AGO/SET/OUT
de 2007
NÚMERO 54
ANO 5

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HUMANIZAÇÃO

Seis meses
para a maternidade
Projeto quer aumentar em dois meses o benefício da licença

Está em tramitação no Senado projeto de lei 281/05 que aumenta o período de licença-maternidade de quatro para seis meses. De autoria da senadora Patrícia Saboya (PSB-CE), foi elaborado com base em anteprojeto da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), endossado pela OAB nacional. O acréscimo dos dois meses de benefício é optativo tanto para as empresas quanto para as funcionárias, que podem ou não requerê-lo. As organizações da iniciativa privada que aderirem voluntariamente po-derão deduzir do imposto de renda o valor integral do salário pago às trabalhadoras nesses 60 dias.

Segundo estimativas da consultoria do Senado Federal, se todas as empresas de médio e grande porte adotarem a idéia, o Estado deixará de arrecadar por ano cerca de R$ 500 milhões. Ainda por essa análise, a licença estendida ajudaria a diminuir as despesas médicas com menores de um ano, ao permitir que as mães alimen-tem seus filhos exclusivamente com leite materno durante os seis primeiros meses de vida. “Não temos dúvida de que é possível ter uma diminuição das internações de forma expressiva. Com isso, ganha a sociedade e o SUS, no sentido de economizar gastos desnecessários”, afirma o obstetra Adson França, diretor do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas do Ministério da Saúde.

No ano passado houve 41.772 internações de bebês por diarréia, cujo tratamento custou ao governo R$ 12,2 milhões, de acordo com dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, somente a adesão maciça das empresas à licença de seis meses poderia reduzir em 2,5 vezes a incidência e os gastos com esse agravo.

Pelas estimativas da SBP, pneumonias que custaram aos cofres públicos R$ 81,7 milhões em 2006 – com a internação de 130 mil de um ano –, poderia ser reduzida em 17 vezes, pelas estimativas da SBP. Apesar de preconizado pela OMS, no Brasil apenas 9,7% das mães alimentam seus filhos exclusivamente com leite materno nos primeiros seis meses, segundo a Pesquisa de Prevalência de Aleitamento Materno nas Capitais Brasileiras e Distrito Federal, do Ministério da Saúde.

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