harmonia com a Terra. O amor é o combustível fundamental da humanidade, o alicerce da vida no planeta. É um bem-estar espontâneo, fácil, natural, que precisa ser redescoberto. Cabe a cada um de nós empreender essa viagem interior, ao encontro da bondade humana, virtude presente em todas as culturas.

Mas e no nosso organismo maior, a sociedade? Existe essa mesma sintonia? O que seria de nós sem os empregados das usinas hidroelétricas que produzem energia? Sem os padeiros, médicos e lixeiros? Músicos, jornalistas e camponeses? Dependemos uns dos outros para sobreviver. Infelizmente, esse fato é freqüentemente esquecido, nos diversos cantos do planeta, a cada instante. Se pudéssemos observar com uma lente de aumento a saúde da sociedade humana, perceberíamos muita dor e sofrimento. Muitos não encontram oportunidades de moradia, alimento, trabalho.

Será que podemos fazer algo para construir um mundo mais justo, mais cooperativo? A injustiças e desigualdades são tantas que, muitas vezes, é mais cômodo nos sentirmos magoados e revoltados. Mas, de alguma maneira, precisamos aprender que a paz está em nossas mãos: a sociedade do futuro depende de nós. Cabe a cada um cuidar da vida, em seu aspecto social, pessoal e planetário. Vamos respeitar a vida, cuidando:

•Da natureza à nossa volta
•De nossa comunidade, de nosso bairro, de nossa família
•De nosso corpo
•Das palavras que dizemos
•Do nosso olhar... que revelam a verdade de nossos sentimentos.

Contato: cristina@prosaude.org.br                                                             

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